Exposição de Temas

terça-feira, 18 de julho de 2017

Planejamento das aulas dos 8 Anos A - B e C

PLANO DE AULAS PARA OS 8 ANOS A - B e C


1º Bimestre

Tema-1
O Iluminismo
A história do Iluminismo, o pensamento no século das luzes, critica o absolutismo, os principais pensadores e filósofos são: Montesquieu, Voltaire, John Locke, Diderot, Rousseau e D'alembert.
        Este movimento surgiu na França no século XVII e defendia o domínio da razão sobre a visão teocêntrica que dominava a Europa desde a Idade Média. Segundo os filósofos iluministas, esta forma de pensamento tinha o propósito de iluminar as trevas em que se encontrava a sociedade.

Os ideais Iluministas
    Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem. O homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que até então, eram justificadas pela fé. 

Século das Luzes
O apogeu deste movimento foi no século XVIII, e, este, passou a ser conhecido como o "Século das Luzes". O iluminismo foi mais intenso na França, onde influenciou a Revolução Francesa através de seu lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Também teve influência em outros movimentos sociais como a independências das 13 colônias  inglesas na América do Norte e na inconfidência mineira ocorrida no Brasil. 
     Para os filósofos iluministas, o homem era naturalmente bom, porém, era corrompido pela sociedade com ao passar do tempo. Eles acreditavam que se todos fizessem parte de uma sociedade justa, com direitos iguais a todos, a felicidade comum seria alcançada. Por esta razão eles eram contras as imposições de caráter religiosos, contra as práticas mercantilistas, contrários ao absolutismo do rei, além dos privilégios dados a nobreza e ao clero.
        Os burgueses foram os principais interessados nesta filosofia, pois apesar do dinheiro que possuíam, eles não tinham poder em questões políticas devido a sua forma de participação limitada.  Naquele período, os Antigo Regime ainda vigorava na França, e, nesta forma de governo, o rei detinha todos os poderes. Outra forma de impedimento dos burgueses eram as praticas mercantilistas, onde, o governo interferia ainda nas questões econômicas.
        No Antigo Regime a sociedade era dividida da seguinte forma: Em primeiro lugar vinha o Clero, em segundo lugar a Nobreza, em terceiro lugar a Burguesia e os Trabalhadores da cidade e do campo. Com o fim deste poder, os burgueses tiveram liberdade comercial para ampliar significativamente seus negócios, uma que que com o fim do absolutismo, foram tirados não só os privilégios de poucos (clero e a nobreza), como também, as práticas mercantilistas que imediam a expansão comercial para a classe burguesa. 

Pesquisas a serem  realizadas.

           1- John Locke - 1632 - 1704
2- Voltaire  - 1694 - 1778 
3- Rousseau - 1712 - 1778
4- Montesquieu  1689 - 1755
5- Denis Diderot - 1713 - 1784
6- A' alambert - 


O Iluminismo no Brasil
          As ideias iluministas chegaram ao Brasil no século XVIII - muitos brasileiros das classes mais altas da sociedade iam estudar em universidades da Europa e entravam em contato com as teorias e pensamentos que se desenvolviam em territórios europeu. Ao retornarem ao país, após os estudados, estas pessoas divulgavam as ideias do iluminismo, principalmente nos centros urbanos.
A principal influência do iluminismo, principalmente francês, pode ser notada no processo de Inconfidência Mineira (1789). Alguns inconfidentes conheciam as propostas iluministas e usavam como base para fundamentar a tentativa de Independência do Brasil. 

As principais ideias Iluministas que influenciaram os Inconfidentes  Foram: 

- Fim do colonialismo
- Fim do absolutismo
- Substituição da monarquia pela república
- Liberdade econômica (liberalismo)
- Liberdade religiosa, de pensamento e expressão


        Mesmo não obtendo o sucesso desejado, que seria a independência do Brasil, os inconfidentes conseguiram difundir ainda mais as ideias do iluminismo entre as camadas urbanas da sociedade brasileira. Os ideias iluministas foram de fundamental importância na política do Brasil.

Tema -2

Colonização dos Estados da América (As Treze Colônias)
Para estudarmos  melhor o processo de independência dos Esta dos Unidos da América é importante conhecermos um pouco sobre a colonização deste território. Os ingleses começaram a colonizar a região no século XVII. A colônia recebeu dois tipos de colonização com diferenças acentuadas. 

Colônias do Norte: região colonizada por protestantes europeus, princialmente ingleses que fugiam das perseguições religiosas. Chegaram na América dos Norte com o objetivo de transformar a região num próspero lugar para a habitação de suas famílias. Também chamada de Nova Inglaterra, a região sofreu uma colonização de povoamento com as seguintes características: mão de obra livre, economia baseada no comércio, pequenas propriedades e produção para o consumo interno.
Colônias do Sul: colônias como a Virgínia, Carolina do Norte e do Sul e a Geórgia sofreram uma colonização de exploração. Eram exploradas pela a Inglaterra e tinham que seguir o Pacto Colonial. Eram baseadas no latifúndio, mão de obra escrava, produção escrava produção para exportação para a metrópole e

 monocultura.
Guerra dos Sete Anos

Esta guerra ocorreu entre a Inglaterra e a França entre os anos de 1756 e 1763. A guerra dos sete anos, vencida pelo ingleses com apoio dos colonos que ali já residiam, resultou na anexação de terras antes pertencentes aos franceses. Os colonos que estavam no novo continente pensaram que poderiam beneficiar-se de tais terras como despojo de guerra, mas a Coroa Inglesa tinha outros planos: destinar as novas terras para novos colonos que viriam da Inglaterra para ocupá-los.

        Além disso, outros fatores contribuíram para um crescente sentimento de revolta por parte dos colonos, como as restrições fiscais da Coroa inglesa conhecidas como Leis Proibitivas. Uma das leis a Lei do Selo, promulgada em 1765, foi importa aos colonos após a guerra contra os franceses, objetivando tirar a       Inglaterra do prejuízo resultante dos gastos militares. O arrocho da Lei do Selo previa a impressão de um selo real em todos os produtos para que eles pudessem circular como mercadorias certificadas, gerando um dispendioso gasto para os produtores.
        Outras dessas Leis a do Imposto sobre o Chá, foi o principal vetor para a revolta contra a Inglaterra. Em 1770, cinco pessoas que protestavam contra essa lei na cidade de Boston foram assassinadas pela guarda inglesa. Uma onda de boicotes a determinações da Coroa inglesa sobre veio após esse fato. Em dezembro de 1773, alguns colonos disfarçaram-se de índios e entraram no Porto de Boston para jogar as sacas de chá da Companhia das Índias Ocidentais, rival do chá americano ao mar. Essa afronta aos ingleses ficou conhecida como Festa do chá de Boston, fato que deu origem a um dos mais sólidos movimentos políticos conservadores dos Estados Unidos da América.
       Entre esses líderes estavam nada menos do que Thomas Jefferson, Samuel Adams, Richard Lee e Benjamin Franklin, que organizaram a Filadélfia, em abril de 1775. O  Primeiro Congresso Continental, onde foi elaborada a declaraçao de direitos sob a inspiração iluminista.
         No ano seguinte, em 04 de julho de 1776, houve um segundo Congresso Continental, em que foi redigida a Declaração de Independência e houve uma criação do exército colonial, que enfrentou com mais propriedade o exército inglês. 
Nos anos que seguiram, as batalhas vencidas pelos colonos americanos, sobretudo após a ajuda de espanhóis e franceses, acabaram por solidificar a autonomia dos Estados Unidos da América. 

A Independência dos Estados Unidos da América
       
Introdução



          Antes da Independência dos Estados Unidos da América, era formado por treze colônias controladas pela metrópole: A Inglaterra. Dentro do contexto histórico no século XVIII, os ingleses usavam estas colônias para obter lucros e recursos minerais e vegetais, não disponíveis na Europa. Era também muito grande a exploração metropolitana, com relação aos impostos e taxas cobrados dos colonos norte-americanos.
        O movimento pela independência dos Estados Unidos da América, ocorreu na virada da década de 1770  para 1780 e deflagrou uma guerra cujo o fim, em 1783, selou a autonomia das Treze Colônias. A Declaração de Independência foi redigida e assinada em 04 de julho de 1776. Um dos elementos que tiveram grande peso na aceleração da independência foi a Guerra doa Sete Anos  (1756 a 1763), isto é a guerra travada na América do Norte entre os ingleses e franceses ela posse das terras. 

Tema -3

A Colonização Espanhola e A Independência da América Espanhola

Colonização Espanhola


        A expansão do comércio europeu, a partir do século XV, impeliu várias nações europeias a empreenderem políticas que visassem ampliar o fluxo comercial como forma de fortificar o estado econômico das nascentes monarquias nacionais.
Nesse contexto a Espanha alcança um estrondoso passo ao anunciar a existência de um novo continente à Oeste. Nesse momento, o novo mundo desperta a curiosidade e a ambição que concretizaria a colonização dessas novas terras.
            Ao chegarem por aqui, os espanhóis se depararam com a existência de grandes civilizações capazes de elaborar complexas instituições políticas e sociais. Muitos dos centros urbanos criados pelos povos chamados pré-colombianos superavam a pretensa sofisticação das "modernas", "desenvolvidas" e "civilizadas" cidades da Europa. Apesar da descoberta temos que a satisfação dos interesses econômicos mercantis era infinitamente maior que o valor cultural.
            Um dos pontos altos do processo de denominação da população nativa aconteceu quando o conquistador Hernán Cortéz liderar as ações militares que subjugaram o Império Asteca, então controlado por Montezuma.
Em razão da inegável inferioridade numérica, nos questionamos como uma nação de porte tão pequeno como a Espanha foi capaz de impor seu interesse contra aquela numerosa população indígena.
            Para explicarmos essa questão, devemos avaliar uma série de fatores inerentes a essa terrível e violenta experiência que marca o passado americano. Primeiramente, frisarmos a superioridade bélica dos europeus, que contavam com potentes armar de fogo e atordoavam os nativos que se deparavam com a inédita imagem de homens montados em cavalos. Ao mesmo tempo, o próprio contato com os europeus abriria caminho para a instalação de epidemias que matavam as populações nativas em poucos dias.
            Depois da conquista, os colonizadores tomaram as devidas providências para assegurar os novos territórios e, no menor espaço de tempo, viabilizar a exploração econômica de suas terras. Sumariamente, a extração de metais preciosos e o desenvolvimento de atividades agro exportadoras nortearam a nova feição da América colonizada. Para cumprimento de tamanha tarefa. Além de contar com uma complexa rede administrativa. Os espanhóis aproveitaram da mão de obra indígenas subjugadas.
            Enquanto o confronto e as doenças funcionavam como importantes meios de dominação, devemos também dar a devida importância a outra estratégia espanhola. Em alguns casos, os espanhóis instigavam o acirramento das rivalidades entre duas tribos locais. Dessa forma, depois dos nativos se desgastarem em conflitos, a dominação hispânica agia para controlar as tribos em questão.
            Somente na passagem dos séculos XVIII e XIX, momento em que a Revolução Industrial e o Iluminismo ganhavam forma, observou-se o fim da exploração colonial. Os processos de independências desenvolvidos por todo continente abriram caminho para a formação de um grande mosaico de nações e Estados que deviam o fim à colonização. Contudo, os vindouros problemas mostraram que existia um longo caminho a se trabalhar em busca da tão sonhada soberania.


Texto: Rainer Sousa - Graduação em História.

A Colonização da América Espanhola

História de uma conquista violenta
            A conquista da América e sua posterior colonização foi um empreendimento gigantesco, que sem dúvida alguma mudou os rumos da civilização ocidental. Esta obra cujas marcas principais estão diretamente relacionadas à expansão marítima e comercial levada a cabo pelos países ibéricos (Portugal e Espanha) no final do século XV, realizou-se com a perda de milhões de vidas e o extermínio completo de muitas civilizações indígenas.
            Se por um lado o Novo Mundo representava um eldorado de oportunidades para o s europeus ávidos por riquezas e metais preciosos (ouro, prata e cobre), por outro ele se transformou num verdadeiro inferno e numa dolorosa provação para aqueles que se submeteram pela força ao jugo dominador das nações européias, notadamente da Espanha.
            A colonização efetiva no continente americano pelos espanhóis começou em 1493, quando Cristovão Colombo fundou a Colônia Natividade. A partir daí, iniciou-se de modo irreversível o embrião daquele que se transformou num dos maiores impérios do mundo. O império espanhol na América.
            Após alguns contatos amistosos no início da colonização, a relação entre espanhóis e gentios da terra sofreu uma transformação que, caracterizou por assim dizer, o tipo de mentalidade colonizadora desenvolvida pela Espanha. A busca por riqueza e a conversão dos indígenas ao cristianismo foram, entre outros fatores, as bases motivadoras do projeto colonial em território americano. Esse projeto foi bem retratado por Frei Bartolomeu de Las Casas que jamais ficou calado diante do tratamento desumano dispensados pelos colonizadores dos povos nativos.
            Tem razão Frei Bartolomeu de Las Casas, ao afirmar que a história da conquista e colonização da América, foi escrita com sangue. Comportando-se como verdadeiros tiranos, os espanhóis cegos pela cobiça e pela avareza, não mediram esforços para alcançar os seus objetivos coloniais.

Texto: Rainer Sousa - Graduação em História.

Tema -4 

Revolução Industrial na Inglaterra No Século XVIII
 As  revoluções burguesas são momentos significativos na história do capitalismo, na medida em que serão elas que contribuirão para abrir caminho para a superação dos resquícios feudais e, portanto, para tornar possível a consolidação do modo de produção capitalista. Tais revoluções ocorreram em vários países europeus, no entanto, vamos falar da revolução inglesa, ocorrida no final do século XVIII.
A substituição das ferramentas pelas as máquinas, da energia humana pela a energia motriz e o modo de produção doméstica pelo sistema fabril, constituía a chamada Revolução Industrial; revolução, em função do enorme impacto sobre a estrutura da sociedade, num processo de transformação acompanhado por notável evolução tecnológica. 
A Revolução Industrial na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo. 
Etapas da Industrialização - 1760 a 1850 - A Revolução se restringe á Inglaterra, a "oficina do mundo" preponderam a produção de bens e consumo, especialmente têxteis e a energia a vapor.
1850 a 1900 - A Revolução se espalha na Europa - América e Ásia: Bélgica - França - Alemanha - Estados Unidos da América - Itália - Japão - Rússia - cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve, as ferrovias se expandem: surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e as derivadas de petróleo. O transporte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco a vapor.
1900 a até hoje - Surgem os conglomerados industriais e multinacionais, a produção se automatiza; surge a produção em série; explode a sociedade de consumo de massas com a expansão dos meios de comunicação. Avança a indústria química e eletrônica, a engenharia genética, a robótica.
Revolução Social 
A Revolução Industrial concentrou os trabalhadores em fábricas, os aspectos mais importantes que trouxe radical transformações no caráter do trabalho, foi esta separação: de um lado: capital e meios de produções (instalações, máquinas, matéria- prima); de outro lado: o trabalho, os operários, passaram a assalariados dos capitalistas (donos do capital).
Uma das primeiras manifestações da Revolução foi o desenvolvimento urbano, Londres chegou ao milhão de habitantes em 1800.
Os artesões acostumados a controlar o seu ritmo de trabalho, agora tinham de se submeter-se à disciplina da fábrica. Passaram a sofrer a concorrência das mulheres e crianças. Em alguns setores as mulheres representavam as vezes mais de 50% da mão de obra as crianças começavam a trabalhar aos 6 anos de idade.
A mecanização desqualificava o trabalho, o que acabava reduzindo o salário. Havia frequentes paradas provocando desemprego - nas novas condições, caiam os rendimentos, contribuindo para a redução da média de vida. 
Havia mais organização entre os trabalhadores especializados, eles se organizavam em associações que vão dá origem aos chamados Sindicatos com caráter reivindicatórios. Gradativamente, conquistaram a proibição do trabalho infantil, limitação do trabalho feminino, o direito a greve. 

Srs. Pais - Trabalho para os alunos dos 8 anos - A, B e C

Trabalho Feminino, com base nas modificações introduzidas pela Revolução Industrial Inglesa.
Apresentar os seguintes aspectos: 
Históricos - 



Trabalho Infantil no Brasil. 


2º Bimestre

Tema-1
Revolução Francesa (1789)
 A Queda do Antigo Regime
        Considera-se a Revolução Francesa de 1789 o acontecimento político e social mais espetacular e significativo da história contemporânea. Foi o maior levante de massa até então conhecido que fez por encerrar a sociedade feudal abrindo caminho para a modernidade.

O Alvorecer de Uma Nova Era
        Assinala a Revolução de 1789 a inauguração de uma nova era, um período em que não se aceitaria mais a dominação da nobreza, nem um sistema de privilégios baseado nos critérios de castas, determinados pelo nascimento, só se admite, desde então, um governo que, legitimado ao controle do povo por meio de eleições periódicas. O lema da Revolução: Liberdade - Igualdade - Fraternidade - em francês (" Liberté, Egalité, Fraternité"), universalizou-se, tornando-se no transcorrer do século seguinte uma bandeira da humanidade inteira.

Programa da Revolução 
        A revolução de 1789 é o princípio da era moderna. Nela tudo teve início  ou sua consagração: a separação do Estado da Igreja, a proclamação do Estado secular, a participação popular pelo voto, a instrução pública, estatal e gratuita, o serviço militar generalizado, os direitos da cidadania, os sistema de presos e medidas decimal, igualdade dos filhos perante a herança e a igualdade de todos perante a lei, o divórcio, a abolição das torturas e dos castigos físicos, acompanhado do abrandamento das leis penais, os primórdios da emancipação feminina levada adiante, a extensão da cidadania aos judeus, a condenação da escravidão e a imorredoura ideia de que devemos viver em liberdade, igualdade e fraternidade.


        Convocação dos Estados Gerais
      Os reis da França não convocaram os Estados Gerais - esta organização integrava os representando Clero - da Nobreza e do Povo - desde 1614. Centralizadores convictos do absolutismo, os reis franceses desprezavam qualquer instituição que lhe criasse obstáculos ao uso irrestrito do poder.
Naquele início de 1789, no entanto, Luis XVI resolveu chamar aquela antiga assembléia, cujas origens vinham dos tempos medievais, na tentativa de resolver a grave crise financeira que se alastrava pela França, ameaçando-a com longo caos.
Em 24 de janeiro de 1789, o ei baixou um decreto instituindo as votações para sua composição, tendo sua primeira reunião marcada para 05 de maio daquele ano, a a ser realizada em Versalhes. O local não foi escolhido por um acaso, pois o Palácio de Versalhes era a morada do rei, o qual foi erguido por Luis XIV, o rei sol!!



         Composição dos Estados Gerais
        Os Estados Gerais em 1789 compunham-se de 1.154 representantes, sendo a seguinte composição: 291 deles eram deputados do claro - 285 da nobreza e 578 do terceiro Estado (ordem que, genericamente, obrigava o povo e a burguesia a se unirem). Na época, dos 25 milhões de franceses, apenas 120 pertenciam ao clero e 350 mil a nobreza (subdividida em nobreza togada, e a de "sangue", isto é, aristocracia). Na  representação dos Estados Gerais convocados, o povo, que perfazia a imensa maioria, tinha só dois votos parlamentares a mais.
Por detrás da insistência do Terceiro Estado, alinhava-se um descontentamento generalizado com a monarquia, com a inépcia do rei com os desatinos da rainha Maria Antonieta, a austríaca, pessoa das menos estimadas pelo povo francês em todo os tempos . 

A Bastilha
     No dia 14 de julho, a multidão, que estava submetida as fortes tensões dos últimos dias resolveu atacar a Bastilha (Uma fortaleza - prisão construída por Carlos V, entre 1369 e 1382, com oito torres, muralhas de 25 metros de altura e cercadas de fossos). Ela era o símbolo do despotismo. Passava sobre Paris como um feiticeiro , um bruxo, ou ainda um bicho papão, que saindo na calada da noite, indo invadir as casas para arrancar suas vítimas do leito e do aconchego da família, as conduzia algemadas, sem nenhuma formalização de culpa, para os carcereiros. Os habitantes de Paris imaginavam-na um local onde o inominável acontecia. Diziam que as torturas e punições indescritíveis tinha seu sítio lá.
O embastilhado necessariamente não era informado do seu delito, nem por quanto tempo ficaria preso. Poderia ser encala bouçado por alguns meses, como ocorreu com Voltaire, ou chegar a cumprir 37 anos como se deu com o infeliz Latude.


Assalto a Bastilha
       A grande prisão do Estado terminou sendo invadida porque um jornalista, Camille Desmouliry, até então desconhecido, saiu dizendo pelas ruas de Paris que tropas reais estavam prestes a desencadear uma repressão sangrenta sobre o povo de Paris.
         Uma multidão, dirigiu-se a antigos hospitais e pegaram armas, espingardas e de alguns canhões. Correu o boato de que a pólvora porem se encontrava estocada em outro lugar, na fortaleza da Bastilha.


Declaração dos Direitos

Artigo - primeiro - Os homens nascem e são livres e iguais em direitos.

Artigo - segundo - Finalidade de toda associação política e a conservação dos direitos naturais é imprescritível do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e resistência a opressão.


Tema -2

A Chegada da Família Real ao Brasil.
Em 22 de janeiro de 1808, Dom João e parte de sua comitiva chegaram a Salvador na Bahia, desviados por uma violenta tempestade durante a travessia do oceano atlântico. No dia 28 de janeiro, príncipe-regente determinava, através de uma carta-régia "interina e provisoriamente", Abertura dos Portos.
Essa medida, que eliminava o exclusivo Metropolitano sobre o comércio da colônia, desferia um golpe mortal no Pacto Colonial, construindo o primeiro grande passo para a Independência efetiva do Brasil. 
        No comércio de alguns gêneros, contudo, continuou o monopólio real, pois a carta-régia estabelecia a franquia dos portos brasileiros ao comércio em geral "exceção do pau-brasil ou outros produtos notoriamente de alto interesse".
A Abertura dos Portos, antes de mais nada, deve ser sentida como um acontecimento da expansão do capitalismo industrial, sendo decretada em razão de um emaranhado de fatores. Em primeiro lugar, deve-se entender o papel da Grã-Bretanha.  A ela interessava sobremaneira a ruptura do Pacto Colonial, pois a burguesia inglesa, ávida pela ampliação dos mercados consumidores de seus produtos manufaturados, era a principal defensora do livre cambismo.
         Um segundo lugar, foi de fundamental importância a atuação da classe dominante colonial junto ao príncipe regente. A aristocracia rural na extinção do exclusivo a eliminação da incomoda intermediação portuguesa. O aumento dos lucros nas exportações e a aquisição de produtos manufaturados a preços baixos. 
Além das medidas de aberturas a Coroa concedeu também incetivos á implantação de fábricas de tecidos, para aproveitar o surto algodoeiro do Maranhão 



Razões da Vinda da Família Real para a Colônia no Brasil
Em 1807, o imperador francês era o senhor absoluto da Europa. Seus exércitos haviam colocado de joelhos todos os reis e rainhas do continente uma sucessão de vitórias brilhantes, só não haviam conseguido subjugar a Inglaterra. Protegidos pelo canal da Mancha, os ingleses tinham evitados os confrontos direto em terra com as forças de Napoleão. Ao mesmo tempo consolidado como os senhores dos mares a Batalha de Trafalgar, em 1805, quando sua Marinha de Guerra, sob o comando de Lord Nélson, destruiu, na entrada do Mediterrâneo, as esquadras combinados da França e da Espanha. Napoleão reagiu decretando o bloqueio continental, medida que previa o fechamento dos portos europeus ao comércio de produtos britânicos. Suas ordens foram imediatamente obedecidas por todos os países, com uma única exceção: o pequeno e desprotegido Portugal. Pressionado pela Inglaterra, sua tradicional aliada, Dom João relutava em ceder as exigências de Napoleão. Por essa razão, em novembro de 1807, tropas francesas marcharam em direção a fronteira de Portugal, prontas para invadir o país e destronar seu príncipe regente. Encurralado entre as duas maiores potências econômicas e militares de sua época, Dom João tinha duas alternativas amargas e excludentes. A primeira era ceder á pressão de Napoleão e aderir ao bloqueio continental. A segunda era aceitar a proposta oferecida pelos aliados ingleses e embarcar para o Brasil levando a família real, a maior parte da nobreza, os tesouros e todo aparato do Estado.
        Com o apoio dos ingleses, o Brasil a maior e mais rica dessas colônias, provavelmente declararia sua independência mais cedo do que se esperava, seguindo o exemplo dos Estados Unidos da América e de seus vizinhos territórios espanhóis. E, sem o Brasil, Portugal não seria nada. 
        Entre 10 e 15 mil pessoas acompanharam o príncipe regente na viagem ao Brasil, era muita gente, levando-se em conta que a capital Lisboa, tinha cerca de 200 mil habitantes. Durante 3 dias o povo de Lisboa observou o movimento de cavalos, carruagens e funcionários do governo nas imediações do porto, sem entender o que se passava. Quando a notícia da partida se espalho, o povo reagiu de forma indignada.
        Como fazer um discurso de despedida era impossível nessas condições, Dom João mandou fixar nas ruas de Lisboa um decreto no qual explicava as razões da partida.

Período de Dom João (Joanino)
        Caracterizou-se pelo esforço da Coroa Portuguesa no sentido de estabelecer um equilíbrio entre os interesses dos grandes proprietários de terras brasileiras e os dos comerciantes. Alguns estancos foram mantidos para satisfazerem estes últimos.
       Estabeleceram-se impostos pesados e progressivos, necessários a manutenção do luxo da corte.
        A estrutura colonial aniquilaria a vida cultural do Brasil. bibliotecas Inexistiam as preocupações com a educação e saúde pública; as academias filosóficas literárias e cientificas estavam desamparadas; as bibliotecas não haviam sido formadas pois, eram consideradas perniciosas; a publicação de jornais era proibida.

As Primeiras Providências de Dom João (príncipe regente)
       Com a vinda da família real de Portugal para o Brasil em 1808, a colônia se tornou sede da monarquia portuguesa, e sua situação político-econômico logo se modificou. Em 28 de janeiro, dias após a sua chegada, o príncipe  regente Dom João assinou o Decreto de Abertura dos Portos Brasileiros as nações amigas em 1808.
Tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação, firmado com a Inglaterra em 1810. Tais tratados asseguravam, privilégios do governo e aos súditos ingleses.

Criação do Banco do Brasil
        O Banco do Brasil, foi criado em 1808, sua função principal era obter fundos para cobrir os pesados gastos da corte, além de realizar as transações comerciais.


3º - Tema 

Independência  do Brasil (1822)

Contexto histórico no momento que antecede a Independência 


        A separação política entre a Colônia do Brasil e a Metrópole portuguesas, foi declarada oficialmente em 07 de setembro de 1822. O processo de independência começa com o agravamento da crise do sistema colonial e se estende até a adoção da primeira Constituição Brasileira, em 1824

Acontecimentos que Contribuem na Independência do Brasil 

        As revoltas do final do século XVIII e começo do século XIX, como foi a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana e a Revolução Pernambucana de 1817, mostraram o enfraquecimento do sistema colonial. 
        Com a instalação da Corte Portuguesa em 1808 no Brasil, este evento vai contribuir para a separação definitiva das duas nações. A abertura dos portos e a criação do Reino Unido do Brasil praticamente cortam os vínculos coloniais e preparam a independência. 
           Pressionado pelas Cortes Constituintes, dom João VI chama dom Pedro a Lisboa. Mas o príncipe regente resiste as pressões, que considera uma tentativa de agravar o poder da monarquia. Forma-se em torno dele um grupo de políticos conservadores brasileiros que defende a manutenção dos status do Brasil no Reino Unido. Em 29 de dezembro de 1821, dom Pedro recebe um abaixo-assinado pedindo que não deixe o Brasil. Esse episódio passa para a história como o Dia do Fico. 
        Em 03 de junho de 1822, dom Pedro recusa fidelidade a Constituição Portuguesa e convoca a primeira Assembleia Constituinte Brasileira. Em 01 de agosto baixa um decreto declarando inimigas as tropas portuguesas que desembarcarem no país.
        Contra o liberalismo de setores das elites brasileiras triunfa o conservadorismo e o centralismo de José Bonifácio. Ele pregava a independência sem mudança de regime, ou seja, sem a proclamação da República nem mudanças sociais importantes, como a abolição da escravidão.

Conjuração dos Alfaiates Ou Conjuração Baiana (1798)

        

A Conjuração dos Alfaiates foi um movimento organizado na Bahia, em Salvador, em 1798, precisamente a 12 de agosto, este movimento tem uma característica popular, foi idealizado por gente marcada pela cor e pela condição social:  mulatos e negros livres ou libertos, ligados as profissões urbanas como artesãos ou soldados e escravos. Entre eles destacavam-se vários alfaiates, desviando daí o nome do movimento de Revolta dos Alfaiates. 
        Mesmo entre os brancos, predominavam a origem popular, com a importante exceção do médico Cipriano Barata, que iria participar de vários movimentos no nordeste, por mais de quarenta anos.
        A Conjuração se liga ao quadro geral das rebeliões surgidas em fim do século XVIII e tem a ver também com as condições  de vida da população de Salvador. A escassez de gêneros alimentícios e a carestia deram origem a vários motins na cidade, entre 1797 e 1798.
      No sábado de aleluia de 1797, por exemplo, os escravos que transportavam grandes quantidades de carne destinada ao general-comandante de Salvador foram atacados pela multidão faminta e seu fardo dividido entre os atacantes e as negras que vendiam quitutes na rua. 
       Os revoltosos defendiam a Proclamação da República, o fim da escravidão, o livre comércio especialmente com a França, o aumento dos salários dos militares, a punição de padres contrários a liberdade. O movimento não chegou a se concretizar, a não ser pelo lançamento de alguns panfletos e várias articulações. 
          Após uma tentativa de se obter apoio do governador da Bahia, começaram as prisões e delações. Quando os quatros principais acusados foram enforcados e esquartejados. Outros receberam penas de prisões ou banimentos.
      A severidade das penas foi desproporcional à ação e as possibilidades de exito dos conjurados. Nelas transparece bem a intenção de exemplos, um exemplo mais duro do que o proporcionado pelas condenações aos inconfidentes mineiros. A dureza se explica pela origem social dos acusados e por um conjunto de outras circunstâncias ligadas ao temor das rebeliões de negros e mulatos.
    A insurreição de escravos iniciada em São Domingos, colônia francesa nas Antilhas, em 1791, estava em pleno curso e só iria terminar em 1801, com a criação do Haiti como Estado independente. Por sua vez, a Bahia era uma região onde os motins de negros e mulatos iam se tornando frequentes. Essa situação preocupava tanto a Coroa como a elite colonial, pois a população de cor (negros e mulatos) correspondia, em número aproximados, a 80% da população da capitania.
       A inspiração dos rebeldes baianos veio principalmente da Revolução Francesa.
      A independência do Brasil, acabou não vindo pela via de um corte revolucionário com a Metrópole, mas por um processo de que resultaram mudanças importantes e também continuidades com relação ao período colonial.

Revolução Pernambucana em 1817


A presença da Corte no Rio de Janeiro contribui para dar a independência o caráter de uma transição sem grandes saltos. Seria engano supor, porém que os atritos entre a gente da Metrópole e da Colônia tinham desaparecido porque, por algum tempo, a Colônia se vestiu de Metrópole. Ao se transferir para o Brasil, a Coroa não deixou de ser portuguesa e favoreceu os interesses portugueses no Brasil. Um dos principais focos de descontentamentos estava nas forças militares. Dom João chamou tropas de Portugal para guarnecer as principais cidades e organizou o Exército, reservando os melhores postos para a nobreza lusa. O peso dos impostos  aumentou, pois agora a Colônia tinha que suportar sozinha as despesas da Corte e os gastos das campanhas militares que o rei promoveu no Rio Prata.
      A Revolução Pernambucana que estourou em Pernambuco em março de 1817 fundiu esse sentimento com vários descontentamentos resultantes das condições econômicas e dos privilégios concedidos aos portugueses. 
      Ela abrangeu amplas camadas da população: militares, proprietários rurais, juízes, artesãos, comerciantes e um grande número de sacerdotes, a ponto de ficar conhecida como a  revolução dos "padres".
Outro dado importante da Revolução de 1817 se encontra no fato de que ela passou do Recife para o sertão, estendendo-se a Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. O desfavorecimento regional, acompanhado de um forte antilusitanismo, foi o denominados comum dessa espécie de revolta geral de toda a área nordestina.
Embora tivessem juntos as várias camadas sociais, haviam interesses e objetivos diferentes.
         Para as camadas pobres da cidade a independência estava associada à ideia de igualdade. Para os grandes proprietários rurais tratava-se de acabar com a centralização imposta pela Coroa e tomar em suas mãos o destino, se não da Coroa, pelo menos do Nordeste.
      Os revolucionários tomaram o Recife e implantaram um governo provisório baseado em uma "lei orgânica " que proclamou a República e estabeleceu a igualdade de direitos e a tolerância religiosa, mas não tocou no problema da escravidão.
        Foram enviados emissários as outras capitanias em busca também de apoio e aos Estados Unidos da América, Inglaterra e Argentina, em busca também de apoio e reconhecimento. A revolta avançou pelo sertão, porém, logo em seguida, veio o ataque das forças portuguesas, a partir do bloqueio do Recife e do desembarque em Alagoas. As lutas se desenrolaram no interior, revelando o despreparo e a desavenças entre revolucionários. Afinal, as tropas portuguesas ocuparam Recife, em maio de 1817. Seguiram as prisões e execuções dos líderes da Revolução e Rebelião. O movimento durava mais de dois meses e deixou uma profunda marca no Nordeste. 




3º Bimestre

Tema -1
Período Regencial

período regencial começa em 1831, com a abdicação de dom Pedro I, e estende-se até 1840, quando dom Pedro II é aceito como maior de idade. É uma das fases mais conturbadas da história brasileira e de grande violência social.
A menoridade do príncipe herdeiro acirra as disputas pelo poder entre as diferentes facções das elites.
Pela primeira vez no país, os chefes de governo são eleitos por seus pares. Os brasileiros pobres continuam alijados da vida política da nação.
As revoltas regionais, os motins militares e os levantes populares são violentamente reprimidos.

 Facções políticas
      A elite política do período divide-se em pelo menos três grandes facções: liberais radicais, liberais moderados e restauradores. Em 1835, os restauradores fundam o Partido Conservador. Em 1840, os moderados se organizam no Partido Liberal. Com poucas divergências ideológicas, esses dois partidos conseguem neutralizar as facções políticas mais radicais e dominam o cenário político da nação até a proclamação da República.

 Regência Trina Provisória

Instalada no mesmo dia da abdicação de dom Pedro I, em 7 de abril de 1831, a regência trina é uma exigência da Constituição para o caso de não haver parentes próximos do soberano com mais de 35 anos e em condições de assumir o poder.
Ela é provisória porque não há quórum suficiente no dia da abdicação para a eleição de uma regência permanente. A primeira tarefa do novo governo é atenuar os impasses que levaram à abdicação de dom Pedro I, quase todos resultantes dos excessos de um poder extremamente centralizado. O último ministério deposto por dom Pedro I, de maioria liberal, é reintegrado e os presos políticos são anistiados.
O poder dos regentes é limitado. Não podem, por exemplo, dissolver a Câmara, que, na prática, torna-se o centro do poder do país.


Composição política da regência

        A composição do primeiro trio de governantes é fruto de uma negociação entre os restauradores, liberais e moderados. É composto pelos senadores José Joaquim Carneiro Campos, Marquês de Caravelas, representante dos restauradores; Nicolau de Campos Vergueiro, representante dos liberais moderados; e, no papel de mediador, o brigadeiro Francisco de Lima e Silva, representante da oficialidade mais conservadora do Exército. Os liberais radicais não participam do governo, mas obtêm vitórias importantes no Legislativo.


Regência Trina Permanente
A regência trina permanente é eleita pela Assembléia Geral em 17 de junho de 1831. Sua composição inclui as facções políticas que se expressam na capital e também os interesses regionais da elite agrária. É integrada pelos deputados moderados José da Costa Carvalho, Marquês de Montalvão, representante do sul, e João Bráulio Muniz, representante do norte, além do brigadeiro Francisco de Lima e Silva, que já integrara a regência trina provisória. O padre Diogo Antônio Feijó é nomeado ministro da Justiça.

Guarda Nacional

A formação da Guarda Nacional é proposta pelo padre Diogo Antônio Feijó e aprovada pela Câmara em 18 de agosto de 1831. Sua criação desorganiza o Exército. Com a Guarda Nacional, começa a se constituir no país uma força armada vinculada diretamente à aristocracia rural, com organização descentralizada, composta por membros da elite agrária e seus agregados. Os oficiais de alta patente são eleitos nas regiões e, para muitos historiadores, é um dos componentes fundamentais do coronelismo político – instituição não-oficial determinante na política brasileira e que chega ao apogeu durante a República Velha.


Primeira Regência Una

O processo de escolha do primeiro regente único do país começa em junho de 1835. Os principais concorrentes são o padre Diogo Antônio Feijó, de tendência liberal, e o deputado pernambucano conservador Antônio Francisco de Paula e Holanda Cavalcanti. Feijó defende o fortalecimento do poder Executivo e vence o pleito por uma pequena margem de voto.

Segunda Regência Una
Com a renúncia de Feijó e o desgaste dos liberais, os conservadores obtêm maioria na Câmara dos Deputados e elegem Pedro de Araújo Lima como novo regente único do Império, em 19 de setembro de 1837.

Golpe da maioridade
A política centralista dos conservadores durante o governo de Araújo Lima estimula as revoltas e rebeliões por todo o país. As dissidências entre liberais e conservadores fazem crescer a instabilidade política. Sentindo-se ameaçadas, as elites agrárias apostam na restauração da monarquia e na efetiva centralização do poder. Pela Constituição, no entanto, o imperador é considerado menor de idade até completar 18 anos.

Revoltas na Regência
Os primeiros anos do período regencial são marcados por vários motins de militares e levantes de civis. Alguns exigem a expulsão dos portugueses residentes no Brasil, e outros, a volta de dom Pedro I ao poder. Pouco organizados e sem base popular, esses movimentos são facilmente reprimidos pelas forças legalistas, comandadas pelo major Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias. Entre 1834 e 1840, o país é sacudido por revoltas bem mais estruturadas e com participação ativa das camadas populares livres e de escravos. Algumas, como a Cabanagem, a Guerra dos Farrapos, a Sabinada e a Balaiada, ameaçam romper a ordem social e política construída desde a colônia e mantida intacta no Império.

Segundo Reinado

Segundo Reinado – 1840 – 1889
segundo reinado começa em 23 de julho de 1840, quando dom Pedro II é declarado maior de idade, e estende-se até 15 de novembro de 1889, com a instauração da República.
É um período de consolidação das instituições nacionais e de desenvolvimento econômico.
Em sua primeira fase, entre 1840 e 1850, o país passa por uma série de redefinições internas: repressão e anistia aos movimentos rebeldes e separatistas; reordenamento do cenário político em bases bipartidárias, introdução de práticas parlamentaristas inspiradas no modelo britânico; reorganização da economia pela expansão da cafeicultura e normalização do comércio exterior, principalmente com o Reino Unido.
Dom Pedro II (1825-1891) nasce no palácio da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, e é batizado como Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.
Sétimo filho de dom Pedro I e da imperatriz Leopoldina, herda o direito ao trono com a morte de seus irmãos mais velhos Miguel e João Carlos. Tem 5 anos quando o pai abdica. Fica no Brasil sob tutela de José Bonifácio de Andrada e Silva e, depois, do marquês de Itanhaém.
É sagrado imperador aos 15 anos, em 18 de julho de 1841, um ano depois de ser declarado maior e começar a reinar.
Em 30 de maio de 1843 casa-se com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria de Bourbon, filha de Francisco I, do Reino das Duas Sicílias. Tem quatro filhos, mas só dois sobrevivem: as princesas Isabel e Leopoldina. No início de seu governo faz viagens diplomáticas às províncias mais conflituadas.
Culto, protege artistas e escritores e mantém correspondência com cientistas de várias partes do mundo.
Entre 1871 e 1887 faz três viagens ao exterior – sempre pagando suas próprias despesas –, e procura trazer para o Brasil várias inovações tecnológicas.
Com a proclamação da República, deixa o país e vai com a família para Portugal, em 17 de novembro de 1889. Dois anos depois, em 5 de dezembro, morre de pneumonia em Paris, aos 66 anos.

Reorganização do poder
Com o sucesso do movimento da maioridade, o Partido Liberal sobe ao poder junto com dom Pedro II. Forma a maioria no primeiro ministério do monarca, integrado também por membros da chamada facção “áulica”, grupo palaciano conservador que gravita em torno do imperador. A Câmara dos Deputados, porém, é de maioria conservadora. Dom Pedro II é convencido a dissolvê-la e convocar novas eleições.

Eleições do “cacete”
As primeiras eleições do reinado de dom Pedro II são realizadas em 1840. Ficam conhecidas como eleições do “cacete”, devido aos métodos corruptos e violentos usados pelo Partido Liberal para garantir a vitória de seus candidatos. Eles obtêm a maioria na Câmara, mas o gabinete liberal fica pouco tempo no poder.
Em 23 de março de 1840 é destituído pelo imperador, que atende às pressões da facção “áulica” e dos conservadores.
Como num círculo vicioso, o novo gabinete de maioria conservadora toma posse em 1841 e repete o ato dos liberais: dissolve a Câmara, onde a oposição é maioria, sob o argumento de que houve fraudes no processo eleitoral.

Reforma do Código Criminal
Uma das primeiras e mais polêmicas medidas do gabinete conservador de 1841 é a reforma do Código do Processo Criminal, com a centralização das ações judicial e policial. Os juízes de paz, eleitos nos municípios, são destituídos da maior parte de suas funções, que passam para as mãos de juízes nomeados pelo governo imperial. As reformas servem de complemento à Lei de Interpretação do Ato Adicional, editada durante a regência de Araújo Lima e centralizam ainda mais o poder no país. A medida desagrada vários setores das elites agrárias e, nas Províncias, os representantes do Partido Liberal se recusam a obedecê-la.

Reestruturação do Estado
A partir de meados do século XIX o país entra num período de normalização política. Segundo os historiadores, isso resulta da adoção do sistema parlamentarista. No Brasil, não se usa a fórmula clássica inglesa – “o rei reina, mas, não governa” – já que o Poder Moderador do monarca é mantido.

Parlamentarismo
Concretiza-se em 1847, quando dom Pedro II cria o cargo de primeiro-ministro ou de presidente do Conselho de Ministros. Escolhido pelo imperador, o primeiro-ministro se encarrega de formar o ministério e submetê-lo ao Parlamento (Câmara dos Deputados).
O imperador é o árbitro em caso de oposição entre ministério e Parlamento: pode demitir o gabinete ministerial ou dissolver a Câmara dos Deputados.
Durante os 39 anos em que se mantém no poder, dom Pedro II forma 36 ministérios diferentes, e os partidos Liberal e Conservador alternam-se no poder.

Economia no Segundo Reinado
A partir da metade do século XIX, a economia brasileira entra num período de prosperidade e diversificação de atividades. O café torna-se a base da economia do país e a indústria começa a se desenvolver. Outros produtos agrícolas também ganham destaque na pauta de exportações brasileiras.

Diversificação agrícola
O cacau, produzido na Bahia, a borracha, explorada na bacia do rio Amazonas, e o algodão, cultivado em larga escala no Maranhão, Pernambuco e Ceará, passam a ser produtos expressivos na economia brasileira. Em 1860 o algodão chega a ser o segundo produto de exportação nacional. A expansão de sua cultura, nesse período, é conseqüência da Guerra de Secessão norte-americana (1861-1865), que desorganiza a produção algodoeira dos Estados Unidos. A pecuária, embora voltada para o mercado interno, é a mais importante atividade econômica na região centro-sul. Também é responsável pela efetiva ocupação e povoamento do chamado Triângulo Mineiro e sul do Mato Grosso.

Economia cafeeira
Seguindo os caminhos percorridos anteriormente pela cana-de-açúcar, o café atinge o oeste paulista (de Campinas a Ribeirão Preto) em meados do século XIX.
Nessa região de terra roxa, desenvolve-se de maneira extraordinária, superando em pouco tempo a produção das áreas tradicionais do vale do Paraíba. Na década de 1860, o porto de Santos torna-se o primeiro centro portuário de exportação do país.

Cultura no Segundo Reinado
Na segunda metade do século XIX, as manifestações culturais mantêm as influências européias, principalmente a francesa, mas cresce a presença de temas nacionais.

Literatura
O romantismo é marcante na literatura até o final do século XIX, quando cede lugar para o realismo. A prosa de ficção romântica se alterna entre o nacionalismo indigenista e o relato de costumes tipicamente brasileiros. José de Alencar representa bem essas duas tendências, com destaque para Lucíola, Iracema e O guarani. Na poesia, o maior expoente é Gonçalves Dias, autor de I-Juca Pirama e Os timbiras. Surgem também os poetas estudantes, com uma produção marcada pelo pessimismo e pelo sentimentalismo extremo, como Álvares de Azevedo em A noite da taverna e Macário. No realismo, a descrição objetiva da realidade e das ações dos personagens substitui a visão romântica. Aluísio Azevedo é um dos mais completos autores do período, com suas obras O mulato, Casa de pensão e O cortiço. A estética anti-romântica se expressa na poesia pelo parnasianismo, com ênfase no formalismo da métrica, do ritmo e da rima. Seu maior representante é Olavo Bilac.

Crítica social
O maior representante da crítica social na literatura é Machado de Assis. Seus romances Dom Casmurro, Esaú e Jacó e Memórias póstumas de Brás Cubas, ou os contos, como O alienista, refletem de maneira sutil, irônica e mordaz as transformações sociais e a crise de valores dos últimos tempos do Império. Junto com outros intelectuais, Machado de Assis funda a Academia Brasileira de Letras, em 1876, da qual é o primeiro presidente. Na poesia, destaca-se Castro Alves, que, por sua dedicação à causa abolicionista, é um dos primeiros representantes da arte engajada no Brasil.

Teatro e música
O ator João Caetano funda no Rio de Janeiro a primeira companhia nacional de teatro. Em suas performances, procura substituir o estilo rígido da apresentação clássica por uma nova naturalidade e liberdade de interpretação.
A música popular também se diversifica no período. Surgem o samba e a marcha, tocados por grupos de “chorões”, conjuntos compostos por flauta, violão e cavaquinho, presença indispensável nos saraus das populações urbanas de baixa renda.

Cidades no Segundo Reinado
A importância das cidades cresce na segunda metade do século XIX. Os novos empreendimentos industriais e de serviços e o progresso técnico que os acompanha favorecem a adoção de equipamentos urbanos que melhoram a qualidade de vida de seus habitantes.

Serviços urbanos
Em 1852 é inaugurada a cidade de Teresina, no Piauí, primeira capital planejada do país. Em 1862, o Brasil adota o sistema métrico. No mesmo ano, começa a funcionar a primeira linha de telégrafo elétrico, ligando o palácio de São Cristóvão ao quartel do Campo, no Rio de Janeiro. Na década seguinte, o sistema de telegrafia já permite a comunicação entre várias capitais brasileiras e com a Europa.

A iluminação pública passa a ser feita a gás em 1872.
Os serviços telefônicos entram em operação em 1877 no Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.
E os bondes elétricos começam a funcionar em 1892.

Decadência do Império
As transformações socioeconômicas da segunda metade do século XIX apressam o fim da monarquia. Federalistas, abolicionistas e positivistas se opõem ao excesso de centralização de poder e convergem para a solução republicana. O desgaste aumenta quando o imperador perde o apoio da Igreja e do Exército. A adesão da família real à abolição mina as relações com os fazendeiros.

Questão religiosa

     No final do Império, um incidente de pouca relevância acaba tomando uma dimensão inesperada: o padre Almeida Martins é suspenso pelo bispo do Rio de Janeiro por ter participado de uma solenidade maçônica. Na época, católicos e maçons convivem sem problema na cena política brasileira. Contrariando essa tradição, os bispos de Olinda, Gonçalves de Oliveira, e do Pará, Macedo Costa, proíbem a participação de maçons em confrarias e irmandades católicas.

Dom Pedro II interfere e manda suspender a medida. Os bispos mantêm suas posições e, em 1874, são presos e condenados a trabalhos forçados. Recebem a solidariedade dos demais bispos e do Vaticano. Mais tarde são anistiados, mas a Igreja não perdoa dom Pedro II e retira-lhe o apoio.

Oposição republicana

Idéias republicanas aparecem no Brasil desde o período colonial. Estão presentes em movimentos como a Inconfidência Mineira, de 1789, ou na Revolução Pernambucana, de 1817. Após a independência, ressurgem na Confederação do Equador, de 1824, na Guerra dos Farrapos, de 1835 a 1845, e nos vários levantes liberais e populares. Voltam à cena nos anos 60, bancadas principalmente por setores do Partido Liberal.




As Revoltas do Período Regencial 


 Revolta dos Malês
Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador, Província da Bahia, na noite de 24 de janeiro de 1835, durante o Brasil Império, mais precisamente durante o Período Regencial (1831 a 1840), representou uma rápida rebelião organizada pelos escravos de origem islâmica (sobretudo das etnias hauçá e nagô), os quais buscavam principalmente a liberdade religiosa, contudo foi reprimida pelas tropas imperiais.
Contexto Histórico
Em meados do século XIX, muitas revoltas ocorreram no país (Cabanagem, Sabinada, Balaiada, Farroupilha, Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates), decorrente do descontentamento de grande parte da população, donde os escravos envolvidos buscavam o fim do trabalho forçado, das humilhações, das torturas, das violências físicas e psicológicas, das péssimas condições de vida, dos abusos sexuais, e, consequentemente, almejavam o fim da escravidão no país (concedida pela Lei Áurea, em 1889).
De tal modo, a insatisfação dos escravos se espalhou pela Bahia, tanto pelo sistema político e econômico (baseada na mão de obra escrava) que reinava no país, quanto pela liberdade religiosa, posto que fossem obrigados a participarem dos cultos católicos.
Sem espanto, a revolta dos malês, representou a mobilização de cerca de 1.500 escravos africanos, os quais lutavam pela libertação dos negros de origem islâmica, ou seja, os escravos muçulmanos. Deste modo, contrariados com a imposição da religião católica, os “malês” (língua ioruba “imale”, que significa "muçulmano") se uniram com o intuito de defender e manter o patrimônio religioso, tal qual suas crenças, cultos, costumes, etc.


Cabanagem

Cabanagem foi uma revolta popular extremamente violenta, ocorrida de 1835 a 1840, na província do Grão-Pará.
A rebelião tinha como objetivo a independência da região. 
Contexto Histórico
            Nos anos de 1835-1840, o Império do Brasil vivia o período regencial.
          Dom Pedro I havia abdicado em favor do seu filho que tinha apenas cinco anos. Por isso, foi instituída a regência para governar o país.
Contudo, várias províncias não estavam satisfeitas com o poder centralizado e desejavam ter mais autonomia. Algumas, inclusive, queriam separar-se do Império do Brasil.
Insurreições como a Farroupilha, Balaiada e Sabinada, explodiram em todo território brasileiro.

Província do Grão-Pará

            A província do Grão-Pará compreende os atuais estados de Amazonas, Pará, Amapá, Roraima e Rondônia.
O Grão-Pará tinha mais contato com Lisboa do que com o Rio de Janeiro. Por isso, foi uma das últimas a aceitar a independência, só fazendo parte do Império brasileiro em 1823.
            A Revolta da Cabanagem teve um alcance considerável e se espalhou pelos rios Amazonas, Madeira, Tocantins e seus afluentes.
Curiosamente, o nome deste movimento é um termo pejorativo e se refere às habitações típicas da província, construídas como "cabanas" ou "palafitas".


Principais Causas


Dentre as principais causas da revolta podemos apontar:

·                           As disputas políticas e territoriais, motivadas pelas elites do Grão-Pará;
·         as elites provinciais queriam tomar as decisões político-administrativas da província;
·        descaso do governo regencial para com os habitantes do Grão-Pará;
·         os cabanos, por sua parte, queriam melhores condições de vida e trabalho.
Vale citar que, sobre isso, as referidas elites tomaram proveito da insatisfação popular para sublevar as populações contra o governo regencial.

A Revolta


Desde a independência do Brasil, em 1822, as elites do Grão-Pará se ressentiam com a presença dos comerciantes portugueses na província.
No governo de D. Pedro I, os proprietários e comerciantes estavam insatisfeito com o tratamento recebido por parte do governo central.
            Além disso, sofriam com a repressão do Governador Bernardo Lobo de Sousa desde 1833, que ordenou deportações e prisões arbitrárias para quem se opusesse a ele.
Assim, em agosto de 1835, os cabanos se amotinam, sob a liderança dos fazendeiros Félix Clemente Malcher e Francisco Vinagre, culminando na execução do Governador Bernardo Lobo de Sousa.

Guerra dos Farrapos
Guerra dos Farrapos, também conhecida como Revolução Farroupilha, foi a mais importante rebelião do período da regência no Brasil, que ocorreu no Rio Grande do Sul e durou dez anos, de 1835 até 1845.

            Teve início durante a regência de Feijó e só terminou no Segundo Reinado. Foi favorecida pelo caráter militarizado da sociedade rio-grandense, organizada em meio a lutas fronteiriças, desde a época da Colônia de Sacramento.

Causas da Guerra dos Farrapos


            A Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha foi promovida pela classe dominante gaúcha, constituída de estanceiros, donos de grandes propriedades rurais usadas para criação de gado, indignados com os elevados impostos territoriais, além de altas taxas sobre as exportações de charque, couro e sebos.
            Além disso, as ideias republicanas e federativas encontravam muita receptividade entre os rio-grandenses, estimulados pelas vizinhas Repúblicas Platinas.
Agravando a situação, em 1835, o regente Feijó nomeou o moderado Antônio Rodrigues Fernandes Braga como presidente da província, o que não foi aceito pelos gaúchos. Na Assembleia Provincial tornou-se cada vez mais viva a oposição ao presidente Fernandes Braga.

O Conflito


            No dia 20 de setembro de 1835, uma revolta armada, com pouco mais de 200 cavaleiros se estabeleceu nos arredores da capital. Uma pequena força armada enviada para dispersar os rebeldes foi repelida e obrigada a regressar.

            Alarmando o presidente, fugiu para a vila de Rio Grande, instalando ai seu governo. No dia seguinte, o comandante da Guarda Nacional local, Bento Gonçalves, um dos principais promotores do movimento, entrava em Porto Alegre e, com o apoio da Assembleia Provincial, em 1836, proclamou a República do Piratini.


Sabinada

            A Sabinada foi um levante armado ocorrido na província da Bahia, entre novembro de 1837 e março de 1838, tendo como palco principal a cidade de Salvador.
            O nome do movimento se deve a seu líder, Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, republicano, médico, jornalista e revolucionário federalista.

Principais Causas

Podemos citar como principais causas da revolta:
Ø  Insatisfação diante da falta de autonomia política e administrativa da província, pois aos olhos dos revoltosos, o governo regencial era ilegítimo.
Ø  o recrutamento obrigatório imposto aos baianos em função da Guerra dos Farrapos.

Principais Características

            A Sabinada foi mais uma rebelião do período regencial, junto à Balaiada no Maranhão, a Cabanagem no Pará e a Farroupilha no Rio Grande do Sul. Porém, ela se diferencia dos movimentos acima porque não tinha intenção separatista.
            A intenção dos revoltosos era apenas constituir uma “República Bahiense” até D. Pedro II alcançar a maioridade. Portanto, sua insatisfação foi estritamente dirigida ao governo regencial.
            Além disso, é preciso notar que a Sabinada não pretendia romper com a escravidão, pois desejava o apoio das elites escravocratas, o que não ocorreu.
            Entretanto, isso afastou a população escrava, a qual não foi convencida pela promessa de concessão de liberdade aos que lutassem e apoiassem o governo republicano.
            Desta maneira, o levante contou com a adesão das camadas médias urbanas, principalmente oficiais militares, funcionários públicos, profissionais liberais, comerciantes, artesãos e uma parcela das camadas mais pobres da população.

A Revolta

            No dia 7 de novembro de 1837, um grupo de revoltosos comandados por Francisco Sabino se sublevaram em Salvador. Esse grupo conquista a simpatia das tropas do Forte de São Pedro, as quais aderiram ao movimento e auxiliaram na conquista da cidade.
            Por sua vez, a primeira força legalista enviada para debandar os amotinados acabou se juntando a eles, engrossando ainda mais suas fileiras.
            Assim, com a Câmara Municipal ocupada, Sabino foi nomeado secretário de governo da “República Bahiana”.
            Em seguida, nomeia dois lideres para seu governo: Daniel Gomes de Freitas, como Ministro da Guerra e Manoel Pedro de Freitas Guimarães, como Ministro da Marinha.
Num período de quatro meses, os revoltosos conquistaram diversos quartéis militares nos arredores de Salvador. Enquanto isso, as forças legalistas se reagrupavam no Recôncavo Baiano para o contra-ataque.
            Com efeito, no dia 16 de março de 1838, tem início a ofensiva regencial, com o bloqueio terrestre e marítimo da cidade. Assim que foi sitiada, a emigração maciça da população de Salvador começou; em pouco tempo, houve escassez de alimentos.

Consequências

            Com a ajuda do exército e de milícias locais, as forças governamentais reconquistaram a cidade. A revolta foi duramente reprimida e deixou um saldo de aproximadamente duas mil mortes e três mil prisões.
            Os principais líderes do movimento foram condenados à pena de morte ou prisão perpétua e alguns foram de fato executados e degredados.
            Ainda houve quem conseguisse fugir e se juntar à Revolução Farroupilha.


Balaiada (1838-1841)
            A Balaiada foi uma luta popular que sucedeu na província do Maranhão durante os anos de 1838 e 1841.
            A revolta surgiu como um levante social por melhores condições de vida e contou com a participação de vaqueiros, escravos e outros desfavorecidos.
            O nome dessa luta popular provém dos "balaios", nome dos cestos fabricados na região.

Principais Causas

            As principais causas da Balaiada estão ligadas à pobreza da população da província maranhense, bem como sua insatisfação diante dos desmandos políticos dos grandes fazendeiros da região.
            Estes lutavam pela hegemonia política e não se importavam com a miséria da população, a qual ainda sofria com as injustiças e abuso de poder pelas autoridades.
            Não obstante, aquela elite política estava dividida entre dois partidos:
ü  Bem-te-vis: liberais, que apoiaram indiretamente os balaios no início da revolta;
ü  Cabanos: conservadores, que estiveram contra aos balaios.
            Enquanto os dois partidos lutavam pelo poder na província, a crise econômica se agravou ainda mais pela concorrência do algodão norte-americano. Isso provocou uma situação insustentável entre as elites e a população carente.
Apesar desta situação, os ruralistas instituíram a “Lei dos Prefeitos”. Ela permitia a nomeação de prefeitos pelo governador da província e causaram vários focos de revolta, dando início à Balaiada.

A Revolta


            Já sabemos que a Balaiada careceu de uma firme liderança. Contudo, algumas figuras se destacaram no levante, especialmente pela capacidade de empreender estratégias de guerrilha contra as forças imperiais.
            Um dos líderes de maior destaque foi também aquele que ascendeu o estopim da revolta da balaiada.
            Ao ter o irmão detido em Vila da Manga, o vaqueiro Raimundo Gomes e seus amigos atacaram a cadeia pública da vila. Libertaram todos os prisioneiros no dia 13 de dezembro de 1838, se apossando de um número considerável de armas e munições.
            Paralelamente, o artesão e fabricante de balaios Manoel dos Anjos Ferreira, resolve fazer justiça com as próprias mãos após um soldado desonrar suas filhas.
            Furioso e determinado, ele monta um bando armado e ataca diversas vilas e fazendas no Maranhão. Em seguida, estes líderes se agrupam e se unem a um terceiro comandante: o negro Cosme Bento de Chagas, quilombola e chefe militar de aproximadamente 3 mil negros.
            Em 1839, após um período de vitórias, nas quais foram capturadas algumas vilas importantes, como Vila de Caxias e Vargem Grande, os revoltosos estabeleceram uma Junta Provisória.
            Contudo, o movimento começa a apresentar sinais de enfraquecimento após a morte de Manoel dos Anjos, o Balaio, atingido por um projétil durante um dos conflitos.
            Neste mesmo ano, assume a liderança o ex-escravo Cosme, o qual se retira do combate e leva suas forças para o sertão.


Batalha Final

            A situação dos revoltosos piorou ainda mais quando o experiente militar, Coronel Luís Alves de Lima e Silva (futuro Duque de Caxias) assume o comando de todas as tropas do Maranhão, Piauí e Ceará. As tropas eram composta de mais de 8 mil homens bem armados no dia 7 de fevereiro de 1840.
            Não sem esforço, o Coronel derrota Raimundo Gomes, o qual, cercado e isolado, se rende e entrega a Vila de Caxias às tropas oficiais. É o inicio do fim.
            Em 1840, o recém coroado imperador Dom Pedro II, resolve anistiar os rebeldes que se entregarem. Imediatamente, mais de 2.500 balaios se rendem.
            Com isso, Luís Alves de Lima e Silva esmaga definitivamente aqueles que continuavam lutando em 1841. Neste mesmo ano, Cosme Bento é capturado e enforcado. Por sua vez, o vaqueiro Raimundo Gomes é expulso da província e morre no caminho para São Paulo.

            Ao retornar vitorioso à capital, o Coronel Luís Alves de Lima e Silva recebeu o título de Barão de Caxias, por ter sufocado esta revolta social.


As Ideias Socialistas, Comunistas e Anarquistas nas Associações de Trabalhadores

Socialismo Utópico
Por Leandro Carvalho

O termo socialismo utópico refere-se à primeira fase do pensamento socialista que se desenvolveu entre as guerras napoleônicas e as revoluções de 1848(“Primavera dos povos”). Os pensadores percursores foram: Conde de Saint-Simon, François-Charles Fourier e Robert Owen.
Segundo estudiosos, o termo socialismo utópico refere-se aos seus primeiros pensadores, citados acima, que ficaram conhecidos como socialistas utópicos. Essa denominação tem a ver com o fato de tais pensadores acreditarem na total transformação da sociedade de forma pacífica, sem a necessidade da luta armada, que seria promovida pela luta de classes e pela revolução proletária.
          As ideias e críticas à sociedade burguesa capitalista no século XIX, realizadas pelos pensadores socialistas utópicos, estão claramente associadas ao pensamento iluminista, pois propagavam que somente com o desenvolvimento da razão e do progresso a felicidade humana poderia ser alcançada.
O principal ideário dos socialistas utópicos era a defesa da igualdade e o principal teórico que os influenciou foi o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, que havia afirmado ser a propriedade privada a origem da desigualdade entre os homens.
A partir dessa filiação teórica iluminista, os socialistas utópicos produziram suas análises e reflexões sobre a sociedade capitalista contemporânea às suas vivências. Um dos grandes pensadores do socialismo utópico que se destacou foi Robert Owen (1771-1858). Nascido na Inglaterra, foi proprietário de uma grande indústria têxtil na cidade de New Lanark. Apesar de ser um burguês, Owen propiciou algumas mudanças na situação de trabalho dos operários em sua fábrica: reduziu a jornada de trabalho do operariado, implantou escolas para os filhos dos trabalhadores (contribuindo para a educação das crianças), construiu casas para os operários (ofereceu melhores condições de moradia e saúde) e aumentou os salários do proletariado.
O Conde de Saint-Simon (1760-1825) foi outro pensador do socialismo utópico. Originário da nobreza francesa “esclarecida”, não concordava com a pobreza e com as desigualdades sociais. Sua principal reivindicação era a livre empresa, continuando com o lucro dos capitalistas, porém estes deveriam assumir responsabilidades sociais e ofertar melhores condições de vida e de trabalho aos operários.
O comerciante francês Charles Fourier também foi um defensor do pensamento socialista utópico. Ele acreditava que a melhoria nas condições de vida e trabalho dos operários aconteceria com a criação de associações e pelo cooperativismo entre o proletariado (produção partilhada por todos). Criticava veemente a sociedade burguesa, que separava o trabalho do prazer. Defendeu a libertação da mulher e a libertação sexual, pois esta última está ligada à liberação dos instintos e a obtenção do prazer.
Para alguns estudiosos, como Friedrich Engels (1820-1895), os socialistas utópicos criavam modelos ideais que não poderiam ser implementados – entretanto o socialismo utópico foi considerado a primeira forma de contestação ao individualismo liberal e corporificou-se como uma possível resposta aos problemas sociais que surgiram durante o processo de industrialização.

Movimento operário no século
      Com a aceleração da industrialização, a crescente concentração de capital e a formação de grandes monopólios no século XIX, diversos países europeus (como a Inglaterra, a França e a Alemanha) se destacaram com o fortalecimento de suas economias. A industrialização trouxe consigo a urbanização, as cidades não cheiravam mais a cavalo (decorrente da grande quantidade de charretes que circulavam nas cidades), mas, sim, à fumaça e óleo (com a introdução dos automóveis no final do século XIX). Assim, uma rápida e desorganizada urbanização se acentuou na Europa.
A partir da ascensão do sistema capitalista (industrialização, formação de mercados, bancos, comércios), ocorreu a ascensão de uma nova classe social: os operários, isto é, os trabalhadores das indústrias capitalistas. Consequentemente, surgiram as relações sociais entre donos das fábricas (exploradores) e trabalhadores das fábricas (explorados) que permearam o dia a dia das indústrias.
Dessas relações nem um pouco amistosas entre capitalistas e trabalhadores surgiram na Inglaterra dois movimentos, os ludistas e os cartistas, que tinham um objetivo em comum: encontrar soluções para os problemas enfrentados pelos operários, principalmente o desemprego (decorrente da introdução nas fábricas de máquinas que substituíram diversas forças de trabalho humana). Tanto ludistas quanto cartistas reivindicavam, através de ações (como a quebra de maquinarias das indústrias), o retorno ao emprego dos trabalhadores desempregados.
          Outra forma de reivindicação operária que não surtiu tanto efeito foi a tentativa de alcançar melhores condições de trabalho solicitando-as ao governo. Geralmente o poder público não atendia a essas reivindicações, pois o próprio governo era dono de indústrias.
Com o decorrer das décadas, o capitalismo foi agregando novas feições, a sociedade passou por crescentes transformações e, assim, os operários necessitavam articular novas formas de lutar por suas causas. Dessa maneira, surgiram os movimentos socialistas, a partir da organização dos trabalhadores.
Os principais movimentos socialistas que surgiram no século XIX foram o anarquismo e o comunismo. Segundo as ideias anarquistas, os operários somente iriam melhorar as condições de vida se o Estado e todas as formas de poder fossem extintas. Daí, temos as seguintes observações, tanto o anarquismo quanto o comunismo pautavam suas metas em transformações sociais profundas, não solicitavam somente mudanças nas relações entre patrões e trabalhadores.
Os anarquistas acreditavam que toda forma de exploração dos seres humanos teria um fim a partir do momento em que a sociedade se organizasse sem autoridade, sem gestores, sem escola, sem polícia, ou seja, sem quaisquer outras instituições estatais.
Para os comunistas, a situação de exploração capitalista acabaria somente quando os operários assumissem o poder estatal, ou seja, o controle do Estado. A partir daí, então, criariam novos valores sociais para aumentar a qualidade de vida da sociedade, acabando, dessa maneira, com a exploração capitalista.
O movimento operário se consolidou e se organizou fundamentalmente no século XIX. A luta trabalhadora havia apenas começado.
O anarquismo foi um movimento contemporâneo às teorias socialistas desenvolvidas por Karl Marx e Friedrich Engels. Um dos primeiros a lançar as primeiras idéias anarquistas foi William Godwin (1756 – 1836), que propôs uma radical transformação nas bases organizacionais da sociedade. Ele acreditava na criação de uma organização comunitária fundada na abolição da propriedade privada e o repúdio a qualquer tipo de lei ou governo. A razão seria o guia maior dessa nova sociedade e a total liberdade ética e política deveriam ser garantidas. Pierre-Joseph Proudhon (1809 – 1865) foi outro importante pensador anarquista. Em sua principal obra “O que é propriedade?”, propôs críticas contundentes ao sistema capitalista. Inspirado por alguns pressupostos do socialismo utópico, ele defendia a criação de um regime político que seria guiado por uma “república de pequenos proprietários”. Bancos e cooperativas deveriam ser criadas para fornecer, sem juros, recursos a toda e qualquer atividade produtiva realizável em pequenas propriedades.

Anarquismo
      O termo anarquismo tem origem grega, e não consiste em um sinônimo de desordem ou baderna. Sua significação mais simples é “sem governo” e, na verdade, resume a oposição política a qualquer forma de poder que limite as liberdades individuais. Os indivíduos na sociedade anarquista devem adotar formas de cooperação voluntária e autodisciplina, capazes de estabelecer um equilíbrio ideal entre a ordem social e as liberdades do indivíduo.
Mikhail Bakunin (1814 – 1876) foi um dos maiores seguidores das teses de Proudhon. Discordante das teorias marxistas, Bakunin não aceitava a idéia de que o alcance de uma sociedade comunista passava pela manutenção de um Estado transitório. Para Bakunin, a abolição do Estado deveria ser imediata.
Por isso, ele defendeu o uso da violência para que os governos fossem rapidamente extinguidos. Nem mesmo os partidos políticos eram vistos como vias de representação da liberdade de pensamento humano.
Essa oposição do anarquismo às instituições se inspira na idéia de que o homem precisa ser completamente livre para o alcance da liberdade. Em outras palavras, o anarquismo defende que a liberdade humana parte dos próprios homens e não atuou fortemente nos sindicatos e mobilizações trabalhistas, entre o fim do século XIX e o início do século XX.de suas instituições. A responsabilidade do indivíduo deveria tomar o lugar das regras dos líderes e governos. Inspirando diversos trabalhadores pelo mundo, a ideologia anarquista

Por Rainer Sousa


Liberalismo e Nacionalismo
Napoleão Bonaparte comandou a invasão de muitos países europeus. Ele tentou acabar com o antigo regime. Implantou leis baseadas no Código Civil. Desse modo, a Revolução Francesa espalhava seus ideais.
No entanto, ele foi vencido por uma união da forças da Inglaterra e por países ainda do Antigo Regime. Os representantes desses países (‘vencedores’) se reuniram no Congresso de Viena, com o objetivo de desfazer o que Napoleão havia feito na Europa. Esses representantes queriam apagar o passado revolucionário. Seria como se o Antigo Regime nunca tivesse sido abalado e Napoleão não tivesse nem nascido. Os antigos reis absolutistas voltaram a governar e leis que favoreciam os aristocratas foram reativadas. A fim de evitar novas revoluções, os governos formaram uma união militar, chamada Santa Aliança. Toda vez que estourasse uma revolução num país da Europa, a Santa Aliança enviaria tropas para  acabar com o movimento.
Eles acreditavam que podiam manter o Antigo Regime para sempre. Mas os acontecimentos mostraram que não era possível. Quanto mais as cidades e as indústrias iam crescendo, mais fortes ficavam a burguesia, os intelectuais e os operários (forças sociais que rejeitavam o Antigo Regime).

O Liberalismo
Os aristocratas podiam estar satisfeitos com a situação da Europa pós-Congresso de Viena, mas grande parte da população não estava. Burgueses, intelectuais, artesãos… tinham motivos de sobra para se sentirem oprimidos pelo absolutismo. As idéias políticas liberais conquistaram muitos adeptos entre esses grupos sociais. O liberalismo político tinha origem nas idéias dos iluministas. Os liberais defendiam em primeiro lugar as liberdades individuais: a liberdade de discordar do governo, de protestar, etc.
Mas nem todos os liberais eram democratas. Os liberais tradicionais queriam que o voto fosse censitário, ou seja, consideravam que só as pessoas com boa posição social deveriam ter o direito de voto. Já os liberais radicais (democratas) discordavam. Eles defendiam o sufrágio universal, ou seja, o direito de voto para todos.   

O Nacionalismo 

A Itália e a Alemanha eram compostas por dezenas de pequenos Estados. O que os alemães e os italianos queriam era a união desses pequenos Estados em um só.
O Liberalismo era o movimento político em favor da liberdade dos indivíduos, e o Nacionalismo era o movimento político em favor da liberdade e da autonomia dos povos, do direito de criarem seus próprios estados.

As revoluções na França
Nos anos de 1820, 1830 e 1848, estouraram diversas rebeliões populares. Logo após o Congresso de Viena (1815), a França foi governada pelo rei Luís XVII. Ele não foi um monarca absolutista. Perseguiu os que simpatizavam com a revolução de 1789 ou com Napoleão Bonaparte.
A partir de 1824, o rei Carlos X assumiu o trono. Ele censurou a imprensa e reprimiu os opositores ao regime.Em 1830, a população se rebelou em Paris e o rei Carlos X teve de renunciar. Assumiu então um novo rei, Luís Filipe de Orléans.
O rei Luís Filipe ficou conhecido como o “rei dos banqueiros” (indica que ele favoreceu os grandes capitalistas). Durante seu reinado, a França teve um período de grandes avanços econômicos e industriais. Mas cresceu a desigualdade social. Os burgueses iam ficando milionários, enquanto os operários permaneciam na penúria. Em 1848, houve uma grande crise econômica. Os salários baixaram e o desemprego cresceu, as colheitas foram ruins e a comida escasseou. A insatisfação popular explodiu numa grande revolução. Operários e artesãos juntaram-se a estudantes e pequenos burgueses, e tomaram as ruas da capital. O rei Luís Filipe foi derrubado. A França voltava a ser uma república.
Os principais partidos políticos de oposição organizaram um governo provisório. Esses “socialistas” defendiam reformas, como o sufrágio universal e a criação de oficinas de artesanato do Estado, que dariam trabalho aos desempregados.
Diante da grave situação econômica, os operários de Paris se rebelaram. Foram duramente reprimidos pela Guarda Nacional, e as ruas da capital ficaram tomadas por cadáveres e poças de sangue. A grande burguesia saiu vencedora.
Nessa época houve eleições para um novo presidente da República. As pessoas queriam a ordem e a tranqüilidade a qualquer preço. Então, Luís Bonaparte foi eleito presidente da França. Ele era sobrinho-neto de Napoleão Bonaparte, e usou o sobrenome ilustre para prometer dias fantásticos para a França. Apoiado pela burguesia e pelos militares, liderou em 1852 um golpe de Estado e tornou-se ditador.

A Primavera dos Povos

O ano de 1848 foi o mais revolucionário do século XIX, em muitas regiões. Por isso recebeu o apelido de o ano da Primavera dos Povos. Em vários outros países europeus eclodiram revoltas populares. Nas principais cidades homens e mulheres ocuparam as ruas, ergueram barricadas (usaram entulhos para bloquear as ruas) e enfrentaram as tropas dos governos autoritários.


Autoria: Daniel A. de Lima



A Expansão Territorial dos Estados Unidos da América no século XIX

EUA no Século XIX

A primeira metade do século XIX na História dos EUA foi marcada pela conquista de territórios em direção ao Oceano Pacífico, conhecida como "a marcha para o "Oeste". A população passou de 3.900.000 em 1790 para 7.200.000 em 1810, compondo uma sociedade essencialmente agrária, formada por granjas no Nordeste e grandes latifúndios exportadores no Sudeste.

Fatores da Expansão

         Vários fatores são colocados para explicar essa expansão, vejamos a seguir. A imigração nesse período foi muito intensa, vinda principalmente da Alemanha, Irlanda e Inglaterra, sendo que os motivos para esse deslocamento está ligado a dificuldades financeiras pelas quais a população europeias passava, os camponeses eram expulsos da terra devido à concentração fundiária e os artesãos não conseguiam empregos devido à mecanização industrial nas cidades. No início do século XIX a população norte-americana passava a contar com cerca de sete milhões de habitantes. Esse crescimento demográfico e a pequena área do país contribuíram para que se pretendesse ocupar terras a Oeste, em razão da necessidade de aumentar a produção agrícola e a área destinada aos rebanhos.
A Economia dos EUA no Século XIX
A partir da segunda metade do século XIX a pecuária chegou a ocupar um quarto do território americano, em terras que se estendiam do Texas ao Canadá. A descoberta de ouro na Califórnia, em 1848, estimulou uma corrida em busca de "riqueza fácil", incentivando o deslocamento populacional. Além disso, a construção de ferrovias, iniciada em 1829, barateava o transporte. Em fins do século XIX a quantidade de quilômetros de linhas férreas nos Estados Unidos era maior que a soma de todos os países europeus. Em 1890, a ferrovia ligava a Costa do Atlântico ao Pacífico. a expansão para o Oeste foi justificada pela doutrina do "Destino Manifesto", que pregava serem os norte-americanos destinados por Deus a conquistar e ocupar os territórios situados entre o Atlântico e o Pacífico.

Mecanismos de Conquista

a) Compra de Territórios

Pelo Tratado de Versalhes, 1783, firmado com a Inglaterra, o território dos Estados Unidos abrangia da Costa do Atlântico até o Mississipi.


No século XIX, essa realidade se altera consideravelmente.

Em direção ao Oeste aparece o território da Louisiana, colônia francesa, que Napoleão Bonaparte - devido às guerras na Europa e Antilhas, Haiti - negociou com os norte-americanos por 15 milhões de dólares (1803).
A Flórida foi comprada dos espanhóis, em 1819, por cinco milhões de dólares. A Rússia vendeu o Alasca aos Estados Unidos por sete milhões de dólares.

b) Diplomacia

A anexação de Óregon - Noroeste -, colônia inglesa, região que despertou pouco interesse até 1841, foi cedida aos americanos em 1846.

c) Guerra

O Sudoeste americano pertencia ao México. A conquista desse território ocorreu através da guerra.


Em 1821, os colonos americanos passaram a colonizar esse território com autorização do governo mexicano, que exigiu-lhes a lealdade e a adoção da religião católica por parte dos pioneiros.
Em 1853, foi completada a anexação de territórios do México com a incorporação de Gadsden. Metade do território mexicano havia sido perdida para os Estados Unidos. Lázaro Cárdenas, presidente mexicano (1934-1940), em relação ao imperialismo norte-americano comentou: "Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos".

d) A guerra de extermínio contra os indígenas

As maiores vítimas da marcha para o Oeste foram os indígenas. Estes encontravam-se em estágios de pouco desenvolvimento se comparados aos astecas, maias e incas, daí sua dificuldade para resistir ao domínio e força dos brancos europeus.
Os norte-americanos acreditavam que, além de serem os predestinados por Deus a ocuparem todo o território, deveriam cumprir a missão de civilizar outros povos. Nesse sentido, contribuíram decisivamente para o extermínio da cultura e da pessoa física do indígena.
As tribos do Sul, mais desenvolvidas, proporcionam uma resistência maior à ocupação do branco. No entanto, a única opção das tribos indígenas foi a ocupação de terras inférteis em direção ao Pacífico, até o seu extermínio de índios", "o único índio bom é um índio morto".


4º Bimestre 
Economia cafeeira
Seguindo os caminhos percorridos anteriormente pela cana-de-açúcar, o café atinge o oeste paulista (de Campinas a Ribeirão Preto) em meados do século XIX.
Nessa região de terra roxa, desenvolve-se de maneira extraordinária, superando em pouco tempo a produção das áreas tradicionais do vale do Paraíba. Na década de 1860, o porto de Santos torna-se o primeiro centro portuário de exportação do país.

Grandes fazendas
As fazendas do Vale do Paraíba, primeiro centro cafeeiro da região Sudeste, não têm mais do que 50 mil pés de café. As do oeste paulista, por sua vez, chegam aos 600 mil ou 800 mil cafeeiros. Nos últimos anos do século XIX, tornam-se empresas modernas e mecanizadas – utilizam equipamentos aperfeiçoados, como ventiladores, despolpadores e separadores de grãos. Em conseqüência, surgem várias tarefas especializadas em seu interior, aumenta a divisão do trabalho e a produtividade.

A Economia do Café
O café foi introduzido no Brasil no ano de 1717, porém a sua produção só veio adquirir importância no início do século XIX tendo como causa principal a decadência da produção do ouro, para onde estavam voltadas as atenções da economia da colônia.
O café foi o fator de recuperação econômico-financeira do país: ele reintegrou a economia brasileira, essencialmente agrícola, nos setores em expansão do mercado mundial.
Além dos mercados europeus, o café brasileiro começa a invadir o mercado norte-americano, tornado-se, ainda neste século, o principal consumidor do Brasil. Por volta de 1870, o café representa 56% da pauta de exportações, atingindo 61% na década de 1880.
A organização das fazendas de café no vale da Paraíba e em Minas Gerais defrontou-se com a falta de mão-de-obra. A ampliação dos cafezais aumentou a necessidade de trabalhadores de tal forma, que foi preciso comprar escravos do exterior, embora os ingleses, de quem dependíamos economicamente, fizessem pressões para eliminar o tráfico negreiro.
Diante de tantas promessas não cumpridas em relação a extinção do tráfico, os ingleses decretaram o Bill Aberdeen, decreto através do qual a Inglaterra tinha o direito de aprisionar qualquer navio negreiro e julgar os traficantes. Esse decreto, além de não diminuí o comércio escravo, aumentou sensivelmente seu preço.
Finalmente, em 1850, cedeu-se às pressões inglesas e promulgou-se a Lei Eusébio de Queiroz, extinguindo-se definitivamente o tráfico. A solução para falta de mão-de-obra na lavoura cafeeira apoiou-se no incentivo à imigração.
As divisas provenientes do café, principal produto da economia, possibilitaram o pagamento dos financiamentos das obras do governo e posteriormente no setor industrial. A partir de 1850, alcança o Império, o equilíbrio orçamentário e a estabilidade cambial. Acumula-se capitais, efetuando-se obras administrativas de grande porte.
Em pouco tempo as dívidas forçavam o imigrante a sujeitar-se a um regime de semi-escravidão.
Em 1857, os colonos de Ibicaba se revoltaram levando as autoridades germânicas a proibir a imigração para o Brasil.
Fracassando o sistema de parceria, os fazendeiros passaram a pagar ou um preço fixo por alqueire trabalhado, ou uma remuneração fixa mensal: introduzia-se no país o trabalho assalariado.
Com a implantação da economia cafeeira em bases capitalistas, surge uma nova classe dominante: a burguesia cafeeira.


Os proprietários ligados ao café comandavam todos os setores da economia, coisas que não aconteciam nos engenhos de açúcar, onde os proprietários apenas cuidavam da produção, ficando a comercialização e o setor financeiro a cargo de outros setores.


Escravidão e Abolicionismo

Sociedade
O Segundo Reinado foi também marcado pela crise do escravismo:
O tráfico de escravos africanos foi abolido oficialmente em 4 de setembro de 1850 pela Lei de Queiroz. A aprovação da Lei Eusébio de Queiroz decorreu das pressões inglesas e das condições internas propícias ao término do comércio negreiro. O fim do comércio negreiro trouxe inúmeras conseqüências. Foi o primeiro abalo da sociedade escravista, pois a reposição de mão-de-obra não podia ser feita internamente, através do crescimento vegetativo, em virtude da alta taxa de mortalidade dos cativos. Os capitais disponíveis do tráfico foram aplicados em outras atividades urbanas, incrementando o comércio e algumas manufaturas, em especial no Rio de Janeiro, na década de 1850. Apesar das inúmeras tentativas de contrabando de escravos até a década de 1860, o tráfico africano foi extinto definitivamente.

A Campanha Abolicionista
Lei do Ventre Livre: Promulgada em 28 de setembro de 1871, fez parte das etapas pelas quais foi encaminhada a extinção da escravatura pelo governo imperial brasileiro. Proposta pelo imperador, apesar de grande oposição dos fazendeiros, declarava livres os filhos de mulher escrava nascidos após a lei, e libertava os pertencentes à coroa. O visconde do Rio Branco, presidente do Conselho de Ministros, conseguiu a aprovação da lei, que produziu poucos efeitos. Os filhos de escravas ficavam em poder dos senhores até a idade de 8 anos, que na prática continuavam a usar seus serviços, sendo raros os casos de entrega menor ao poder público.
Lei dos Sexagenários ou Lei Saraiva-Cotegipe: Fez parte das etapas pelas quais foi encaminhada a extinção da escravatura pelo governo imperial brasileiro. Proposta por um gabinete liberal presidido por José Antônio Saraiva, concedia liberdade aos cativos maiores de 60 anos e estabelecia normas para a libertação gradual de todos os escravos, mediante indenização. Aprovada pelo Senado, em 1885, foi pensada como forma de deter o abolicionismo radical, não alcançando, no entanto, seu objetivo.
Lei Áurea: Nome dado à lei assinada no dia 13 de maio de 1888, pela princesa Isabel, declarando extinta a escravidão no Brasil. Resultante de uma longa campanha política, a proposta de lei apresentada à Câmara dos deputados, no dia 8 de maio, pelo então ministro da Agricultura conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, foi analisada e votada, em regime de urgência, sendo aprovada por 83 votos contra nove. Após a aprovação na Câmara, o projeto foi encaminhado ao Senado, que o aprovou também com grande maioria.

As etapas da campanha abolicionista
Após a extinção do tráfico negreiro (1850), cresceu no país a campanha abolicionista, que foi um movimento público pela libertação dos escravos.
A abolição conquistou o apoio de vários setores da sociedade brasileira: parlamentares, imprensa, militares, artistas e intelectuais. Mas os defensores da escravidão ainda conseguiram sustentá-la por bom tempo. No Brasil, o sistema escravista foi sendo extinto lentamente, de maneira a não prejudicar os proprietários de escravos.

As principais leis publicadas nesse sentido foram:

Lei do Ventre Livre (1871): declarava livres todos os filhos de escravos nascidos no Brasil. 
Lei dos Sexagenários (1885): declarava livres os escravos com mais de 65 anos, o que significava libertar os donos de escravos da “inútil” obrigação de sustentar alguns raros negros velhos que conseguiram sobreviver à brutal exploração de seu trabalho.
Com leis desse tipo, que não resolviam o problema da escravidão, os proprietários de escravos conseguiram ganhar tempo e adiar, ao máximo, a abolição final.
Somente em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea promulgada pela princesa Isabel, filha de D. Pedro II, a escravidão foi extinta no Brasil.

Quem fez a abolição?
A luta política pelo fim da escravidão é conhecida como Campanha Abolicionista.
A abolição não foi obra só desta elite de intelectuais. O fim da escravidão era uma exigência do capitalismo industrial e do desenvolvimento econômico do país.

As resistências do Brasil
Apesar das crescentes pressões britânicas, o tráfico continuou impune no Brasil.
E a razão era simples: toda a economia brasileira, desde a época colonial, estava assentada no trabalho escravo. Em tal circunstância, a abolição do tráfico criaria enormes dificuldades à economia, comprometendo as suas bases produtivas.
Ademais, desde a abdicação de D. Pedro I em 1831, os senhores rurais haviam se apropriado do poder político, o que fortalecera consideravelmente a sua posição na sociedade. Por isso, nenhum dos acordos assinados com a Inglaterra foi cumprido, de modo que o tráfico continuou com o consentimento tácito das autoridades.
A Inglaterra, por sua vez, esforçou-se para fazer cumprir os termos dos tratados, de modo unilateral. E o fez em meio a dificuldades, pois os traficantes, cercados em alto mar, atiravam os negros ao oceano, atados a uma pedra que os impedia de vir à tona. Além disso, o tráfico, ao invés de se extinguir, continuou a crescer incessantemente.
A passividade do governo brasileiro ante o tráfico e, portanto, o não cumprimento dos compromissos assumidos através de vários tratados fez a Inglaterra tomar uma atitude extrema. Em oito de agosto de 1845, o Parlamento britânico aprovou uma lei, chamada Bill Aberdeen, conferindo à Marinha o direito de aprisionar qualquer navio negreiro e fazer os traficantes responderem diante do almirantado ou de qualquer tribunal do vice-almirantado dos domínios britânicos.
A repressão ao tráfico foi assim intensificada, e os navios britânicos chegaram a apreender navios em águas territoriais brasileiras, até mesmo entrando em seus portos.

A lei Eusébio de Queirós (1850)
Em março de 1850, o todo-poderoso primeiro- ministro Gladstone obrigou o Brasil ao cumprimento dos tratados, ameaçando- o com uma guerra de extermínio.
O governo brasileiro finalmente se curvou ante as exigências britânicas e em quatro de setembro de 1850 promulgou a lei de extinção do tráfico pelo ministro Eusébio de Queirós.

Conseqüências da extinção do tráfico
A lei Eusébio de Queirós, que pôs fim ao tráfico negreiro de forma súbita, como se verifica na tabela liberou uma soma considerável de capital, que passou a ser aplicado em outros setores da economia. As atividades comerciais, financeiras e industriais receberam um grande estímulo.
Em 1854 começou a funcionar a primeira estrada de ferro brasileira, de Mauá a Fragoso (futura Leopoldina Rafways); em 1855, iniciou-se a construção da estrada de ferro D. Pedro II (futura Central do Brasil); o telégrafo apareceu em 1852. Enfim, um novo horizonte se descortinou.
Com a abolição do tráfico, os dias da escravidão no Brasil estavam contados e, portanto, os dias de existência do Império, cuja riqueza baseava-se fundamentalmente no fruto do trabalho escravo, também estariam no fim. Basta que nos lembremos que a escravidão foi abolida em 1888 e o Império caiu já no ano seguinte, em 1889.


Como ficaram os negros?



Depois da Lei Áurea, a situação social dos negros continuou extremamente difícil. Não tinham dinheiro para trabalhar por conta própria, não tinham estudo para conseguir um melhor emprego, não tinham qualquer ajuda do governo.
Muitos dos ex-escravos ficaram trabalhando nas mesmas fazendas em que já estavam. E nelas o negro continuou sendo explorado maneira cruel e desumana.

O fim do tráfico negreiro
Em 1850, foi extinto o comércio de escravos para o Brasil, pela lei Eusébio de Queiros. Isso liberou grande soma de dinheiro, até então destinada à compra de escravos, para ser aplicada em outros setores da economia.
Começaram a surgir indústrias de sabão, vela, chapéu, cigarro, cerveja, tecido de algodão etc. Surgiram também bancos, empresas de navegação, ferrovias, companhias de seguros, mineradoras etc.


Na última década do império (1880-1889), o Brasil já contava com 600 indústrias, que empregavam quase 55 mil operários nos setores têxtil, alimentar, químico, de madeira, vestuário e metalurgia.


Formas de Resistência(Quilombos) e o Fim do Tráfico Negreiro e da Escravidão
 
Principais Quilombos Brasileiros

 

Quilombos no Brasil e a singularidade de Palmares
O objetivo deste texto é oferecer a profissionais da Educação formal e não-formal subsídios a respeito da contribuição dos Quilombos articulados a outros diferentes núcleos de resistência ao colonialismo, à escravidão, à dominação ocidental-européia e, ao mesmo tempo, apontar para o significado dessa memória de nossos antepassados e sua continuidade afro-brasileira, na sociedade contemporânea. Essas organizações, são hoje, denominadas Comunidades Remanescentes de Quilombos.
Os Quilombos representam uma das maiores expressões de luta organizada no Brasil, em resistência ao sistema colonial-escravista, atuando sobre questões estruturais, em diferentes momentos histórico-culturais do país, sob a inspiração, liderança e orientação político-ideológica de africanos escravizados e de seus descendentes de africanos nascidos no Brasil. O processo de colonização e escravidão no Brasil durou mais de 300 anos. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravidão, através de uma lei que atirou os ex-escravizados numa sociedade na qual estes não tinham condições mínimas de sobrevivência.
Quilombo é um movimento amplo e permanente que se caracteriza pelas seguintes dimensões: vivência de povos africanos que se recusavam à submissão, à exploração, à violência do sistema colonial e do escravismo; formas associativas que se criavam em florestas de difícil acesso, com defesa e organização sócio-econômico, política própria; sustentação da continuidade africana através de genuínos grupos de resistência política e cultural. (NASCIMENTO, 1980, p.32)
Desde o princípio da colonização no século XVI, os africanos escravizados se engajaram num combate firme contra a condição de escravizados em núcleos de resistência diversos. Os quilombos, entre os quais destaca-se a República de Palmares, a Revolta dos Alfaiates, Balaiada, Revolta dos Malês, entre tantos outros núcleos que continuam no pós-abolição em oposição às conseqüências da escravidão, continuam numa luta por uma liberdade que sempre lhes foi negada (NASCIMENTO, 1980).
Os Quilombos continuam sendo sociedades livres, igualitárias, justas/soberanas em busca de felicidade. Eram sociedades político-militares, que nasceram de movimentos de insurreições, levantes, revoltas armadas, proclamando a queda do sistema escravocrata. Freqüentemente aqueles movimentos tomavam a forma de quilombos à semelhança de Palmares. Os quilombos existiram em múltiplos pontos do país em decorrência das lutas ocorridas em diferentes lugares onde houvesse negação de liberdade, dominação, desrespeito a direitos, acrescidas de preconceitos, desigualdades e racismo.
A dimensão dos quilombos variava de acordo com a proporção de habitantes, tamanho das terras ocupadas, e estrutura da produção agrícola organizada nos lugares onde se eram estruturados.
“O Quilombo é liberdade, fica quem vier por amor à liberdade”.
Os quilombos eram sociedades avançadas, do ponto de vista da organização, dos princípios, de valores, de práticas de socialização, de regime de propriedade.

A ARTICULAÇÃO DOS QUILOMBOS COM OUTROS NÚCLEOS DE RESISTÊNCIA NEGRA
Nessa perspectiva de articulação entre a luta dos quilombos e a densidade da resistência negra em outras iniciativas, na dinâmica do combate à escravidão, Nascimento (1980) nos relembra que a memória dos afro-brasileiros não se inicia com o tráfico de africanos escravizados, nem nos primórdios da escravização dos africanos no século XV.
Ao contrário, os africanos trouxeram consigo saberes a respeito das mais diversas áreas do conhecimento: culturas, religiões, línguas, artes, ciências, tecnologias.
Africanos de diferentes grupos étnicos mesclam-se nos quilombos, como forma de resistir a uma determinação política anterior de separá-los de tudo o que significasse expressão identitárias de um povo: línguas, famílias, costumes, religiões, tradições. Tudo isso é retomado em todos os momentos da resistência quilombola, na reinvenção de políticas e estratégias de luta pela liberdade, sempre com postura crítica, face ao colonizador, ao escravocrata, ao imperialista.
Esses núcleos de resistência têm continuidade e interagem com os quilombos através de suas quilombolas tradições, valores, costumes, mitologias, rituais, formas organizativas, organização familiar, experiência de socialização, o que alguns autores denominam de comunalismo africano.
Os quilombos viviam nas florestas, nas matas, nas montanhas e, ao mesmo tempo, em contato com a sociedade envolvente que as rodeava, as vigiava, controlava e perseguia.
É a partir desses indicadores que o conceito de Quilombo transcende, ganha proporções de uma orientação para a EDUCAÇÃO, para formação de pessoas, para fortalecer a crença na riqueza das diferenças étnicas e culturais que constituem a sociedade brasileira entre indígenas originários da terra, africanos e colonizadores europeus.
Nesses contatos construíam-se novos processos dentro da própria guerra, com as suas contradições inerentes aos conflitos de grupos, de interesses, de ideologias, nascidos no interior da própria estrutura.

Navio Negreiro

Através dos navios negreiros, é que os negros africanos capturados em suas terras eram submetidos para as viagens cuja história é a mais comovente epopéia de dor e de desespero da raça negra.
Onde homens, mulheres e crianças eram amontoados nos cúbicos escuros das galeras através das vastidões dos mares.
Com fome, sede e de mãos dadas com as doenças, onde os negros fortes provindos de diferentes pontos e de diferentes raças misturados como carga comum nos bojos dos navios negreiros, acabavam se tornando verdadeiras feras acuadas onde o dia se confundia com a noite, com seus gemidos mórbidos e suas algaravias de diferentes línguas em razão dos mais variados tribos, é que com seus rosnados dilaceravam-se mutualmente nas mínimas disputas que se propagavam nos ambientes estreitos das embarcações daqueles homens severos e maus que só se preocupavam com o rendosos negócio que a escravaria oferecia, e a obra do navio negreiro na África foi verdadeiramente vandálica, destruidora e sanguinária em razão do número de raças exportadas de todos os recantos.
E quando o navegador Antão Gonçalves aportou em Portugal com uma leva de escravos capturados na ilha de Arguim, o reino português tratou de organizar uma companhia marítima com o objetivo de incentivar e desenvolver o rendoso comércio de tráfico de escravos africanos, e para isto criou a Companhia de Lagos que empreendeu a sua viagem inaugural através de uma expedição comandada pelo escudeiro Lançarote que ao retornar em 1444 desembarcou no Algarves duzentos e trinta e cinco negros cativos.
E devido ao resultado alcançado pela Companhia de Lagos e as lutas entre as várias feitorias estabelecidas na África para fornecimento de escravos, acabou motivando a formação de diversas companhias negreiras, e que entre elas podemos citar a Companhia de Cacheu no ano de 1675, Companhia de Cabo Verde e Cacheu de Negócios de Peretos em 1690, Companhia Real de Guiné e das Índias em 1693, Companhia das Índias Ocidentais em 1636 e que devido ao êxito por ela alcançado nas viagens para o Brasil a mesma inspirou ao padre jesuíta Antônio Vieira na criação em 1649 da Companhia Geral do Comércio do Brasil e no ano de 1679 da Companhia do Estado do Maranhão, e em 1723 da Companhia da Costa da África e através do tino do marquês de Pombal foram criada as Companhia do Grão Pará e Maranhão e a Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba, que juntas transportaram um grande número de negros escravos da África.
Dos grupos de Guiné e Nigricia foram importados os Jalopos que eram exímios navegadores, Mandingas que haviam sido convertidos ao Maometismo e eram muitos inteligentes e empreendedores.
Yorubas ou Minas eram de uma raça forte, robusta e hábil, Felupos foram considerados como sendo os mais selvagens de todas as raças, Fulas que se dividiam em Pretos, Vermelhos e Forros com ascendência dos Chamita, Sectários de Maomet era o grupo mais organizado e valente de todos eles, Balantos de comportamento altamente democrata, Biafadas eram ótimos marinheiros e os grupos Papéis, Manjacos, Nalus, Bahuns que não possuíam nenhuma classificação e das regiões do Congo e Angola tivemos do grupo Banto os Ba-Congos que eram considerados como a tribo mais avançada da África, Djaggas que haviam sido convertido ao cristianismo, Cabindas que eram excelentes trabalhadores, e os Mussurongos, Eschicongos, Jagas e seus afins Ban-Galas e do grupo Fiote tivemos os Bamba e os Hollos, Ambaquistas, e do sertão africano tivemos os Ma-Quiocos que eram hábeis caçadores, Guissamas eram muitos hábeis e valentes, Libollos eram excelentes agricultores e extremamente pacíficos.
Do grupo Bunda vieram todas as tribos, e do grupo N’Bundo vieram os Ba-Nanos, Ba-Buenos e os Bailundos, os Bailundos que eram muitos aguerridos, altos e fortes.
Os Bihenos que possuíam o Dom artístico muito apurado, e do grupo Janguellas ou Baagangellas tivemos os Ambuellas que se tornaram grandes mineradores nas minas de ferro, os Guibandes que por se tratar de uma tribo muito pacifica possuíam o Dom artístico muito apurado, os Banhanecas e os Ba-Ncumbis eram excelentes pastores e agricultores, e dos grupos Bantos Orientais os Macuas eram muitos faladores e inteligentes, os Manimdis e os Manguanguaras eram extremamente selvagens, os Nyanjas ou Manganja eram muitos inteligentes e pacíficos, os Mavias eram bons pescadores e do Senegal tivemos os Muzinhos, Maraves e os Ajaus que em sua terra exerciam o comércio de marfim, e do ramo dos Bochimanos e Hotentotes tivemos os Ba-Cancalas, Bacubaes, Ba-Corócas, Ba-Cuandos, Ba-Cassequeres, Basutos, Bechhuanas e os Nubios.
Fonte: www.segal1945.hpg.ig.com.br
 
Navio Negreiro
NAVIOS NEGREIROS: TIPOLOGIAS, FABRICAÇÃO E MANEJO DA CARGA DAS EMBARCAÇÕES UTILIZADAS PARA O TRÁFICO DE AFRICANOS PARA O BRASIL.
O Brasil formou-se na escravidão o processo mais longo de sua história. Não se pode compreender o Brasil sem se voltar ao continente africano.
O tráfico de escravos conduziu sua economia e sua formação ao longo de mais de 300 anos.
Com base em recentes estudos históricos analisar-se-á as tipologias das embarcações utilizadas para o tráfico de africanos para o Brasil entre fins do século XVIII e meados do XIX, seus tamanhos, seus fabricos, a qualidade dos materiais empregados, os locais onde eram construídos, suas tripulações, a mão de obra empregada nesse processo e o manejo de sua carga no curso das viagens que partiam de Angola e abasteciam de escravos o Rio de Janeiro e outras áreas do centro-sul brasileiro.
A contribuição da África para a cultura universal, tem sido crescentemente valorizada por um número cada vez maior de pesquisas, resultando numa extensa bibliografia. A contribuição direta dos segmentos da população africana é percebida desde os primórdios da colonização no Brasil, mesmo tendo sido suas práticas abafadas, marginalizadas ou deturpadas, comprometendo, assim a sua inserção plena no processo social brasileiro mais amplo. Tal repressão cultural, quando muito disfarçada pelo mitoda democracia racial, desdobra-se, aliás, em um não reconhecimento de valores epráticas sociais de raízes africanas interiorizadas no conjunto da população brasileira.
Entre 40% e 60% da população brasileira possui ascendência africana. A herança negro-africana é também acentuada no domínio das práticas religiosas, da música, da dança, da oralidade, da culinária, do artesanato, das técnicas agrícolas tradicionais e da linguística. A abertura dos portos africanos teve efeitos profundos sobre a África.
A vinda de milhares de africanos para o Brasil, que faziam a travessia num canto de um navio regido pela violência e abarrotado de gente cheia de medo, cansaço, sede e fome transformou-se no objeto de estudo sobre o tráfico, conhecendo os modos por meio dos quais se dava a captura dos escravos na África e a variedade de gentes envolvidas nesse processo.
Gravuras como de Johan Moritz Rugendas, Negros no porão, tornaram-se a imagem do tráfico negreiro e foram objetos de novas leituras no decorrer do tempo, transformando-se em retrato cristalizado e fiel das condições em que o tráfico negreiro para o Brasil era realizado. Essa gravura específica tornou-se um clássico na ilustração de livros sobre o tema.
Descendendo de família de artistas, Rugendas, pintor alemão que viveu alguns anos no Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX, descreveu o navio negreiro pondo em cena o porão e as atrocidades que nele ocorriam. Robert Slenesidentifica semelhanças entre o texto da Viagem Pitoresca de Rugendas e Memória a respeito dos escravos e o tráfico da escravatura entre a costa d’África e o Brasil, escrita por Luiz Antonio de Oliveira Mendes e publicada originalmente em 1793, além de outras obras que teriam servido como fonte de inspiração para as gravuras do artista bávaro que elaborou suas próprias descrições, sem ao menos ter posto os pés em um tumbeiro.
Um dos poucos viajantes a pisar em um navio carregado de africanos foi Robert Walsh. Ainda no litoral africano, o navio em que ele viajava encontrou-se comum negreiro brasileiro, uma embarcação bem armada e com equipagem internacional.
Depois de uma longa perseguição, o negreiro apreendido foi descrito como: “De convés amplo com seu mastro principal de velas latinas; atrás do mastro de proa estava situado o enorme canhão (…) O teto era tão baixo e o lugar tão apertado que eles ficavam sentados entre as pernas uns dos outros, formando fileiras tão compactas que lhes era totalmente impossível deitar ou mudar de posição, noite e dia (…) Onde não entrava luz nem ventilação a não ser nos pontos situados imediatamente embaixo das escotilhas”. (WALSH apud RODRIGUES, 2005;83).
Nos textos dos viajantes, nas gravuras, nos poemas, em grande parte das descrições dos tumbeiros, os africanos escravizados são representados apenas no porão, sendo a imagem que se tem dos navios negreiroslimitada a este compartimento, independente do tempo como se não houvesse ocorrido mudanças na arquitetura naval.
O tráfico de escravos para o Brasil fazia-se em diferentes embarcações, que se transformaram ao longo do tempo.

As mudanças técnicas e espaciais envolveram trabalho humano e influíram na maneira pelas quais os africanos escravizados foram obrigados a fazer a travessia do Atlântico.



O navio Negreiro adaptado para o século XXI


Navio Negreiro

I

'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!
Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!
Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!
Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................
Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!
Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.

II

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.
Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!
O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!
Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu ...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu! ...

VI

Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!as é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
I

Estamos em plena Praça da Sé – Perdidos, malucos!
A umidade do ar bate recorde – difícil respirar
Estamos cansados de tanto correr
Tal qual uma massa enlouquecida
Estamos em plena Praça da Sé – Centro da cidade
Pessoas amassadas qual sardinha em latas
A máquina exala sua fumaça - chaminé,
— A multidão exausta e desolada pela consternação...
Estamos em plena Praça da Sé ... Dois mundos
Ali se percebe em um abraço insano
Negros, brancos, amarelos, vermelhos, ricos e pobres...
Quem é verdadeiramente bom ou ruim?
Estamos em plena Praça da Sé... Abrindo o coração
O hálito quente que sai de tantas bocas
Transpassa as narinas e vai de encontro aos vidros
Fazendo escorrer o suor de tantas palavras não ditas..
De onde viemos? Para onde vamos? Caminhos errantes
Quem sabe o rumo a tomar com tão pouco espaço?
Neste Saara não há mais cavalos
Que outrora galopavam deixando seus rastros.
Feliz quem esteve aqui outrora
Sentir desse período a bondade, a majestade!
Estamos embaixo da terra — acima, o concreto ...
E não há céu, apenas a imensidão de carros e insanidade!
Não consigo sentir a brisa! Estou sufocado
O que vem aos meus ouvidos é o ranger dos trilhos!
Meu Deus! Tão humilhante estar aqui!
Tantos vagões superlotados!
Somos rudes! Tornamo-nos rudes! Situações diversas...
Crivados por tantos duros golpes do destino!
Aqui somos como grãos de areia em pleno deserto
Na pátria profunda desse suposto Saara.
Ei, você! Por favor, espere! Deixe que eu grite
Os horrores das maldades da cidade,
A música que se ouve são as buzinas e as máquinas
Que produzem a falsa melodia aos nossos ouvidos...

Por que motivo o tempo passa tão depressa assim?
Por que escorre assim por entre meus dedos?
Quem me dera fazê-lo parar
Para poder assim apreciar – como um lunático!
Relógios e mais relógios, máquinas incansáveis
Que não dormem e nos fazem perder as noites,
Através das batidas ferozes de seus ponteiros,
Senhor do tempo, preciso demais de você!

II

Para quem importa saber quem sou eu?
De quem sou filho, de onde venho?
Nada disso adianta a ninguém
Aqui na selva de aço, é cada um por si mesmo,
Porém a morte é para todos, igualmente!
Neste pequeno espaço que me é cedido
Braços e pernas me tocam, não por minha vontade!
Mãos presas ao aço frio da mesma barra tocada por tantos
Olhares perdidos no tempo
Aguardando sempre a próxima etapa do “jogo da vida”.
Somos uma junção de raças distintas: de Portugal, o idioma
Que lembra da colonização,
E de tantas lutas para acabar com ela!
Da Itália, a mão de obra para substituição dos escravos!
O vinho, as canções,
A religião, a fé, a veneração.
Da África, os que aqui deixaram muitas vidas,
Suor, lágrimas e muito trabalho sem proventos...
Dias de trevas longe de suas terras
Vidas e liberdades tomadas à mercê da vaidade aristocrata
O japonês – trabalhador incansável
Que veio da terra do Sol Nascente
(Por acreditarem fielmente que
Era de lá que vinha o grande planeta vermelho),
Forte, incansável, paciente e
Repleto de histórias de reis, castelos,
Dragões e princesas...
Os sírios e libaneses – eternos comerciantes –
Cantam sempre as glórias de seu passado
E, apesar de tantas guerras, as glórias do futuro!
E povos de tantas outras terras e culturas,
De tantos lugares do mundo todo,
De raças, crenças, culturas e vidas tão distintas
Vindos de barcos, aviões, ônibus e até mesmo à pé,
Homens feitos a perfeição de Deus
Uns cantam, outros dançam,
Outros choram suas mágoas...
Mercadores de tantas pátrias
Que sabem achar aqui em nossa terra,
Melodias para suas vidas!...

VI

Nós somos o povo que ama essa bandeira
Pra cobrir tanta infâmia, covardia e corrupção!!!!!
Para nós não vale somente a festa
Como pensam haver apenas vagabundos e prostitutas,
Essa é a minha pátria, minha cidade!
Mas como o meu governante me trata?
O silêncio é da certeza da repudia à mim e meus irmãos!
Aqui nesse coletivo, lavo meu pranto!!!!!
Em terra de tanta esperança, me vejo torturado
E não há brisa que beija essa abençoada terra,
Em que tantos derramam seu suor, e doam suas vidas
Fazem promessas, criam esperanças...
Onde a liberdade é apenas
Um sonho que se almeja.
Nosso trabalho é como as antigas lavouras dos escravos
Que serviam aos senhores como formigas
Tanta fatalidade, tanta hostilidade, muito desequilíbrio!
Qual a diferença do mundo atual?
Continuamos a ser escravos, mas agora, sem donos,
Na imensidão de carros e pessoas dessa metrópole
Na eterna cidade de pedra
Somos nós quem erguemos e guiamos esse turbilhão!
 Será que vale tanta luta?
Somos reflexo dessa sociedade!!!!!
Industrialização, Urbanização e Imigração

Indústria e serviços
As atividades industriais, pouco significativas nos primeiros decênios do século XIX, começam a crescer junto com a economia cafeeira, na segunda metade do século XIX. Enquanto de 1841 a 1845 apenas uma patente industrial é expedida, entre 1851 e 1855 esse número sobe para 40. Na década seguinte, são fundadas 62 empresas industriais; 14 bancos; 3 caixas econômicas; 20 companhias de navegação a vapor; 23 companhias de seguro; 4 companhias de colonização; 3 de transportes urbanos; 2 companhias de gás e construídas 8 estradas de ferro. Surgem grandes empreendedores no país, como Irineu Evangelista de Souza, o visconde de Mauá.
Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), o visconde de Mauá, industrial, banqueiro, político e diplomata, é um símbolo dos capitalistas empreendedores brasileiros do século XIX. Inicia seus negócios em 1846 com uma pequena fábrica de navios em Niterói (RJ).
Em um ano, já tem a maior indústria do país: emprega mais de mil operários e produz navios, caldeiras para máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, armas e tubos para encanamentos de água.
É pioneiro no campo dos serviços públicos: organiza companhias de navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas; em 1852 implanta a primeira ferrovia brasileira, entre Petrópolis e Rio de Janeiro, e uma companhia de gás para a iluminação pública do Rio de Janeiro, em 1854.
Dois anos depois inaugura o trecho inicial da União e Indústria, primeira rodovia pavimentada do país, entre Petrópolis e Juiz de Fora. Em sociedade com capitalistas ingleses e cafeicultores paulistas, participa da construção da Recife and São Francisco Railway Company; da ferrovia dom Pedro II (atual Central do Brasil) e da São Paulo Railway (hoje Santos-Jundiaí). Inicia a construção do canal do mangue no Rio de Janeiro e é responsável pela instalação dos primeiros cabos telegráficos submarinos, ligando o Brasil à Europa.
No final da década de 1850, o visconde funda o Banco Mauá, MacGregor & Cia., com filiais em várias capitais brasileiras e em Londres, Nova York, Buenos Aires e Montevidéu.
Liberal, abolicionista e contrário à Guerra do Paraguai, torna-se persona non grata no Império.
Suas fábricas passam a ser alvo de sabotagens criminosas e seus negócios são abalados pela legislação que sobretaxava as importações.
Em 1875 o Banco Mauá vai à falência. O visconde vende a maioria de suas empresas a capitalistas estrangeiros.

Impulso à industrialização
Em 1844 é criada a tarifa Alves Branco, que aumenta as taxas aduaneiras sobre 3 mil artigos manufaturados importados. Seu objetivo é melhorar a balança comercial brasileira, mas acaba impulsionando a substituição de importações e a instalação de inúmeras fábricas no país. Com o fim do tráfico negreiro, os capitais empregados no comércio de escravos também impulsionam a industrialização.


Novas indústrias
Em 1874 as estatísticas registram a existência de 175 fábricas no país. Dez anos depois, elas já são mais de 600. Concentram-se em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e empregam mais de 20 mil operários.
O capital vem geralmente do setor agrário: vários fazendeiros diversificam seus negócios e transformam-se em capitães de indústria.

Imigração Européia
Na segunda metade do século XIX, especialmente a partir de 1870, novas nações, como a Alemanha, França, Bélgica, Itália, Estados Unidos e Japão, ingressaram na etapa capitalista, disputando com a Inglaterra as fontes de matérias-primas e mercados. A expansão do capitalismo, o melhoramento dos meios de transporte como as ferrovias e a navegação a vapor, e as novas descobertas científicas aliaram-se ao crescimento populacional.

Industrialização: o início da modernização
As grandes somas de dinheiro vindas das exportações do café não só foram aplicadas na expansão da própria cafeicultura como também financiaram a instalação de indústrias e a modernização do país.
Além do dinheiro da cafeicultura, duas importantes medidas favoreceram o crescimento da indústria: a tarifa Alves Branco e a extinção do tráfico de escravos.

A elevação de impostos sobre importados
Em 1844, o ministro da Fazenda, Manuel Alves Branco decretou uma nova tarifa alfandegária sobre os produtos importados A elevação da tarifa aumentou o preço dos produtos importados, forçando o consumidor brasileiro a procurar um produto semelhante nacional.

Antes de 1844, os produto importados pagavam só 15% sobre seu valor nas alfândegas brasileira. Com a Tarifa Alves Branco, a maioria dos produtos importados tinha que pagar 30% de imposto. Mas se houvesse a fabricação no Brasil de produto nacional semelhante, o artigo importado passava a pagar 60% de imposto.

As Transformações Econômicas, Políticas e Sociais no Brasil.
A crise do Império foi resultado das transformações processadas na economia e na sociedade, a partir do século XIX., somando-se conduziram importantes setores da sociedade a uma conclusão: a Monarquia precisava ser superada para dar lugar a um outro regime político mais adaptado aos problemas da época.
A crise do Império foi marcada por uma série de questões que desembocaram na Proclamação da República.
Em linhas gerais podemos afirmar que a economia do Segundo Reinado manteve seu modelo agro-exportador integrado nos quadros da economia capitalista com a emergência de uma nova cultura: o café.

Café: o novo ouro brasileiro
O café foi introduzido no Brasil por volta de 1727. A princípio, era um produto sem grande valor comercial. Utilizava-se o café como bebida destinada apenas ao consumo local.
Entretanto, a partir do início do século XIX, o hábito de beber café alcançou grande popularidade na Europa e nos Estados Unidos. E crescia rapidamente o número de consumidores internacionais do café.
O clima e o tipo de solo do sudeste brasileiro favoreciam amplamente o desenvolvimento da lavoura cafeeira. O país tinha disponibilidade de novas terras e já contava com a mão-de-obra escrava, que foi deslocada para a cafeicultura.
Com todos esses recursos, o Brasil tornou-se em pouco tempo o principal produtor mundial de café.
De 1830 até o fim do século, o café foi o principal produto exportado pelo Brasil.
Os grandes lucros gerados pela exportação do café possibilitaram a recuperação econômica do Brasil, que tinha suas finanças abaladas desde o período da Independência, devido à queda das exportações agrícolas.

A poderosa classe dos cafeicultores
A riqueza do café fez dos cafeicultores a classe social mais poderosa da sociedade brasileira. Eles passaram a exercer grande influência na vida econômica e política do país.
A economia cafeeira do século XIX dividia-se em dois setores básicos:
Setor tradicional: faziam parte deste grupo os cafeicultores das fazendas de café mais antigas, localizadas na Baixada Fluminense e no Vale do Paraíba. 
Setor moderno: 
composto de cafeicultores das fazendas de café de áreas mais recentes, localizadas no oeste de São Paulo.

Principal pólo produtor: Oeste Paulista
Características: Condições geoclimáticas altamente favoráveis: terra roxa Utilização de mão de obras imigrante verificando-se a transição para o trabalho assalariado Cultura racional é realizada com mentalidade mais empresarial Predomínio do Porto de Santos com escoadouro da produção Implantação do sistema ferroviário Constituição de uma nova elite econômica: a buburguesia cafeeira do oeste paulista Abertura de novos mercados externos notadamente EUA Amplos investimentos de origem inglesa.

Problemas Sociais no Brasil  -  A Desigualdade Social no Brasil
Desde os primórdios do processo de desenvolvimento brasileiro, o crescimento econômico tem gerado condições extremas de desigualdades espaciais e sociais, que se manifestam entre regiões, estados, meio rural e o meio urbano, entre centro e periferia e entre as raças.
Essa disparidade econômica se reflete especialmente sobre a qualidade de vida da população: expectativa de vida, mortalidade infantil e analfabetismo, dentre outros aspectos.
Em anos mais recentes, a desigualdade de renda no Brasil pode ser atribuída a fatores estruturais sócio-econômicos, como a elevada concentração da riqueza mobiliária e imobiliária agravada pelo declínio dos salários reais e à persistência dos altos juros. A crise energética do País, anunciada em no mês de maio passado, juntamente com os riscos de contágio da crise Argentina, afetam negativamente o potencial produtivo brasileiro e reduzem a entrada investimentos externos , limitando ainda mais, as chances de geração e de distribuição de emprego e renda no Brasil. A desigualdade se tornou a marca maior da sociedade brasileira.
O relatório 2001 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) sobre o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 162 países, referente a 1988/99 – período em que ocorreram recessões no Brasil, apontou que o País passou da 74a posição no ranking mundial, em 1988, para o 69o lugar.
Mesmo assim, o Brasil continuou atrás de seus principais vizinhos sul-americanos: Argentina (34a) e Uruguai (37a). De acordo com o relatório, as mudanças nos indicadores de melhoria de vida da população brasileira não têm mudado de forma significativa, tendendo para a estabilidade. Por exemplo, em 2000, as políticas sociais do País consumiam 23% do orçamento federal, sendo que pouco desse total chegava efetivamente aos mais pobres. O relatório indica que, enquanto 9% da população vive com menos de US$ 1 por dia, 46,7% da renda nacional está concentrada nas mãos de apenas 10% da população. A expectativa de vida do brasileiro permaneceu praticamente inalterada desde o último relatório, indicando a média de 67,2 anos de vida para a população.
Para entender a origem de tais disparidades no Brasil é necessário introduzir uma perspectiva mais ampla, abrangendo o passado histórico, sem desconsiderar as dimensões continentais do país.
Podemos começar a explicar isso pelo fator mais evidente: a escravidão, que é o paroxismo da exclusão: o Brasil importou o maior número de escravos da África dentre todas as colônias no Novo Mundo e, como Cuba, foi um dos últimos países a libertá-los (em 1888). Mesmo considerando-se os movimentos ascendentes na escala social – os imigrantes são um exemplo eloqüente disso -, a grande massa não teve condições de impor às elites uma distribuição menos desigual dos ganhos do trabalho. Nem logrou, eficazmente, exigir do Estado o cumprimento de seus objetivos básicos, entre os quais se inclui, na primeira linha, a educação. As seqüelas desse feito representam imenso obstáculo para uma repartição menos iníqua da riqueza e perduram até hoje.
A experiência brasileira é rica em programas e projetos para atenuar as desigualdades regionais e sociais.
Mesmo que a maioria delas não tenham obtido os resultados esperados, há exemplos de políticas sociais que estão tendo impacto favorável: o salário mínimo, a aposentadoria rural, a bolsa-escola, a renda mínima e a reforma agrária. No entanto, essas iniciativas não tem sido suficientes para resolver os problemas das desigualdades no Brasil.

A Desigualdade na concepção Platônica
Platão não pretendia como muitos intérpretes afirmavam abolir as classes sociais, e sim teve ele intenção de reformar o sistema de classes estabelecido pelas diferenças de renda e patrimônio (ricos, pobres e remediados), substituindo-o por outro baseado nas atribuições naturais com que cada um é dotado (razão, coragem, apetite).
Adepto da mulher desenvolvendo atividades junto aos homens e de um filósofo no comando maior das questões.
Segundo ele, a sociedade ideal, perfeita, só é possível suprimindo-se com a desigualdade entre os cidadãos, cabendo ao Estado confiscar toda a riqueza privada fazendo dela um fundo comum utilizado somente para a proteção coletiva. O ouro não sendo de ninguém em particular, sendo tesouro estatal, não poderá ser usado para provocar a discórdia e a inveja, tão prejudicial à paz social.

Problemas Sociais no Brasil

Os principais problemas sociais do Brasil

Nosso país é muito grande e possui inúmeras riquezas tais como: extensas áreas de florestas, cerrados e campos, importantes reservas de minérios, grande número de rios e terras férteis para plantar.
Mesmo com todas estas riquezas não estamos livres dos problemas sociais, que acontecem em todas as regiões do país, sendo sua maior concentração nas grandes cidades, pelo fato do rápido crescimento gerado pelo êxodo rural (deslocamento do campo para as cidades).
Dessa forma, faltam: moradias, hospitais, escolas e empregos.
Diversos fatores contribuem para os problemas sociais e muitas vezes um problema esta associado ao outro, tornando mais complexa à solução e sendo necessário o envolvimento dos mais diversos setores da sociedade.

Corrupção política
Os atos de corrupção praticados pelos políticos são considerados além de crime um problema social, devido afetar diretamente a população brasileira.
As fraudes públicas custam ao país bilhões de dólares por ano. Elas ocorrem quando governantes, funcionários públicos e pessoas do setor privado usam o dinheiro dos impostos para se beneficiar e enriquecer.
O desvio de dinheiro dos cofres públicos pelos corruptos prejudica principalmente a população mais pobre do país. Esse dinheiro, que deveria ser investido na construção de casas populares, no saneamento básico, em educação, na melhoria de hospitais públicos e nos transportes, é transferido para a conta bancária de alguma pessoa ou de um grupo.
A corrupção custa muito caro à população de um país. Como exemplos, há alguns anos, na construção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo e na compra de ambulâncias para alguns municípios brasileiros, foram desviados cerca de 240 milhões de reais dos cofres públicos. Essa quantia seria suficiente para construir 200 mil casas populares, que abrigariam 800 mil pessoas.
Quando ocorre esse desvio, muitas melhorias em portos, estradas, escolas, universidades, postos de saúde, etc. não são feitas, contribuindo para o atraso econômico do país e a manutenção da pobreza.
Mas a corrupção não existe só entre os políticos. Quando alguém suborna um funcionário público para conseguir favores do governo também está sendo corrupto. Assim, precisamos estar atentos para não praticar atos corruptos, nem permitir que os outros pratiquem.

Educação
O Brasil não cumpre o preceito constitucional de assegurar educação de qualidade a todos os jovens e crianças.
Nem todas as escolas públicas brasileiras têm as condições adequadas para que os alunos estudem.
O atraso escolar, causado principalmente pelo ingresso tardio no colégio, pela repetência e pelo abandono, é um problema que persiste no país.
 estímulos, muitos estudantes abandonam a escola antes de completar a formação básica, o que no futuro dificultará sua entrada no mercado de trabalho.
Segundo dados da UNESCO, Países ricos investem 71% a mais no ensino fundamental que o Brasil.
Somente se pusermos a educação no centro das políticas, o Brasil terá como romper o ciclo de pobreza e exclusão.

Exclusão social
Aproximadamente 25% da população brasileira não têm acesso à moradia, educação, saúde, emprego e alimentação dignos de um cidadão.
Esse grande número de brasileiros sofrem a chamada exclusão social, isto é, eles não têm acesso às condições mínimas previstas na constituição brasileira.
O fator responsável por este quadro é a má distribuição de renda entre a população, ou seja, poucos têm muito e muitos têm pouco.

Mercado de trabalho

São milhões de brasileiros procurando emprego.

Muitos têm poucas chances de conseguir um, porque têm baixa escolaridade e, assim, não estão qualificados para ocupar as vagas disponíveis.
Para sobreviver, grande parte dos desempregados faz o chamado “bicos”, ou seja, pequenos serviços que rendem pouco dinheiro (ambulantes, carregadores, diarista etc). Esse tipo de ocupação é denominado subemprego.

Saneamento básico
Saneamento básico é o conjunto de medidas que visam à saúde e à qualidade de vida da população.
São elas: tratamento e distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto e lixo, limpeza e preservação de rios, represas e praias.
Um sistema adequado de coleta e tratamento de água, lixo e esgoto é importante para proteger a saúde da população evitando a proliferação de doenças.
Apesar da importância do saneamento básico, apenas 51% dos brasileiros dispunham desse serviço. Os 49% restantes estão mais sujeitos a contrair doenças, pois vivem em lugares sem saneamento básico. Além disso, são esses 49% que menos dispõem dos serviços de saúde pública, que são precários.
A taxa de mortalidade entre crianças de 1 a 6 anos nas áreas que não têm coleta de esgoto é maior do que nas áreas que dispõem desse serviço.
A boa notícia é que o número de brasileiros atendidos pelo saneamento básico vem aumentando. Porém o país ainda terá de investir muito por mais vinte anos para atender a toda a população.

Violência
A violência se manifesta por meio da tirania, da opressão e do abuso da força. Ocorre do constrangimento exercido sobre alguma pessoa para obrigá-la a fazer ou deixar de fazer um ato qualquer.
Ela se apresenta nas mais diversas configurações e pode ser caracterizada como violência contra a mulher, a criança, o idoso, violência sexual, política, violência psicológica, física, verbal, dentre outras.
A violência, em seus mais variados contornos, é um fenômeno histórico na constituição da sociedade brasileira. A escravidão (primeiro com os índios e depois, e especialmente, com a mão de obra africana), a colonização mercantilista, o coronelismo, as oligarquias antes e depois da independência, somados a um Estado caracterizado pelo autoritarismo burocrático, contribuíram sobremaneira para o aumento da violência que atravessa a história do Brasil.
Diversos fatores colaboram para aumentar a violência, tais como a urbanização acelerada, que traz um grande fluxo de pessoas para as áreas urbanas e assim contribui para um crescimento desordenado e desorganizado das cidades. Colaboram também para o aumento da violência as fortes aspirações de consumo, em parte frustradas pelas dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
As causas da violência são associadas, em parte, a miséria, fome, desemprego e corrupção, uma das piores chagas brasileiras. Mas nem todos os tipos de criminalidade derivam das condições econômicas. Além disso, um Estado ineficiente e sem programas de políticas públicas de segurança, contribui para aumentar a sensação de injustiça e impunidade, que é, talvez, a principal causa da violência.
 
Problemas Sociais no Brasil
Falta de oportunidades de trabalho digno, ausência de planejamento familiar e disparidades no sistema educacional do Brasil são grandes obstáculos no desenvolvimento da cidadania.
A nossa Constituição Federal de 1.988, em seu artigo 205 fixa como fim da educação nacional o “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
O artigo 5º: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção, de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.
O artigo 227 introduziu, no direito brasileiro, um conteúdo e um enfoque diferenciado trazendo para nossa sociedade muitos avanços no que diz respeito à criança e ao adolescente:
“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda e qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”
Portanto, quando perguntamos sobre as possibilidades da existência de cidadania não nos referimos ao que consta formalmente na Lei como tal, mas sim sobre a sua existência de fato pensando o conjunto da população.
Embora o Brasil tenha avançado na área social nos últimos anos, ainda persistem muitos problemas que afetam a vida dos brasileiros.

Proclamação da República.

Oposição republicana
Idéias republicanas aparecem no Brasil desde o período colonial. Estão presentes em movimentos como a Inconfidência Mineira, de 1789, ou na Revolução Pernambucana, de 1817. Após a independência, ressurgem na Confederação do Equador, de 1824, na Guerra dos Farrapos, de 1835 a 1845, e nos vários levantes liberais e populares. Voltam à cena nos anos 60, bancadas principalmente por setores do Partido Liberal.

Manifesto republicano
Em dezembro de 1870 surge no Rio de Janeiro o jornal A República, que publica o Manifesto Republicano, texto de referência para os republicanos brasileiros.
Defende o federalismo em oposição ao unitarismo do Império, prega o fim da união Estado-Igreja e do Senado vitalício. Essas idéias ganham força em Províncias importantes, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde são formados partidos republicanos regionais, uma novidade frente aos partidos até então constituídos, de caráter nacional.

Primeira República

O Brasil tem uma república recente.
Tudo começou quando o Marechal Deodoro da Fonseca liderou um golpe militar que tomou o poder longe da monarquia e estabeleceu a república militar.
O Brasil monárquico falhou por uma série de razões que acabou em um golpe, em 1889, quando em 15 de novembro, o Marechal Deodoro da Fonseca reuniu cerca as forças armadas e liderou o grupo que proclamou a república brasileira, para a queda da monarquia constitucional brasileira e, portanto, do imperador Dom Pedro II.

A Proclamação da República (1889)





15 de novembro – Proclamação da República

Em 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca liderou o grupo que proclamou a república brasileira, tornando-se o primeiro presidente do país já teve. As províncias se tornaram estados e ganhou autonomia política para tomar suas próprias decisões.
O Brasil é oficialmente dividido em cinco regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Regiões brasileiras
O Brasil é o maior país da América do Sul eo quinto maior do mundo, com uma área de 8,515,767 km².
O país está dividido em 26 estados e no Distrito Federal. Durante o século 20, o Brasil foi dividido pelo IBGE em três áreas diferentes: as mesorregiões, microrregiões e as macro-regiões.
A divisão macro-região é a divisão oficial adotada pelo governo brasileiro. Diferentemente da meso-região e micro-região, este tipo de divisão é uma regionalização administrativa e científica que obedece aos limites das fronteiras entre os estados brasileiros.

É composto por cinco macro-regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Eles foram criados de acordo com semelhanças físicas, políticas, sociais e econômicas.

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