Exposição de Temas

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Planejamento para os 1º anos A e B - 1º ao 4º Bimestres

Planejamento de Aulas para os 1º anos A e B, para os 1º - 2º- 3º- e 4º- Bimestre

1º  Bimestre

Tema -1: Pré- História
Pré- História 
Introdução 
      O termo Pré-História costuma ser criticado, pois o ser humano, desde do seu surgimento, é um ser histórico, mesmo que não tenha utilizados da escrita em algum período. Outras expressões foram propostas para denominar os povos sem escrita, como povo pré-letrado ou povo ágrafo (sem escrita). O uso dessas expressões, entretanto, não se generalizou. Já o termo Pré-História é consagrado mundialmente. Assim, podemos empregá-lo, mas , cientes de que este período faz parte também da historia. 
        Outra crítica à periodização tradicional da história é o fato de ter sido elaborada com base no estudo de apenas algumas regiões da Europa, do Oriente Médio e do Norte da África. Portanto, não pode ser aplicada a todas as sociedades do mundo.
        Por fim, há um problema próprio da periodização. Como ela adota certos fatos como marcos dos períodos, da a falsa impressão de que as mudanças históricas ocorreram repentinamente. A rigor, é impossível que em único fato possa inaugurar e encerrar um período histórico. Em geral, as grandes mudanças históricas fazem parte de um processo longo e gradativo, embora haja o costume de se adotar um determinado evento para simbolizar tais mudanças.

Mudanças que fizeram Diferenças
Paleolítico - em que a produção de objetos e instrumentos era bastante rudimentares. Nesse período os seres humanos viviam da caça, pesca e da coleta de grãos, frutos e raízes. 

Neolítico - neste período em que a criação de objetos e instrumentos passou a ser elaborada de forma menos rudimentar. Nesse período, os grupos humanos  passaram a produzir seus alimentos, ou seja, desenvolveram a agricultura e a criação de animais.

Caçadores - Coletores - compreende o primeiro período da Pré-História, onde o homem vivia exclusivamente da caça, pesca, coletar frutas e raízes. 

Primeiros Instrumentos - os seres humanos de diferentes regiões do mundo (África - Europa - Oriente Médio - Ásia - América) passaram a confeccionar seus primeiros instrumentos feitos de madeira, ossos, chifres e pedras. 
        Esse fato é importante, póis o uso cada vez mais generalizado de instrumentos é considerado um dos principais fatores que acabaram distinguindo os seres humanos dos outros animais.

Alimentação e Nomadismo 
        Os seres humanos ainda não produziam diretamente seus alimentos. Isto é, não cultivavam plantas e nem criavam animais. Consumiam o que encontravam na natureza, como frutos, grãos e raízes, e o que caçavam e pescavam. Quando se esgotavam os alimentos na localização em que habitavam, eles se mudavam para outro. Por essa razão foram denominados grupos nômades caçadores-coletores.

Controle do Fogo - o controle do fogo foi certamente uma das maiores conquistas desse período, permitindo aos seres humanos suportar o frio, afastas os animais perigosos e cozinhar os alimentos.

Abrigos e Roupas - diversos grupos humanos em diferentes regiões do planeta também desenvolveram as primeiras técnicas para se proteger dos rigores do clima, devido às acentuadas mudanças climáticas que ocorreram nesse período.
        Construíram assim, os primeiros abrigos e produziram as primeiras roupas, com  peles de animais (couro).
        Esses grupos humanos foram os primeiros a diversificar a produção de instrumentos e utensílios, como a: lança, arco, flecha, arpão, lâmina e anzol. Então pela primeira vez, os artefatos tornaram -se obras de arte.

Formas de Organização Social 
        Para melhor garantir a sobrevivência, as diversas sociedades de caçadores-coletores aos poucos estabeleceram alguns modos de cooperação entre os membros de cada grupo. Com isso, conseguiram construir abrigos em menor tempo ou desenvolver táticas de caça em conjunto. A divisão de trabalho foi feita de acordo com sexo e idade, entre os adultos, os homens caçavam e as mulheres faziam a parte da coleta de alimentos e vegetais e também cuidavam das crianças. 

Organização Técnicas e Inovações Técnicas        
         Além do desenvolvimento de técnicas agropastoris, diversos povos do Neolítico também promoveram outras inovações, tais como: 

Construção de Casas - para viverem próximo dos rebanhos e das plantações e conseguir uma moradia mais durável, os povos do Neolítico começaram a construir casas utilizando madeira, barro, pedra e folhagem seca. 

Instrumentos de Pedras - já mencionamos que a pedra passou a ser polida, havendo um aperfeiçoamento técnicos em instrumentos feitos desse material, como facas, machados, foices, enxadas e pilões. 

Cerâmica - com a necessidade de cozinhar e armazenar os alimentos, levou a diversos povos do Neolítico a desenvolver a técnica de dá forma à argila e aquecê-la no fogo para produzir os primeiros vasos e potes cerâmicos - recipiente que suportavam o calor do fogo e podiam conter líquidos.

Tecelagem - vários grupos humanos começaram a fiar e a tear, utilizando pelos de animais e fibras vegetais. Surgiram, assim, as primeiras vestimentas de linho, algodão e lã, e as roupas, que até então eram feitas principalmente com peles de animais (couro) passaram a ser mais elaboradas.

A Pré-História Sul-Americana, Brasileira e Regional 
Introdução         A organização temporal da América Pré-Histórica se conforma às mesmas datações estabelecidas do período Pré-Histórico. 
          Por isso, as primeiras notícias sobre o continente americano se estabelecem no período do Paleolítico inferior. Os vestígios encontrados nessa fase inicial são bastantes rudimentares. Em geral, é documentada a ocorrência de pedras talhadas em uma ou duas faces, e um utensílio semelhante a uma raspadeira.
         Outros vestígios dessa época são feitos a partir da ossada de animais extintos como  mastodontes, bisões e camelídeos. 
        Com o fim do período Paleolítico, as primeiras técnicas de produção agrícola passaram a ser desenvolvidas nas Américas. Os primeiros vestígios de plantações foram encontrados em região do México, dos Andes e da América Central - entre 5.00 e 4.000 aC.. O artesanato pré-histórico ganhou outros itens de cerâmico, artefatos de pedra e cestaria. No período de 3.000 a 1.500 aC., os gêneros agrícolas eram essencialmente autóctones.
       O milho, abobora, a batata, o cacau, mandioca e o girassol eram os mais importantes das plantações cultivadas.
         Paralelamente, técnicas de plantio se sofisticaram com o desenvolvimento de técnicas de irrigação, fertilização e a construção de terraços escalonados. A domesticação de animais  também se desenvolveu com a criação de Alpacas e Ilhamas. 
      Na América do Sul temos o surgimento das culturas Andinas com especial destaque aos Incas, e dos povos Caraíbas, Guaranis e Tupis. Foi nessa mesma época que as primeiras comunidades indígenas se desenvolveram no Brasil.
       O Brasil concede uma significativa contribuição proveniente de seus diversos sítios arqueológicos. Entre os estados que apresentam antigos vestígios da presença humana, podemos destacar principalmente os estados do Piauí, Minas Gerais e as regiões litorâneas do Centro-Sul do país. 

Mulheres na Pré-História 
         Pouco encontramos nos livros de história falando ou tratando da mulher na Pré-História, principalmente nos livros didáticos.
      A história das mulheres na Pré-Historia é um ótimo exemplo disso, afinal você espera que no início do tempo, quando não havia sociedade ou escrita, o trabalho manual fosse o fator que avaliasse a importância de alguém, certo? Errado!. Pelo menos, é o que aparenta pelos diferentes trabalhos feitos sobre a época.
        O tópico constante quando se discute sobre as pessoas de tal período baseia-se na sobrevivência, sobre como arranjar comida e se proteger dos animais. Isso leva a discussão sobre o surgimento da roda, fogo e das armas para caçar, porém se ignora que o cesto, roupa e cerâmica foram tão importante quanto. Não só isso, ignoramos a importância dessas atividades para a sobrevivência do dia a dia. Por que, sim, a caça era atividade masculina, mas a importância dela para a alimentação diária?. Praticamente nula, isso é devido a sua dificuldade tanto de conseguir, quanto de conservação. O que mantinha os grupos eram as coletas de alimentos realizados pelas mulheres. 
        A professora Salhy Slocum indica outro ponto onde se ignora a participação feminina. A criadora da teoria "Mulher, A Coletora" (Em resposta a "Homem, O Caçador") responde a ideia de que a sociabilidade e comunicação foram desenvolvidas pelos homens pela necessidade de caça grupal. Segundo ela, as mulheres contribuíram tanto quanto através do processo de coleta coletiva e a criação de crianças. Em relação a família, aliás, importante indicar que era centrada em volta da mulher, como o antropólogo W. I. Thomas indica; "filhos, portanto, eram das mulheres e mantinham-se membros de seu grupo. O germe de organização social foi sempre as mulheres e seus filhos e os filhos de seus filhos"
         É possível citar diversos casos onde se demonstra a importância da mulher, porém creio que esses são suficientes para justificar a defesa de atuação feminina. Gostaria de focar, agora, em alguns estudos realizados sobre a evolução e a participação feminina nisso. Admito que poderia buscar o nome de tais Antropólogos, porém me parece um desperdício de tempo, principalmente por seus estudos deveriam servir somente de piada e depois esquecidos. 
          Como ocorre em diferentes épocas, ignoramos o trabalho das mulheres por serem menos interessantes, esquecendo assim, a vitalidade do mesmo para a sobrevivência. Sim, a imagem de alguém enfrentando um leão é muito mais legal do que alguém de joelhos coletando frutas, mas no final do dia, quem permitiu que a humanidade continuasse viva eram as frutas sem graças. É possível celebrar os dois, não é possível esquecer a força masculina para lembrar a feminina e vice-versa.


Fonte: Miles, Rosalind (1988

Idade dos Metais

Introdução 
            O período da Idade dos Metais é a última fase da Pré-história. De curta duração, este período vai de 6, 5 mil anos atrás até o surgimento da escrita (por volta de 5,5 mil anos atrás).
            Foi um período muito importante, pois o homem pré-histórico fez vários avanços nas técnicas de produção de artefatos. Estes avanços permitiram melhores condições de vida. O conhecimento de técnicas de fundir e moldar os metais trouxe muitos avanços na vida cotidiana do homem pré-histórico.

Principais avanços do período da Idade dos Metais:
Idade do Cobre - por volta de seis mil anos atrás, o homem pré-histórico (homo sapiens sapiens) adquiriu conhecimentos para o desenvolvimento de técnicas para derreter e moldar o cobre. Usava moldes de pedra ou barro para colocar o cobre derretido e produzir espadas, lanças e ferramentas. Usava o martelo para moldar estes objetos depois que esfriavam. 
Idade do Bronze - por volta de quatro mil anos atrás, o homem começou a produzir o bronze (metal mais resistente que o cobre), a partir da mistura da liga do cobre com o estanho. Espadas, capacetes, martelos, lanças, facas, machados e outros objetos de bronze começaram a ser fabricados neste período. Esta época, de grande avanço tecnológico, passou a ser chamada de Idade do Bronze.

Idade do Ferro - por volta de 3,5 mil anos atrás o homem já dominava muito bem a metalurgia, passando a fabricar o ferro, usando fornos em altas temperaturas. Com o ferro, o homem passou a desenvolver, principalmente, armas mais resistentes.
            A fabricação destes objetos de metais teve uma grande influência na agricultura, aumentando a produção. O arado de metal, enxada e outras ferramentas agrícolas rústicas foram criadas, facilitando assim o trabalho no campo.

            O domínio dos metais também possibilitou ao homem deste período a fabricação de utensílios domésticos (panelas, potes, facas, etc.) e objetos de adorno e de arte. Nesta época, várias esculturas de bronze foram produzidas.

Tema -2: Civilizações
     
Crescente do Fértil 
Introdução
         A região do planeta onde surgiram as primeiras civilizações de que temos conhecimento correspondente à área da Mesopotâmia. 
        Essa área ficou conhecida pela expressão Crescente do Fértil. Isso porque no traçado dessa região, visto num mapa, faz lembrar a lua na fase quarto crescente, e suas terras eram férteis devidos as enchentes dos Rios Tigre, Eufrates, Nilo e Jordão.
        Essas primeiras civilizações serão estudadas em detalhes, que tratada na Antiguidade Oriental.



Civilização 

Nova fase da Organização Social
     A palavra civilização é utilizada com diferentes significados. Na linguagem comum, dizemos que alguém é civilizado quando é "bem-educado", tem "boas maneiras". Porém quando nos referimos aos povos, o sentido é bem diferente.
      O termo civilização começou a ser utilizado na França, em meados do século XVIII, com o sentimento do evolucionista e progresso. Segundo esse conceito, a humanidade passaria por etapas sucessivas de evolução social.

 Principais Eventos
        Alguns eventos costumam ser associados ao surgimento das sociedades civilizadas, entre os quais destacamos: as primeiras cidades, os sistemas de registros e a escritas, a formação dos Estados e o aprofundamento das divisões dos grupos sociais.

Aldeias e as Primeiras Cidades
       As primeiras aldeias sedentárias surgiram quando certas comunidades Neolíticas se estabeleceram num território, dedicando-se, predominantemente, à atividade agrícola. Com isso, ampliou-se a oferta de alimentos, a população cresceu, a vida social foi se tornando cada vez mais complexa.
        Uma das consequências foi a ampliação gradativa da divisão de trabalho. Uma pessoa com habilidades em fazer cerâmica, poderia trocar os potes e untensílios por alimentos.
        Algumas dessas aldeias em expansão também foram incorporando as suas estruturas físicas novos elementos, como por exemplo; uma muralha protetora, templos para cultos religiosos, um edifício, palácio dos governantes, casas para moradia das pessoas, armazéns para estocar alimentos e ruas que interligavam essas edificações. Todos esses processos fazem parte do surgimento das primeiras cidades.
      Acompanhando a formação das primeiras cidades, desenvolveram-se calendários, sistemas de escritas. de numeração, de pesos e medidas.

Formação do Estado
Introdução
      As circunstâncias específicas que deram origem à formação do Estado nas diversas sociedades humanas é um tema de difícil verificação e tem despertado vários ensaio filosóficos;
      Certamente o Estado nem sempre existiu ao longo da história. Sabe-se que diversas sociedades originaram-se sem ele. Nas sociedades sem Estado, as funções políticas não estavam claramente definidas e formalizadas numa instância de poder.
        No entanto, em dado momento da história da maioria das sociedades, supõe-se que com o aprofundamento da divisão social do trabalho, certas funções, políticas-administrativas e militares acabaram sendo assumidas por um grupo social específico.

Relações Sociais. 
        Nas primeiras comunidades, as relações sociais baseavam-se principalmente nos laços de parentescos, nos usos e costumes comuns, nas formas de cooperação entre os membros do grupo. O alimento, a terra e o rebanho compunham propriedades coletivas da comunidade.
       Nas sociedades civilizadas, quase todos esses elementos se modificaram, as atividades, socioeconômicas foram dividas entre as pessoas, surgindo trabalhadores especializados, como ceramistas, barqueiros, vidraceiros, agricultores, pastoreiros, sacerdotes, metalúrgicos, comandantes militares, etc.
        Antigas formas de cooperação foram substituídas pela competição social, dando origem a propriedade privada da terra e de outros bens. Os acúmulos desiguais de bens e materiais pelos indivíduos passou a diferenciar as pessoas, designando-as como ricas e pobres, dependendo do poder econômico. 

As Primeiras Civilizações na Mesopotâmia
        O nome Mesopotâmia significa "terras entre rios", foi atribuído à região pelos antigos gregos devido à sua localização, entre os rios Tigres e Eufrates. Atualmente, na maior parte dessa área da antiga Mesopotâmia, localiza-se o Iraque.
        Na região da Mesopotâmia, viveram diferentes povos que ao longo da história confrontaram-se em vários momentos.
     O clima árido dessa região, onde as chuvas são escassas, tornava muito importante as áreas próximas aos grandes rios. Isso atraiu grupos nômades e seminômades das montanhas e do deserto, que atacavam as populações sedentárias que viviam nos vales e nas planícies, onde havia áreas férteis para as plantas e criar rebanhos.
        Desta forma, diversos povos sucederam-se o domínio da região, cada um desses povos teve seu período de domínio.

Sumérios: são criadores da primeira civilização da Mesopotâmia  - (3.500 aC.) funcionaram importantes cidades, como Ur - UruK - Eridu - Lagash e Nippur.
Atribui-se aos sumérios o desenvolvimento da escrita cuneiforme e o uso da roda em veículo pela primeira vez. 

Acádios: Vindos do deserto da Síria - (2.550 aC.), conquistaram e unificaram as cidades de sumérias. Fundaram o Primeiro Império da Mesopotâmia, que se expandiu desde o Golfo Pérsico até o norte da Mesopotâmia - foram denominados pelos guti, povo originário dos montes Zargros (atual fronteira Irã - Iraque).

Amoritas: vindos do deserto da Arábia (2.000 aC.) estabeleceram-se na cidade da Babilônia, sendo por isso, denominados babilônicos, expandiram seus domínios sobre toda a Mesopotâmia, do Golfo Pérsico até o Norte da Assíria.

Assírios: vindos provavelmente da região situada entre a Europa e a Ásia (2.000 aC.). Organizaram um dos primeiros exércitos permanentes do mundo.

Caldeus: vindos possivelmente da Arábia (1.000 aC.). Conquistaram a cidade da Babilônia e ficaram conhecidos como neobabilônicos. Seu principal soberano foi Nabucodonosor que teria sido responsável pela construção de grandes obras urbanas, como templos, muralhas, ruas, jardins e palácios.
        Dominaram a região até o ano de 539aC. quando foram vencidos pelos povos Persas. 
Fonte: Portal São Francisco


Tema -3: Egito e Mesopotâmia

Egito Antigo
A Sociedade que controlou o Nilo
        O Egito é uma das regiões do Crescente Fértil, que contava com terras férteis devidos as enchentes de seus principais rios, favorecendo a fixação humana em suas cercanias. 
        No caso do Egito, o Rio Nilo, um dos maiores rios do planeta.
        Periodicamente, na época das cheias, as águas do Nilo inundavam suas margens, levando grande quantidades do húnus acumulado em seu leito. Quando o rio retornava ao nível normal, o solo inundado estava fertilizado por essa matéria orgânica, resultado da decomposição de restos de animais e vegetações, o que favorecia o crescimento das plantas e, portanto, a atividade agrícola.

Sociedade
        A sociedade egípcia era formada por diferentes estrato sociais (camadas sociais sobrepostas, fixas e de caráter hereditário). 

Faraó e a Elite Dirigente
        O Faraó era o rei supremo do Egito, considerado basicamente um deus vivo, responsável pela proteção e prosperidade de seu povo. Essa crença na "condição divina do rei" sofreu, no entanto, variações ao longo da história egípcia , ora sendo reforçada, ora enfraquecida.
        De modo geral, o faraó detinha a autoridade religiosa, administrativa, judicial e militar.
        Podia ter diversas esposas e também um grande de concubinas. Possuía a maior parte das terras do país e, ajudado por funcionários do governo e sacerdotes, exercia consideravelmente controle sobre as atividades econômicas.

Camponeses, Artesãos e Escravos
        A maioria da população egípcia era composta de camponeses, seguidos pelos diversos tipos de artesãos. Segundo os historiadores havia também um grupo relativamente pequeno de escravos.

Campesinato
          Os camponeses (também chamados de felás)

Agricultura - os principais produtos cultivados eram o trigo (para fazer pão), a cevada (para fazer cerveja) e o linho (para fazer tecido). Os camponeses também se dedicavam à plantação de legumes, verduras e uvas (para fazer vinhos) e frutas variadas.

Criação de Animais - havia criação de bois, asnos, carneiros, cabras, porcos e, posteriormente cavalos, criaram também diversas aves - gansos, patos e grous, a carne era alimennto de luxo, e os mais pobres só consumiam em ocasiões especiais.

Caça e Pesca - as atividades agropastoris eram completadas pela pesca.
Os camponeses viviam em aldeias e eram obrigados a entregar parte da colheita e rebanho como tributos, aos moradores do palácio e faraó e aos sacerdotes dos templos.

Trabalhadores e Artesãos
        No Egito Antigo, havia artesãos que produziam diferentes. Aqueles que produziam artigos de luxo trabalhavam, geralmente nas oficinas urbanas, muitas vezes instaladas nos templos e palácios. 
        Já os artesãos menos qualificados trabalhavam em oficinas rurais, produziam tecidos rústicos, artigos de couro, vasilhas utilitárias e até alimentos como pão e cerveja.
        Havia, assim, artesãos de ofícios variados: ferreiros, carpinteiros, barqueiros, tecelões, ceramistas, ouvires, padeiros, cervejeiros.

População Escrava
        Os escravos formavam um grupo social numericamente pequeno diante do conjunto da população e eram constituído, em sua origem, principalmente de prisioneiros de guerra. Trabalhavam em serviços variados; nas casas, nas pedreiras, nas minas, nos campos.

Relação com a Morte
        Os egípcios acreditavam na vida após a morte no Reino de Osíris. Imaginavam que os mortos seriam julgados por esse deus e poderiam retornar ao mundo dos vivos se fossem absolvidos. Por isso, seus corpos precisariam ser conservados. Desenvolveram, então a técnica da mumificação. Havia diferentes tipos de mumificação; desde os mais simples e baratos até o mais caro e luxuosos.

Ciência Aplicada
        O egípcios desenvolveram um tipo de saber voltado principalmente à resolução de problemas práticos e concretos.
        Esses conhecimentos foram absorvidos e reelaborados por outros povos, como os gregos e os romanos.

Química - a manipulação de substância químicas surgiu no Egito e deu origem a fabricação de diversos remédios e composições.

Matemática - as transações comerciais e a administração dos bens públicos exigiam a padronização de pesos e medidas, mediantes um sistema de notação numérica e de contagem. Desenvolveu-se, assim, a matemática, incluindo a álgebra e a geometria, uteis também no cálculo necessário à construção de grandes obras arquitetônicas, como templos e pirâmides.

Astronomia - para a navegação pelo Mediterrâneo e as atividades agrícolas, os egípcios orientava-se pelas estrelas. Fizeram então, mapas do céu, enumerando e agrupando as estrelas em constelações.

Medicina - a prática da mumificação contribuiu para o estudo do corpo humano. Alguns médicos acabaram se especializando em diferentes partes do corpo humano, como: olhos, cabeças, dentes, ventres.


Portal São Francisco.
Tema -4: Hebreus, Fenícios e Persas

Hebreus, Fenícios e Persas
Os hebreus
           Os hebreus são povos semitas originários da Mesopotâmia que passou pela Babilônia e pela Síria, mas se estabeleceram e viveram no Oriente Médio cerca do segundo milênio a.C. e que mais tarde originou os semitas como os judeus e os árabes, mas posteriormente o termo hebreu foi associado somente ao povo judeu.

A história da política hebraica é dividida em três fases: 

Fase dos Patriarcas: onde por volta de 1750 a.C. os hebreus migraram para o Egito nas proximidades do Nilo devido a uma grande seca que levou à crise na produção alimentícia. Ao se fixar no Egito, os hebreus conseguiram prosperar, mas, os faraós egípcios os perseguiram e os escravizaram. Em 1250 a.C. os hebreus saíram do Egito liderados por Moisés para voltar à Palestina. Segundo a Bíblia, na volta dos hebreus à Palestina que Moisés recebeu as tábuas contendo os dez mandamentos de Deus.

Fase dos Juízes: foi quando os hebreus chegaram à Palestina e esta estava habitada por vários povos e como os hebreus estavam divididos em doze tribos, eles escolheram vários juízes para comandá-los na luta com os povos pela posse das terras. Entre os povos habitantes da Palestina estavam os cananeus e os filisteus. Os juízes desempenhavam o papel de chefes militares, políticos e religiosos que lhe davam poderes, pois eram considerados enviados de Deus para liderar a luta. Josué foi o primeiro juiz e iniciou a tomada da Palestina onde conquistou Jericó. Em 1030 a.C. entregaram o comando a um só rei para diminuir desavenças internas e como estratégia para vencer seus vizinhos.

Fase dos Reis: O primeiro rei foi Saul que suicidou após ser derrotado pelos filisteus e Davi foi seu sucessor que venceu Golias e conquistou o resto da Palestina escolhendo Jerusalém como capital do reino. Com a morte de Davi seu filho Salomão foi seu sucessor. Salomão levou o povo hebreu ao ponto mais elevado de grandeza realizando obras grandiosas. A obra mais importante foi o templo de Jerusalém que abrigava a Arca da Aliança. Salomão possuía habilidade política e para construir obras grandiosas aumentava os impostos e retirava os camponeses da lavoura para ajudar nas construções. O aumento dos impostos também pagava o luxo de toda sua corte e as despesas com numerosos funcionários, além da sua família com 700 esposas e 300 concubinas.

A divisão da Palestina
            Após a morte de Salomão ocorreram várias revoltas e em 935 a.C. houve a separação das doze tribos em dois reinos: Reino de Israel cuja capital era Samaria. Era formado por dez tribos situadas ao norte. Reino de Judá formado por duas tribos cuja capital era Jerusalém localizados ao sul.
            A formação dos reinos fizeram com que os hebreus ficassem fragilizados aos ataques vizinhos onde em 722 a.C. o reino de Israel foi tomado pelos assírios e seus habitantes foram deportados para diferentes partes do Império Assírio. O Reino de Judá sobreviveu até 586 a.C. quando os babilônios invadiram e dominaram o reino. Conduziram os judeus para a Babilônia como prisioneiros onde permaneceram até 539 a.C.
            Nesse mesmo ano, os persas invadiram a Babilônia e a conquistou fazendo com que os judeus regressarem para a Palestina onde reconstruíram o templo.
         Após algum tempo a Palestina foi dominada pelos macedônios, egípcios e romanos. O imperador romano Tito destruiu Jerusalém e expulsou os judeus da Palestina. Nessa fase os judeus se dispersaram (a Diáspora) que durou mais de dezoito séculos e meio. A Diáspora só se findou em 1948 quando a ONU criou o atual Estado de Israel onde antigamente era a Palestina.

Economia e Sociedade
            Os hebreus deixaram de vivem do pastoreio e foram desenvolvendo o cultivo de cereais à medida em que foram conquistando terras palestinas. Com os surgimento das propriedades privadas, muitos camponeses ficaram sem terra e pediam empréstimos aos grandes proprietários. Como não conseguiam pagar seus empréstimos, foram escravizados pelos proprietários. Com mão-de-obra farta os grandes proprietários passaram a vender seus agropecuários e o comércio floresceu.
A cultura 
            Os hebreus se destacaram por sua religião e pelas contribuições na literatura. Os hebreus eram monoteístas, mas o monoteísmo se consolidou após as pregações de Amós, Oséias e Isaías. Os profetas reafirmavam a vida de um salvador que libertaria os hebreus para uma vida eterna. Dá-se o nome de judaísmo para a religião hebraica que ainda esperam a vinda do Messias. Comemoram a páscoa, o pentecostes e os tabernáculos. A páscoa relembra a saída do Egito, o pentecostes celebra a entrega dos dez mandamentos a Moisés e os tabernáculos recorda a caminhada dos hebreus no deserto quando saíram do Egito para voltar à Palestina.

A literatura
            A maior força está concentrada nos Salmos, no livro de Jó, nos Provérbios e Cântico dos Cânticos. Os salmos são poemas que transmitem ensinamentos, Jó é uma reflexão filosófica, Provérbios ensinam sabedoria e disciplina e Cântico dos Cânticos é um poema de amor sensual.


Fenícios
            Os fenícios foram responsáveis pela formação de uma rica civilização que ocupou uma faixa do litoral mediterrâneo que adentrava o território asiático até as montanhas do atual Líbano. No início de sua trajetória, a exemplo de outros povos da Antiguidade, os fenícios desenvolveram uma economia exclusivamente voltada à agricultura. Contudo, graças ao seu posicionamento geográfico, acabou viabilizando o contato comercial com várias caravanas nômades.
            A expansão comercial foi responsável pela organização de vários centros urbanos independentes, entre os quais destacamos Arad, Biblos, Ugarit, Tiro e Sídon. Em cada uma dessas cidades, observamos a presença de um monarca escolhido pela decisão dos grandes comerciantes e proprietários de terra do local. Dessa forma, podemos afirmar que o cenário político fenício era eminentemente plutocrático, ou seja, controlado pelas parcelas mais ricas da população.
            O desenvolvimento do comércio entre os fenícios aconteceu primordialmente através da realização de trocas de mercadorias. Com o passar do tempo, a expansão das atividades privilegiaram a fabricação de moedas que facilitaram a realização de negócios. Sob tal aspecto, devemos ainda destacar a grande complexidade do artesanato entre os fenícios. Madeiras, tapetes, pedras, marfim, vidro e metais eram alguns dos produtos que atraíam a atenção dos habilidosos artesãos fenícios.
            Outra interessante contribuição advinda do comércio entre os fenícios foi a elaboração de um dos mais antigos alfabetos de toda História. Por meio de um específico conjunto de símbolos, os fenícios puderam empreender a regulação de suas atividades comerciais e expandir as possibilidades de comunicação entre as pessoas. Séculos mais tarde, a civilização greco-romana foi diretamente influenciada pelo sistema inaugurado pelos fenícios.
            Na esfera religiosa, os fenícios ficaram conhecidos pelo seu amplo interesse nas práticas animistas, ou seja, a adoração às árvores, montanhas e demais manifestações da natureza. A Grande Mãe e Baal (o deus protetor) eram as duas mais prestigiadas divindades do universo religioso fenício. Geralmente, os rituais eram executados ao ar livre e incluíam a realização de sacrifícios, sendo que alguns destes contavam com a oferenda de seres humanos.

Persas
            Localizados entre o golfo Pérsico e o mar Cáspio, os persas estabeleceram uma das mais expressivas civilizações da Antiguidade no território que hoje corresponde ao Irã. Por volta de 550 a.C., um príncipe chamado Ciro realizou a dominação do Reino da Média e, assim, iniciou a formação de um próspero reinado que durou cerca de vinte e cinco anos. Nesse tempo, este habilidoso imperador também conquistou o reino da Lídia, a Fenícia, a Síria, a Palestina, as regiões gregas da Ásia Menor e a Babilônia.
            O processo de expansão inaugurado por Ciro foi restabelecido pela ação do imperador Dario, que dominou as planícies do rio Indo e a Trácia. Nesse momento, dada as grandes proporções assumidas pelo território persa, este mesmo imperador viabilizou a ordenação de uma geniosa reforma administrativa. Pelas mãos de Dario, os domínios persas foram divididos em satrápias, subdivisões do território a serem controladas por um sátrapa.
            O sátrapa tinha a importante tarefa de organizar a arrecadação de impostos e contava com o auxílio de um secretário-geral e um comandante militar. Para resolver os constantes problemas oriundos da cobrança de impostos, Dario estipulou a criação de uma moeda única (dárico) e a construção de um eficiente conjunto de estradas. Por meio destas, um grupo de funcionários, conhecidos como “olhos e ouvidos do rei”, fiscalizavam o volume de arrecadação de cada satrápia.
Essas ações garantiram o desenvolvimento de uma bem articulada economia baseada no comércio entre as várias cidades englobadas pelo império persa. Ao mesmo tempo, precisamos destacar que os padrões e regulamentos estabelecidos pelo próprio Estado foram responsáveis pela manutenção de um eficiente corpo administrativo e a realização de várias obras públicas. Somente após a derrota nas Guerras Médicas é que passamos a vislumbrar a desarticulação deste vasto império.
            A vida religiosa da civilização persa atrai a curiosidade de muitas pessoas que se interessam pelos povos da Antiguidade Oriental. Seguidores dos ensinamentos do profeta Zoroastro, os persas possuem uma estrutura de pensamento religioso bastante próximo a de outras crenças, como o judaísmo e o cristianismo. Em suma, acreditam na oposição entre duas divindades (Mazda, o deus do Bem, e Arimã, o deus do Mal) e no fim dos tempos.
            As manifestações artísticas persas foram visivelmente influenciadas pela esfera política. Em várias obras, monumentos e outras construções, há reproduções que homenageiam a vida e os importantes feitos dos reis. No campo arquitetônico, os palácios persas eram dotados por uma complexa gama de elementos de decoração e jardinagem. Segundo algumas pesquisas, os persas construíram alguns de seus palácios através da escavação de grandes rochas.

2º  Bimestre

Tema -1: Civilização Grega

Grécia Antiga
Introdução

Sociedade e Organização Política
        O território grego apresenta duas características físicas marcantes: as montanhas, que dominam cerca de 80% de seu território, e o mar, já que praticamente nenhum ponto fica distante de sua costa recortada.
        As cadeias de montanhas formam planícies férteis, favoráveis ao estabelecimentos de grupos humanos, o que de fato ocorreu. Já as águas calmas do litoral grego e as pequenas distâncias que separam as ilhas eram um convite à navegação, o que foi muito bem aceito pelos gregos. 
        Essas características conferiram a seu território um aspecto fragmentado, condição que, como supõem alguns historiadores, certamente influiu na fragmentação política helênica.
         A verdade é que nunca houve um Estado grego unificado. O que chamamos de Grécia Antiga não foi nada além de um conjunto de pólis, isto é, cidades independentes, muitas vezes, rivais umas das outras. O que as integravam eram alguns elementos culturais comuns, que nos permitem falar na existência de uma civilização grega.

Democracia Na Grécia Antiga 

Atenas
Introdução
        Somos uma democracia porque a administração pública depende da maioria, e não de poucos. Nessa democracia, todos os cidadãos são iguais perante as leis para resolver os conflitos particulares. 
        Mas, quando se trata de escolher um cidadão para a vida pública, o talento é o mérito reconhecido em cada um dão acesso aos postos mais honrados ou honrosos.
       Nossa cidade institui muitos divertimentos para o povo. Temos concursos, festas, cerimonias religiosas ao longo de todo ano. Isso tudo nos traz prazer de  viver e afasta de nós as tristezas. Ao contrário de outros povos, que impõem aos jovens exercícios penosos, nós educamos a juventude de maneira bem mais liberal e amena. A coragem dos atenienses é fruto da alegria de viver, e não nos perturbamos antecipando desgraças ainda não existentes. Porém, no momento de perigo, demonstramos tanta bravura quanto aqueles que passam a vida treinando e sofrendo.
        Usamos a riqueza como um instrumento para agir, e não como motivo de orgulho e ostentação. Entre nós, a pobreza não é causa de vergonha. Vergonhoso é não fazer o possível para evitá-la, todo cidadão tem direito de cuidar de sua vida particular e de seus negócios privados. Mas aquele que não manifestar interesse pela vida política, pela vida pública, é considerado um inútil. 
Esta é a democracia de Péricles

Comparando Democracia 
        Há várias diferenças entre as democracias atuais e a antiga democracia atenienses. Vimos, por exemplo; que em Atenas somente parte dos homens adultos constituía o grupo de cidadãos. isto é, tinha direito a participação da vida política.
        Hoje, numa sociedade democrática, a cidadania é uma condição a que tem direito todos os seus membros.
         outra grande diferença é que, em Atenas, a democracia era direta, ou seja, todo cidadão apresentava-se pessoalmente na Assembleia para votar sobre diferentes assuntos da vida pública.
        Na antiga democracia de Atenas a votação na Assembleia era precedida por um período de intensa discussão, nas lojas, nas tabernas,nas praças da cidade, nas mesas de jantares. 
Já a maioria dos sistemas democráticos atuais é representativa, ou seja, o cidadão elege os políticos (prefeitos, governadores, presidente, vereadores, deputados e senadores), para representá-lo nos diferente órgãos da administração pública.


Tema -2: Democracia e Escravidão


O Trabalho Escravo
Introdução 
Geralmente apontamos o lado positivo da civilização grega, destacando o desenvolvimento cultural, político e econômico. A Grécia Antiga é o berço da democracia, das Olimpíadas e da Filosofia. Porém, esta mesma sociedade, que gerou toda esta riqueza cultural, utilizou para diversos fins a mão-de-obra escrava.

Tornando-se um escravo
Na Grécia Antiga uma pessoa tornava-se escrava de diversas formas. A mais comum era através da captura em guerras. Várias cidades gregas transformavam o prisioneiro em escravo. Estes eram vendidos como mercadorias para famílias ou produtores rurais. Em Esparta, por exemplo, cidade voltada para as guerras, o número de escravos era tão grande que a lei permitia aos soldados em formação matarem os escravos nas ruas. Além de ser uma forma de treinar o futuro soldado, controlava o excesso de escravos na cidade (fator de risco de revoltas). 
Em algumas cidades-estado gregas havia a escravidão por dívidas. Ou seja, uma pessoa devia um valor para outra e, como não podia pagar, transformava-se em escrava do credor por um determinado tempo. Em Atenas, este tipo de escravidão foi extinto somente no século VI a.C, após as reformas sociais promovidas pelo legislador Sólon. 

O Trabalho Escravo
A mão-de-obra escrava era a base da economia da Grécia Antiga. Os trabalhos manuais, principalmente os pesados, eram rejeitados pelos cidadãos gregos. O grande filósofo grego Platão demonstrou esta visão: “É próprio de um homem bem-nascido desprezar o trabalho”. Logo, os cidadãos gregos valorizavam apenas as atividades intelectuais, artísticas e políticas. Os trabalhos nos campos, nas minas de minérios, nas olarias e na construção civil, por exemplo, eram executados por escravos. 

A mão-de-obra escrava também era muito utilizada no meio doméstico. Eles faziam os serviços de limpeza, preparavam a alimentação e até cuidavam dos filhos de seu proprietário. Estes escravos que atuavam dentro do lar possuíam uma condição de vida muito melhor que os outros.

Tema -3: Império de Alexandre

As conquistas de Alexandre
Alexandre, o Grande
Alexandre, o Grande nasceu em Pella, antiga capital da Macedónia em julho de 356 aC. Seus pais eram Filipe II da Macedônia e sua esposa Olímpia. Alexandre, o Grande foi educado pelo filósofo Aristóteles. Philip foi assassinado em 336 aC e Alexandre, o Grande herdou um poderoso reino ainda volátil.
Ele tratada rapidamente com os seus inimigos em casa e reafirmou o poder macedônio dentro Grécia. Ele então partiu para conquistar o enorme Império Persa. Contra todas as adversidades, ele levou seu exército para vitórias através dos territórios persas da Ásia Menor, Síria e Egito, sem sofrer uma única derrota.

Sua maior vitória foi na batalha de Gaugamela, no que é hoje o norte do Iraque, em 331 aC. O jovem rei da Macedônia, líder dos gregos, soberano da Ásia Menor e faraó do Egito se tornou “grande rei” da Pérsia com a idade de 25.
Alexandre, o Grande foi reconhecido como um gênio militar que sempre liderada por exemplo, apesar de sua crença em sua própria indestrutibilidade significava que ele era muitas vezes descuidado com sua própria vida e as de seus soldados. O fato de que seu exército só se recusou a segui-lo uma vez em 13 anos de um reinado durante o qual houve constantes lutas, indicando a lealdade que ele inspirava. Ele morreu de uma febre, na Babilônia, em Junho de 323 aC.
Alexandre aprendeu as mais variadas disciplinas: retórica, política, matemática, ciências físicas e naturais, medicina e geografia, ao mesmo tempo em que se interessava pela história grega e pela obra de autores como Eurípides e Píndaro. Também se distinguiu nas artes marciais e na doma de cavalos, de tal forma que em poucas horas dominou Bucéfalo, que viria a ser sua inseparável montaria.
O jovem príncipe também gostava particularmente os trabalhos de Homero. De fato, ele adorava tanto a Ilíada que adotou Aquiles como seu exemplo de vida. Apesar do apelido dado por causa da grandeza de suas conquistas, media apenas 1,52m.
Alexandre fundou Alexandria. Após a morte do conquistador, a cidade viria a converter-se num dos grandes focos culturais da antiguidade, pois ali foi criada a maior biblioteca do mundo fundada pelo general e amigo de Alexandre, Ptolomeu I. Essa biblioteca possuía milhares de exemplares, o que atraiu um grande número de pensadores e tornou-se um reduto de alquimista. Alexandre “o Grande” foi quem teria disseminado a alquimia durante suas conquistas aos povos Bizantinos e posteriormente aos Árabes. Depois de submeter a Mesopotâmia, Alexandre enfrentou novamente Dario na batalha de Gaugamela (331), cujo resultado determinou a queda definitiva da Pérsia em poder dos macedônios. Dario, que fugiu da batalha, como da vez anterior, foi assassinado pelos próprios persas ( 330). Em região remota e montanhosa, Persépolis era a sede do governo persa apenas na primavera. O império aquemznida era efetivamente administrado em Susa, na Babilônia, ou em Ecbatana. Isso explica por que os gregos não conheciam Persépolis até a invasão de Alexandre o Grande, que, no ano 330 a.C., incendiou o palácio de Xerxes, provavelmente isso ocorreu porque a cidade mergulhou numa profunda desordem com os saques realizados pelos seus comandados. Alexandre o Grande foi proclamado rei da Ásia e sucessor da dinastia persa. Seu processo de orientalização se acentuou com o uso do selo de Dario, da tiara persa e do cerimonial teocrático da corte oriental. A tendência a fusco das duas culturas gerou desconfianças entre seus lugares-tenentes macedônios e gregos, que temiam um excessivo afastamento dos ideais helênicos por parte de seu monarca. 

3º  Bimestre

Tema -1: Civilização Romana e as Imigrações Bárbaras

A Queda do Império Romano
Origem de Roma: Explicação Mitológica
        Os romanos explicavam a origem de sua cidade através do mito de Rômulo e Remo. Segundo a mitologia romana, os gêmeos foram jogados no rio Tibre na Itália. Resgatados por uma loba, que os amamentou, foram criados posteriormente por um casal de pastores, retornam a cidade natal de Alba Longa e ganham terras para fundar uma nova cidade que seria Roma. 

Origem de Roma - Explicação histórica: (Monarquia Romana - 753 a 509aC.)
         De acordo com historiadores, a fundação de Roma resulta da mistura de três povos que foram habitar a região da Península Itálica: gregos - etruscos - italiotas . 
        Desenvolveram na região uma economia baseada na agricultura e nas atividades pastoris. 
A Sociedade - era formada por patrícios (nobres proprietários de terras) e plebeus (comerciantes, artesãos e pequenos proprietários).
        O sistema político era a monarquia uma vez que a cidade era governada por um rei de origem patrícia.
Religião - era politeísta, adotando deuses semelhantes aos dos gregos, porém, com nomes diferentes.

República Romana (509 a 27 aC)
        Durante o período republicano, o Senado Romano ganhou grande poder político. Os senadores de origem patrícia, cuidavam das finanças públicas, da administração e da política externa.
        Em 367 aC. foi aprovada a Lei Licínia, que garantia a participação no Consulado (dois cônsules eram eleitos: uma patrício e um plebeu). Esta lei acabou com a escravidão por dividas (válida somente para cidadãos romanos

Formação e Expansão do Império Romano
        após dominar toda a Península Itálica, os romanos partiram para as conquistas de outros territórios. Com um exército bem preparado e muitos recursos.
        Após dominar Cartago, Roma ampliou suas conquistas, dominando a Grécia, o Egito, a Macedônia, a Gália, a Germania, a Trácia, a Síria e a Palestina.
        Com essas conquistas a vida e a estrutura de Roma passaram por significativas mudanças. O Império Romano passou a ser muito mais comercial do que agrário. Os povos conquistados foram escravizados ou passaram a pagar impostos para o Império Romano. 
        As províncias passaram a sustentar Roma com grandes arrecadações de recursos.

Problemas Sociais - com o crescimento urbano vieram também os problemas sociais para Roma. A escravidão gerou muito desemprego na zona rural, pois muitos camponeses perderam seus empregos.
        Esta massa de desempregados migrou para as cidades romanas em busca de empregos e melhores condições de vida. Com receio de que pudesse acontecer alguma revolta de desempregados,o imperador criou uma política do Pão e Circo. Esta política consistia em oferecer aos romanos alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revoltas.

 Crise e Decadência 
- por volta do século III, o Império Romano passava por uma enorme crise econômica e política. A corrupção do governo e os gastos com luxo retiraram recursos para os investimentos no Exército Romano. Com o fim das conquistas diminuíram o número de escravos, provocando queda na produção agrícola. Na mesma proporção caía o pagamento de tributos das províncias
        Com o exército enfraquecido, as fronteiras ficaram a cada dia mais desprotegidas. Muitos soldados, sem receber salários, deixavam suas obrigações militares.
Divisão do Império - no ano de 395, o imperador Teodósio resolveu dividir o Império em: Império Romano do Ocidente - com sua capital em Roma e o Império do Oriente (Império Bizantino) com sua capital em Constantinopla.
        Por volta de 476, chega ao fim o Império Romano do Ocidente, após a invasão de diversos povos "bárbaros", entre eles os Visigodos, Vândalos,Burgúndios, Suevos, Saxões, Ostrogodos, Hunos, etc. Era o fim da Antiguidade e o início de uma nova época chamada de Idade Média - Período Medieval.

Tema -2: Império Bizantino e o Mundo Árabe

Império Bizantino e o Mundo Árabe
Os Árabes e o Islamismo
   A Península arábica é uma região desértica, com poucas áreas propícias do estabelecimento de núcleos de povoamento permanente (oásis e áreas litorâneas). Seus primeiros habitantes foram tribos nômades do deserto, os beduínos.
        Por volta do século VI, mais de 300 tribos de origem semita (relativo ao judeu) habitavam a região incluindo as tribos urbanas que ocupavam a faixa costeira do Mar Vermelho e do Sul da Península - área que tinha melhores condições climáticas e maior fertilidade do solo. Essas tribos concentravam-se principalmente em Meca, sua principal cidade, e em Iatreb.
        A importância de Meca era decorrente de seu valo comercial e religioso, uma vez que lá se encontrava a Caaba, santuário em que se depositavam as imagens dos diversos ídolos representando os deuses das tribos árabes. A tribo dos coraixitas detinha grande poder e prestígio e controlava a cidade de Meca.
       Nascido em 570 e oriundo de uma família humilde da tribo coraixita, Maomé passou a difundir uma nova fé. Seus ensinamentos continham influências judaicas e cristãs e pregavam a existência de um deus único,  Alá. Depois da morte de Maomé, os fundamentos de sua crença - denominada islamismo - foram reunidos em um livro Sagrado, o Corão.
        Após a morte de Maomé, em 632, o esforço de expansão religiosa prosseguiu. Esse empenho é chamado no islamismo de jihad, que significa a dedicação, a luta por conseguir a fé perfeita em sua própria consciência e naqueles que ainda não conhecem. Também "guerra Santa contra os infiéis ou inimigos do islã. 

O Império Bizantino
        A cidade de Constantinopla (a antiga Bizâncio dos gregos, hoje (Istambul, na Turquia), capital do Império Bizantino, sempre praticou um comércio dinâmico e uma agricultura rentável. Por isso, foi menos atingida pela crise do escravismo, quando do expansionismo dos romanos se paralisou e, consequentemente, o número de prisioneiros de guerra se reduziu.
        Na ordem política, a autoridade máxima era o imperador, ao mesmo tempo chefe do Exército e da Igreja. Ele era auxiliado por uma vasta burocracia fundamental nas estruturas políticas imperiais.
      O mais famoso imperador bizantino foi Justiniano (527-565), responsável pela temporária reconquista de grande parte do Império Romano do Ocidente, incluindo a própria cidade de Roma. Seu maior legado foi a compilação das leis romanas desde o século II, o Corpus Juris Civis (frase em latim que significa em português, Corpo do Direito Civil), uma revisão e atualização do direito romano que serviu de base para os códigos civis de diversas nações na atualidade.
        Durante o governo de Justiniano foi construída a Catedral de Santa Sofia, monumento arquitetônico no estilo bizantino, com suas abobadas e mosaicos voltados para expressão da fé cristã. 
      Ao auge do governo Justiniano, no século VI, seguiu-se um longo período de declínio com alguns intervalos de recuperação, culminando na desagregação do Império Bizantino em 1453, quando os turcos-otomanos tomaram Constantinopla. 
      No Império Bizantino predominava o cristianismo, embora com as características diferentes das que teve na parte ocidental do império. A Igreja funcionava em estreita ligação com o poder imperial, cabendo ao imperador, por exemplo, a ser o principal chefe da igreja - cesaropapismo - diferentemente do que ocorria no Ocidente. Além disso, os religiosos de Constantinopla não se submetiam ao poder do papa. 

Tema -3: Os Francos e o Império de Carlos Magno
Os Francos
        Durante o século V, as tribos dos francos, com o processo de invasão do Império Romano do Ocidente, passaram a ocupar o norte da Gália. No governo de Clóvis em 494, os exércitos reais empreenderam uma investida militar contra os visigodos que assegurou o domínio sobre a região gaulesa.          No decorrer dos governos francos, os reis empreenderam uma sólida associação com a Igreja Católica. Durante diversas dinastias, a Igreja e os nobres receberam terras como recompensa da aprovação religiosa e apoio militar.
        Ao longo do século VII, os vários reis que assumiram o trono não conseguiram assegurar a unidade dos territórios. Conhecidos como "reis indolentes" tais autoridades passaram a conceder poderes políticos a um grupo de funcionários públicos conhecidos como major domus ou prefeito do palácio. O mais conhecido deles foi Carlos Martel, que no ano de 732 liderou os francos na chamada Batalha de Poitiers, que impediu a expansão árabe rumo à Europa Central. 

Batalha de Poitiers 
Com a conquista, Carlos abriu as portas para que seu filho, Pepino, o Breve, garantisse a condição de rei dos francos. Apoiado pela Igreja, Pepino empreendeu a conquista sob os territórios da Península Itálica, que posteriormente teve parte de suas terras doadas ao alto clero. Dominada diretamente pela Santa Sé, essa região ganhou o nome de Patrimônio de São Pedro, Carlos Magno, filho de Pepino, sucedeu seu pai no ano de 768. 
        Na década de 770, Carlos Magno subjugou os lombardos e saxões, obrigando-os a se converterem ao cristianismo. Anos mais tarde empreendeu campanhas no Leste Europeu, dominando uma parcela dos povos eslavos. Estreitando laços com a Igreja, o chamando Império Carolíngio vislumbrou a disseminação dos cristianismo da Europa e restringiu o avanço da Igreja Bizantino. No ano de 800, o papa Leão III nomeou Carlos Magno imperador na Cidade de Roma
        Para manter a unidade de seus territórios, foi necessário que ele distribuísse aos diversos integrantes do clero e da nobreza. Ao conseguirem a posse dos condados e das marcas (tipos diferentes de possessão de terra), esses grupos sociais estabeleciam um sólido laço de fidelidade com a autoridade de Carlos Magno. Além disso, o imperador criou um grupo de fiscais, chamados de missi dominici (emissários do senhor) que eram obrigados a fiscalizar os territórios reais. Para regimentar suas terras Carlos Magno ainda ciou as capitulares, primeiro conjunto de Leis do mundo medieval. 
        Carlos Magno, em 814, todo apogeu do Império Carolíngio foi posto a prova. Após o governo de Luís Piedoso filho de Carlos Magno, os territórios foram alvos da disputa de seus três filhos.
         Depois de intensas disputas, o Tratado de Verdun (843) fixou a divisão do império em três novos reinos. Carlos, o Calvo, tornou-se o rei da França Ocidental; Luís, o Germânico, deteve o controle sobre a França Oriental; e Lotário tornou-se rei da França Central. Com essa divisão, o poderio militar dos francos não conseguiu fazer frente á invasão dos normandos, magiares e árabes.
        Nesse processo, outros nobres ganharam prestígios mediante seu sucesso militar. Em 987, Hugo Capeto controlou a região da França Ocidental. Com sua ascensão teve início a chamada dinastia capetíngia. Na porção oriental, os duques da Françônia, da Saxônia, da Baviera e da Suábia tomaram conta da região fundando o Reino, Germânico.
        A queda do Império Carolíngio deu fim ao reino dos francos, que foi substituído pelo poder político dos nobres proprietários de terras.


Texto: Rainer Sousa 


Tema -4: Sociedade Feudal

Sociedade Feudal

Introdução
            No estudo da sociedade medieval, comumente fazemos uma distinção inspirada nos dizeres de um bispo do século XI, que assim dizia: “...uns rezam, outros combatem e outros trabalham.”. Porém, ao estudarmos a sociedade medieval podemos levantar uma dinâmica de grupos sociais que nos mostram, na verdade, uma outra série de grupos que circulavam no interior dos feudos. Portanto, podemos vislumbrar algo para além do clero, dos nobres e dos servos.
            O clero tinha grande importância no interior dos feudos nessa época. Sendo a única classe letrada do período, a Igreja tinha grande influência nos costumes e formas de agir do mundo medieval. Os clérigos eram divididos entre alto e baixo clero. O primeiro era composto por bispos, abades e cônegos que influenciavam fortemente as decisões políticas dos reis e senhores feudais. O baixo clero era composto por padres e monges que cuidavam diretamente da vivência religiosa das populações feudais ou viviam enclausurados em mosteiros.
            Os nobres eram representados pela figura do senhor feudal. Detentor de terras, o senhor feudal tinha autoridade dentro de suas posses. Devido o direito do primogênito, muitos dos filhos dos senhores feudais acabavam ocupando outras funções. Boa parte deles formava a classe dos cavaleiros, designados para garantir a proteção militar do feudo. Em outros casos, um nobre poderia se ocupar da administração das terras de um feudo ou voltava-se para a vida religiosa, ocupando algum tipo de cargo clerical. Esse tipo de prática viria a mesclar as origens das ordens clericais e nobiliárquicas.
            Em alguns casos um nobre detentor de um extenso número de terras poderia conceder parte delas para um outro nobre. Na chamada cerimônia de homenagem o nobre proprietário de terras (susserano) concedia parte de suas terras ou algum tipo de privilégio econômico a outro nobre (vassalo). Em troca, o vassalo prometia oferecer auxílio militar para a proteção das propriedades pertencentes ao seu senhor. O chamado contrato feudo-vassálico acontecia apenas entre indivíduos pertencentes à nobreza.
            Ocupando classes intermediárias na sociedade feudal, havia os vilões e ministeriais. Os vilões era uma classe de homens livres que não tinham a obrigação de estarem presos ao trabalho nas terras. Em geral, prestavam pequenos serviços para o senhor feudal e poderiam se mudar para outro feudo a hora que bem entendessem. Os ministeriais exerciam funções administrativas e, em alguns casos, podiam ascender socialmente ocupando o cargo de cavaleiro.
            A classe servil era composta por camponeses destinados a trabalharem nas terras cultiváveis do feudo. Entre suas obrigações para com um senhor feudal, um servo deveria trabalhar compulsoriamente nas terras do senhor feudal (corvéia) e pagar as exigências feudais (redevances) que constituíam em um conjunto de impostos cobrados pelo senhor das terras. Entre outras exigências, senhor feudal poderia requerer parte da produção agrícola do servo (talha), cobrar um imposto pelo número de servos presentes no feudo (capitação), cobrar pelo uso das instalações e ferramentas do feudo (banalidades), entre outras cobranças.
            Sendo uma sociedade de caráter separada em estamentos, a sociedade feudal ficou marcada por sua extrema rigidez social. Em geral, um indivíduo nascia e morria pertencendo a um mesmo extrato da sociedade. Somente com as transformações do século XI e XII que as primeiras transformações apareceriam no interior desse tipo de organização social.
Por Rainer Sousa 
Características do Feudalismo
            Na Baixa Idade Média, a sociedade feudal era essencialmente agrária, portanto a terra era a maior riqueza que alguém poderia possuir, ou seja, a terra foi a base econômica do sistema feudal. Em relação aos aspectos políticos, o monarca era a autoridade máxima e absoluta; no entanto, os senhores feudais detinham o poder militar, o judicial e o direito de cunhar suas próprias moedas, assim o monarca passou a ser apenas uma figura simbólica.
            A sociedade feudal era composta por uma organização social bem delimitada: o clero exercia as funções religiosas, os nobres exerciam as funções militares e os servos produziam os meios de subsistência e pagavam os tributos. A servidão foi uma forma muito peculiar do sistema da sociedade feudal; o servo era um camponês que recebia a terra para sua exploração, mas não era o dono dela.
            Nesse sentido, o servo ficava preso ao senhor feudal, devendo-lhe fidelidade, obediência e obrigações pessoais, bem como o pagamento de diferentes impostos. Os servos poderiam ser ex-escravos, camponeses ou demais homens livres que recebiam casa e terra para cultivar. Esses servos eram submetidos espontaneamente ou não ao poder dos grandes senhores.
            Nesse contexto, a Igreja, além de possuir uma grande quantidade de feudos e consequentemente de ser a maior proprietária de terras, foi a responsável pela difusão de valores culturais e religiosos da Idade Média. Dessa forma, direcionou e controlou por um longo tempo a mentalidade do homem medieval.


Por Lilian Aguiar 
Transformações na Sociedade Feudal 
            Depois do auge do sistema feudal, a Europa, a partir do século XI, observou uma série de transformações que marcaram a chamada Baixa Idade Média. Uma das primeiras mudanças ocorridas esteve ligada com o aumento da produção agrícola, que graças ao incremento de novas técnicas, permitiu uma maior circulação de mercadorias pela Europa. Novas rotas terrestres e marítimas se instalaram chegando a integrar a Europa a outras regiões do Oriente.
            Entre os principais centros comerciais desta época destacavam-se as cidades italianas de Veneza e Gênova. A posição privilegiada destas duas regiões permitiu que a Península Itálica, ao longo do tempo, se transformasse em um entreposto entre as cidades comerciais do Oriente e do Ocidente. Ao mesmo tempo em que o comércio se desenvolvia, as ambições da classe mercante medieval veio a buscar o domínio de novas rotas dominadas pelos árabes e judeus.
            Além de contar com o controle de rotas comerciais, os árabes representavam uma ameaça à hegemonia da Igreja Cristã. Assim como no cristianismo, a fé muçulmana, praticada pelos árabes, pregava a expansão de suas crenças por meio de constantes investidas militares. Dessa forma, os líderes da Igreja incentivaram a criação de expedições militares que combatessem a expansão muçulmana na Europa. Convocando fiéis e buscando o apoio da classe nobiliárquica, formaram-se exércitos que lutaram pela Igreja.
            Utilizando em suas bandeiras e vestes o símbolo da cruz, esses combatentes ficaram conhecidos como cruzados. Ao longo dos séculos XI e XIII várias cruzadas partiram rumo ao Oriente. Algumas das cruzadas contaram com o apoio financeiro dos comerciantes italianos, que viam nessas lutas uma grande oportunidade de controle sobre rotas e feiras comerciais anteriormente dominadas por árabes e judeus. Sendo assim, a cada vitória dos exércitos católicos, novas terras e rotas de comércio eram monopolizadas pelos europeus.
            O incremento da produção agrícola, além de ampliar o comércio, também fez com que as populações medievais aumentassem. Os feudos, não mais suportando uma densidade populacional em plena ascensão, perderam muitos dos seus integrantes para as novas cidades medievais. A Idade Média, sendo um período marcado pelo medo dos infortúnios, concebeu cidades muradas, e protegidas com altas torres e pontes movediças.
            A expansão comercial e demográfica ampliou as cidades medievais para fora dos limites dos muros. O crescimento do comércio fez com que o eixo das principais atividades econômicas fosse deslocado do campo para as cidades. Os muros que protegiam as cidades e burgos perderam sua importância com a criação das fronteiras nacionais criadas com a ascensão da autoridade monárquica, marcando a transição da Idade Média para a Idade Moderna.
Por Rainer Sousa


4º  Bimestre

Tema -1: Renascimento Comercial, Urbano e Formação das Monarquias Nacionais

Renascimento

    O Renascimento foi o primeiro grande movimento artístico, científico, literário e filosófico da modernidade.

O que foi o Renascimento?
Introdução
            O Renascimento foi um importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou na passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores apregoados pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo conjunto de temas e interesses aos meios científicos e culturais de sua época. Ao contrário do que possa parecer, o renascimento não pode ser visto como uma radical ruptura com o mundo medieval.

Características do Renascimento
            A razão, de acordo com o pensamento da Renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus.         Ao exercer sua capacidade de questionar o mundo, o homem simplesmente dava vazão a um dom concedido por Deus (neoplatonismo). Outro aspecto fundamental das obras renascentistas era o privilégio dado às ações humanas, ou humanismo. Tal característica representava-se na reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da Antiguidade Clássica ou Classicismo.

Relação com a burguesia e o individualismo
            Essa valorização das ações humanas abriu um diálogo com a burguesia, que floresceu desde a Baixa Idade Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu ímpeto individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de transformação privilegiado pelo Renascimento. Ainda é interessante ressaltar que muitos burgueses, ao entusiasmarem-se com as temáticas do Renascimento, financiavam muitos artistas e cientistas surgidos entre os séculos XIV e XVI. Além disso, podemos ainda destacar a busca por prazeres (hedonismo) como outro aspecto fundamental que colocava o individualismo da modernidade em voga.

As cidades italianas e o mecenato
            A aproximação do Renascimento com a burguesia foi claramente percebida no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Gênova, Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio, onde a intensa circulação de riquezas e ideias promoveu a ascensão de uma notória classe artística italiana. Até mesmo algumas famílias comerciantes da época, como os Médici e os Sforza, realizaram o mecenato, ou seja, o patrocínio às obras e estudos renascentistas. A profissionalização desses renascentistas foi responsável por um conjunto extenso de obras que acabou dividindo o movimento em três períodos: o Trecento, o Quatrocento e Cinquecento.Cada período abrangia respectivamente uma parte do período que vai do século XIV ao XVI.

Períodos do Renascimento
            Durante o Trecento, podemos destacar o legado literário de Petrarca (“De África” e “Odes a Laura”) e Dante Alighieri (“Divina Comédia”), bem como as pinturas de Giotto di Bondoni (“O beijo de Judas”, “Juízo Final”, “A lamentação” e “Lamento ante Cristo Morto”). Já no Quatrocento, com representantes dentro e fora da Itália, o Renascimento contou com a obra artística do italiano Leonardo da Vinci (Mona Lisa) e as críticas ácidas do escritor holandês Erasmo de Roterdã (Elogio à Loucura).
            Na fase final do Renascimento, o Cinquecento ganhou grandes proporções, dominando várias regiões do continente europeu. Em Portugal, podemos destacar a literatura de Gil Vicente (Auto da Barca do Inferno) e Luís de Camões (Os Lusíadas). Na Alemanha, os quadros de Albrercht Dürer (“Adão e Eva” e “Melancolia”) e Hans Holbein (“Cristo morto” e “A virgem do burgomestre Meyer”).      A literatura francesa teve como seu grande representante François Rabelais (“Gargântua e Pantagruel”). No campo científico, devemos destacar o rebuliço da teoria heliocêntrica defendida pelos estudiosos Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Giordano Bruno. Tal concepção abalou o monopólio dos saberes, até então controlados pela Igreja.

Impacto do Renascimento
            Ao abrir o mundo à intervenção do homem, o Renascimento sugeriu uma mudança da posição a ser ocupada pelo homem no mundo. Ao longo dos séculos posteriores ao Renascimento, os valores por ele empreendidos vigoraram ainda por diversos campos da arte, da cultura e da ciência.Graças a essa preocupação em revelar o mundo, o Renascimento suscitou valores e questões que se fizeram presentes em outros movimentos concebidos ao longo da história ocidental.


Por Rainer Sousa

Tema -2: Expansão Europeia nos Séculos XV e XVI

Expansão Marítima Europeia
            A Expansão Marítima Europeia foi um dos maiores feitos realizados pela humanidade, a superação dos perigos reais e imaginários e a transposição dos oceanos promoveram a partir do século XV, uma intensa globalização.

            A partir do século XV, sob a liderança de portugueses e espanhóis, os europeus começam um processo de intensa globalização, a chamada Expansão Marítima. Este fato também ficou conhecido como as Grandes Navegações e tinha como principais objetivos: a obtenção de riquezas (atividades comerciais) tanto pela exploração da terra (minerais e vegetais) quanto pela submissão de outros seres humanos ao trabalho escravo (indígenas e africanos), pela pretensão de expansão territorial, pela difusão do cristianismo (catolicismo) para outras civilizações e também pelo desejo de aventura e pela tentativa de superar os perigos do mar (real e imaginário).
            Sendo assim, preconizaremos nossa análise no desejo de aventura e superação dos perigos do mar. Será que no momento das Grandes Navegações os europeus acreditavam realmente que o planeta Terra tinha o formato de um quadrado? E que nos mares existiam monstros tenebrosos?
Sempre que lemos textos sobre a Expansão Marítima Europeia é comum encontrarmos referências aos perigos dos mares, a inexperiência e inexatidão dos navegadores, esses textos nos dão a impressão de que os europeus não tinham nenhum aparato técnico e tecnológico para a época, e parece-nos que quando iriam lançar-se ao mar, estariam caminhando na escuridão, sem visão e sem destino. Quem nunca ouviu dizer ou leu sobre a chegada dos portugueses ao território do atual Brasil, que esses queriam ir às Índias e se perderam e acabaram chegando à América! Então, chegaram aqui por acaso?
            Primeiramente devemos pensar como essas ideias (terra quadrada, mar tenebroso, monstros, zonas tórridas) foram surgindo no pensamento e mentalidade dos europeus no século XV. Desde a Idade Média a Igreja Católica era detentora de enormes poderes políticos e espirituais (religioso).            Portanto, a Igreja disseminava teorias sobre as coisas naturais, humanas e espirituais para exercer prontamente o seu poder. Geralmente, aqueles que contrariavam as teorias Teocêntricas da Igreja sofriam sérias perseguições. Além do mais, o catolicismo exercia a proibição e a censura de certos livros, principalmente dos filósofos da antiguidade clássica (Platão, Aristóteles, Sócrates).
Esta situação somente começou a mudar com o advento do renascimento urbano e comercial. Permitindo outras possibilidades de leituras do mundo, das coisas naturais, humanas e espirituais. Sendo assim, o infante português D. Henrique iniciou em Sagres (Sul de Portugal) um local de estudos que reuniu navegadores, cartógrafos, cosmógrafos e outras pessoas curiosas pelas viagens marítimas.
            Este local de estudos ficou conhecido como Escola de Sagres, nesta escola desenvolveram novos estudos sobre técnicas de navegação, aperfeiçoaram a bússola, o astrolábio (ferramentas de orientação geográfica), produziram constantes mapas das rotas pelos oceanos e criaram novos tipos de embarcação, por exemplo, as caravelas, mais leves e movidas por velas latinas de formato triangular, que facilitavam as manobras em alto mar e propiciavam percorrer maiores distâncias.
As diferenças são nítidas entre o acaso de navegar e a precisão nas navegações, se analisarmos mapas feitos anteriormente à Escola de Sagres, percebemos nestes a presença de monstros nas ilustrações dos oceanos como obstáculos dos navegadores, outro aspecto importante nestes mapas era a presença de anjos desenhados no céu, representando a proteção aos navegadores, como se esses anjos estivessem protegendo as embarcações.
            Além de superar os perigos reais (as tempestades, as danificações nas embarcações, as doenças, a fome e a sede), os navegadores, pela mentalidade medieval, ainda tinham que superar os medos imaginários (os monstros marinhos, a zona tórrida, a dimensão plana do planeta, quanto mais navegavam mais próximos estariam do abismo). Acreditamos que a presença dos medos imaginários existiu, mas as inovações técnicas e tecnológicas (Escola de Sagres) propiciaram outro “olhar” para as navegações, permitindo a Expansão Marítima Europeia.  
A difusão da ideia da chegada ao continente americano por parte dos portugueses não passa de um possível enaltecimento dos feitos lusitanos, que teriam enfrentado o mar tenebroso e heroicamente encontrou o “Novo Mundo”. Sobre a desconstrução do acaso (se perderam e chegaram a América), temos relatos que comprovam que outros navegadores chegaram antes de Pedro Álvares Cabral (abril de 1500), forma eles: o italiano Américo Vespúcio (1499), o espanhol Vicente Pinzón (1499), e Diego de Lepe (janeiro de 1500), mas não tomaram posse da terra.
            Portanto, se outros navegantes passaram pelo litoral do atual Brasil antes da esquadra de Cabral, possivelmente eles saberiam o trajeto para chegar. Nos relatos dos tripulantes, não há referência a tempestades e turbulências no mar; pois mesmo se estivessem perdidos no mar a bússola e o astrolábio (tecnologia da época) orientariam os navegadores geograficamente, e com certeza saberiam a posição que se encontravam.


Leandro Carvalho 


Tema -3: Sociedades Africanas das Região Subsaariana até o Século XV

África Pré-Colonial
      A grande maioria das populações africanas empregadas como mão-de-obra escrava no empreendimento colonial americano foi trazida de regiões da África Subsaariana. Compreendendo uma extensão que vai do Senegal até a Angola, diversas populações subsaarianas, pertencentes ao tronco lingüístico banto, se fixaram ao longo das regiões de savana formando diferentes culturas. As aldeias ali formadas surgiam em terrenos onde a caça e a agricultura se mostravam mais viáveis.
            Esse tempo em que as aldeias se formaram foi marcado por diferentes deslocamentos populacionais motivados por conflitos tribais, desastres naturais ou crescimento demográfico. Ao longo de sua história, diversas tribos passaram a entrar em contato e, posteriormente, formaram pequenos Estados. Essa primeira experiência política mais complexa possibilitou o desenvolvimento de um articulado comércio de gêneros agropecuários.
            As condições hostis dessa região acabaram sendo propulsoras de uma série de práticas que marcaram os costumes destes povos africanos. As doenças e intempéries climáticas faziam com que a capacidade de manter uma prole extensa fosse extremamente valorizada. A virilidade sexual era compreendida como um dado que distinguia socialmente os indivíduos. A título de exemplo, observa-se a grande recorrência de esculturas representando a figura de mulheres grávidas.
            De forma geral, a economia se organizava em torno da posse coletiva das terras. Um chefe tribal ordenava a distribuição de lotes de terra mediante o pagamento de uma determinada tributação. A divisão de tarefas no trabalho agrícola contava com a participação de homens e mulheres. As famílias agregavam uma ampla extensão de indivíduos que englobava filhos, esposas, parentes mais pobres, agregados e escravos. A prática da escravidão nessas culturas contava com uma complexa organização.
            Os escravos mais prestigiados eram utilizados para os combates militares entre as tribos rivais. Outra parcela de escravos trabalhava junto aos camponeses e acabavam sendo incorporados ao ambiente familiar. Alguns escravos chegavam a desfrutar de alguns privilégios e poderiam até mesmo ter algum tipo de posse. A inserção social de escravo só não acontecia na livre escolha de uma esposa ou na participação das questões políticas.
            As práticas religiosas destas tribos africanas contavam com uma grande variabilidade de crenças. Um exemplo dessa questão pode ser claramente observado nas concepções que regiam a relação dos indivíduos com a natureza. Em algumas culturas, as manifestações naturais eram temidas e vistas como uma conseqüência direta do comportamento dos deuses. Dessa forma, diversos rituais eram desenvolvidos com o propósito de apascentar tais forças. Em outras culturas, animais eram compreendidos como representantes de determinadas virtudes e características.
            A partir do processo de expansão marítima empreendido pelas nações européias e o desenvolvimento do tráfico negreiro, diversas dessas culturas foram profundamente transformadas. No ambiente colonial, várias das tradições foram reinterpretadas à luz das demais culturas que conviviam no continente americano. Contudo, as poucas características aqui levantadas sobre as culturas africanas, demonstram a existência de todo um modo de vida rico e diverso, estabelecido antes do contato com o “europeu civilizado”.

Por Rainer Sousa Graduado em História

Tema -4: A Vida na América antes da Conquista Europeia


Mochicas

Introdução
       No estudo das civilizações pré-colombianas, os livros didáticos e os conteúdos repassados em sala de aula privilegiam a clássica tríade das civilizações asteca, maia e inca. No entanto, não podemos acreditar que o estudo das civilizações surgidas no continente americano resumiu-se ao conhecimento desses únicos três povos. Antes dessas “grandes” civilizações outros povos instituíram civilizações complexas que chegaram, até mesmo, a influenciar os povos usualmente estudados.
            Esse seria o caso dos mochicas. Vivendo na região do altiplano andino, na atual região norte do Peru, esse povo instituiu um estado que se estabeleceu entre os séculos I e VIII da era cristã. Dotados de uma intensa atividade agrícola conseguiram extrair a riqueza natural da região e ampliar o número de terras cultiváveis por meio de um engenhoso sistema de aquedutos. Além de serem hábeis agricultores, também deixaram uma gama de vestígios que demonstram sua destreza no trabalho com a cerâmica e os metais preciosos.
            No decorrer de sua história os mochicas desenvolveram uma série de cidades distribuídas entre os vales de Moche e Chicana, no Peru, estendendo às regiões dos Andes e do Pacífico. Calcados em uma intensa tradição religiosa, os mochicas formaram um Estado controlado por uma classe sacerdotal. Valendo-se de seu convívio próximo com as divindades, esses sacerdotes predominaram no cenário político mochica formando uma confederação entre as diversas cidades-Estado da região.
            Entre as grandes construções do povo mochica podemos dar destaque aos seus aquedutos capazes de fornecer água para regiões longínquas. Outro grande legado arquitetônico é o Templo do Sol, que contou com uma construção feita com mais de 50 milhões de tijolos. Contando com grande habilidade no manuseio do adobe, dos metais, os mochicas também criaram uma impressionante cultura material repleta de instrumentos, estatuetas e adornos.
            A causa do desaparecimento dessa civilização está intimamente ligada às alterações climática da região. Fenômenos até hoje conhecidos, como o El Nino, criaram períodos de extrema seca seguidos por sucessivas enchentes. A instabilidade climática foi a maior responsável pelo desaparecimento dessa civilização que, no século VIII, teve seus centros urbanos abandonados.

Por Rainer Sousa Graduado em História.



Tema - 5: As Sociedades - Maia, Inca e Asteca

Maias

Introdução 
            Habitando a região sul da Península do Yucatán, os maias começaram a formar sua civilização por volta de 700 a.C.. Contando com a influência de outros povos meso-americanos, os maias formaram uma das mais ricas civilizações pré-colombianas de que se tem registro. Espalhando-se ao longo das regiões vizinhas, a sociedade maia iniciou a expansão de seu povo criando uma série de cidades distribuídas pelo fértil Vale do Yucatán.
            No século III, o povo maia já se encontrava distribuído entre as regiões de floresta onde hoje se encontra a Guatemala e Honduras. Desprovidos de instituições políticas centralizadas, os maias organizavam governos autônomos em cada uma das cidades-Estado fixadas no território. Esse período de expansão territorial e urbano, conhecido como período Clássico, encerrou-se no século X, quando uma inexplicável diáspora esvaziou os centros urbanos da cultura maia.
            Nesse período, os toltecas subjugaram o povo maia através do controle de parte de suas cidades. Somente no final do século X, a união de algumas cidades maias empreendeu o renascimento da civilização. Através da Liga de Mayapán, formada pelas cidades de Chiclen Itzá e Uxmal, a civilização maia voltou a controlar os territórios da Península do Yucatán.
            Durante o século XV, uma série de guerras entre as cidades-Estado foram responsáveis pelo enfraquecimento da civilização maia. Mesmo não sabendo precisamente os motivos para tal enfraquecimento, alguns estudiosos ainda apontam que uma sucessão de secas e grandes desastres naturais decretou o esgotamento da civilização maia. Em 1511, quando os espanhóis chegaram à região, encontraram um povo em total desolação. A partir do contato com os europeus, uma série de epidemias foi responsável pela extinção dos maias.
Por Rainer Sousa Graduado em História

Astecas
         Os astecas foram um dos chamados povos pré-colombianos, isto é, que se desenvolveram no continente americano antes da chegada de Cristóvão Colombo.
            A História da América é composta pelo encontro, enfrentamento, conquista e articulação de vários povos, sobretudo europeus, africanos e os nativos do continente americano. Entre esses últimos (também denominados de civilizações pré-colombianas), os que desenvolveram um complexo civilizacional mais impressionante e sofisticado foram os astecas, os maias e os incas. No que se refere à civilização asteca, várias características podem ser apontadas.
            A região do continente americano em que se desenvolveu a civilização asteca chama-se Mesoamérica e abrangia parte do atual México e a Península de Yucatã, onde se encontra a atual Guatemala. Na virada do século XV para o século XVI, época em que os espanhóis deram início ao reconhecimento e colonização do novo continente, o império asteca contava com cerca de 200 mil quilômetros quadrados de domínio e cerca de cinco milhões de habitantes distribuídos pela extensão do reino.
            A origem dos astecas remonta à formação dos antigos povos “mexicas”, como os olmecas, que deram a base cultural e política para o seu desenvolvimento. O centro do império era a cidade de Tenochtitlán, que, à época da chegada dos europeus, contava com uma concentração populacional de mais de 200 mil habitantes, fato que impressionou bastante os europeus. A civilização asteca, de certa forma, orientou toda a sua organização a partir da fundação de Tenochtitlán.
            Há um mito fundador dessa cidade que narra a história de Tenoch, sacerdote e rei dos astecas, que teria guiado a população para uma ilha no lago de Texcoco e lá encontraram uma águia comendo uma serpente. Nesse local, foi construído um centro sacerdotal em homenagem a Tenoch. Nesse centro surgiu a cidade. O símbolo da serpente e da águia foi encarado pelos astecas como presságio para o seu desenvolvimento, para a construção do “Império do Sol”. Tal símbolo ainda é muito forte na cultura mexicana, estando presente inclusive em sua bandeira.
            Dentre os aspectos econômicos, sociais e políticos da civilização asteca, destacou-se o modelo da monarquia teocrática e militar. O chefe político, chamado Tlaltecuhtli, era a um só tempo guerreiro e sacerdote, tendo que cumprir ambas as funções. O Tlaltecuhtli ficava encarregado de manter a hegemonia sobre as outras cidades-estado astecas por meio da imposição militar. Além disso, a cidade de Tenochtitlán apresentava uma divisão administrava quadripartite. Cada uma das quatro partes, chamadas calpulli, possuíam funções como organização do trabalho agrícola, tributação, atividades religiosas, educação e recrutamento de guerreiros.
            Essa forma de organização garantia a unidade social do império. Além disso, os astecas desenvolveram um complexo sistema de irrigação para abastecer suas plantações e suprir o consumo das pessoas. A sociedade asteca era estratificada, isto é, dividida em camadas, com organização hierárquica. Sendo assim, havia uma nobreza militar e um grupo de sacerdotes, associado à figura do rei, que ocupavam o topo da pirâmide social. Abaixo deles se seguiam os comerciantes e artesãos; após esses últimos, seguiam-se os escravos, camponeses e prisioneiros de guerras, que eram sacrificados aos deuses.
            Em se tratando de sacrifícios humanos, os astecas (assim como os maias e os incas) possuíam grandes contingentes de prisioneiros que eram mortos (geralmente estripados, tendo os corações arrancados) nas pirâmides de cidades sagradas, como Teotihuacán (ver imagem), dedicada ao deus Sol. A prática do sacrifício humano está entre os principais aspectos religiosos e culturais dos astecas. A criação do calendário intitulado Pedra do Sol, que era inspirado no modelo maia, também figura entre as características culturais mais importantes.


Por Me. Cláudio Fernandes

Incas
            Situado em uma área compreendendo as regiões da Argentina, Chile, Bolívia, Equador e Peru, o Império Inca compôs uma grande civilização que chegou a ter quinze milhões de integrantes. Segundo alguns estudos, os incas atingiram essa marca impressionante no curto prazo de duas décadas. Composta majoritariamente por índios da etnia quíchua, a civilização inca se formou inicialmente em torno da região da cidade peruana de Cuzco.
            Ao contrário do que muitos pensam, o termo inca não era utilizado pelos integrantes do império para se definirem como pertencentes a tal povo. A expressão inca era exclusivamente empregada por uma elite que dominava politicamente o território. Para a grande parte da população, o termo inca – que na língua quícha significa “filho do sol” – só era empregado para designar o imperador.
Para formarem tão vasto império, os incas contaram com a confluência de vários povos que anteriormente ocuparam toda essa região. A organização do governo imperial se deu a partir de uma série de vitórias militares capaz de subjulgar outros povos. O imperador inca era considerado um descendente do sol e, mediante essa condição divina, era o grande responsável pela criação das leis.
            Para sustentar a elite do Estado, o governo inca contava com a produção agrícola dos ayllus, comunidades camponesas espalhadas por todo o território. Sendo o território andino marcado por vários acidentes geográficos, os incas tiveram que construir uma extensa malha de estradas com mais de quinze mil quilômetros. Além de escoar a produção agrícola, tais estradas foram de grande importância para o comércio e o trânsito de informações.
            A ruína dos incas aconteceu no século XVI, com a chegada dos espanhóis ao continente americano. Um dos colonizadores que tiveram grande papel nesse processo de dominação dos incas foi Francisco Pizarro. Ao entrar em contato com os incas, Pizarro estabeleceu uma série de alianças militares com povos locais que rivalizavam com o império. Iniciado em 1532, o processo de conquista se encerrou em 1572 com a prisão e morte de Tupac Amaru, o último imperador inca.



Por Rainer Gonçalves Sousa 


Nenhum comentário:

Postar um comentário