sábado, 22 de dezembro de 2012

Religiões Tradicionais Africanas


As Religiões Tradicionais Africanas


       O mundo destes povos muitas vezes não encontram explicações satisfatórias em nossas mentalidades, que exigem provas, racionais, lógicas. O mundo tradicional liga intimamente a vida em suas manifestações.
   Nesse sentido, para entendermos melhor as religiões tradicionais africanas, é importantíssimo ter uma atitude de abertura, sem preconceitos ou pré-julgamentos.
       Tenhamos em conta - que estas religiões não possuem textos escritos ou livros sagrados, mas, se baseiam na tradição ou narração passada de geração em geração, sobre os conteúdos e a maneira de viver sua religiosidade. Isso se dá em forma de histórias, ritos, provérbios, danças, músicas, festas.
       O Concílio Vaticano II - reconheceu que as religiões tradicionais africanas são expressões de uma experiência religiosa em que estão presentes muitos elementos de verdade, de graça e que representam a grande riqueza desses povos. 
Espiritual e Material 
       A religião tradicional africana distingue dois aspectos da realidade: aquilo que é visível, físico, material e aquilo que é invisível e espiritual. Estes dois aspectos fundem-se entre sí: nenhuma coisa do mundo físico é tão material que não contenha em si elementos do mundo espiritual. Isto conduziu a crença de que há espíritos nas pedras, nas montanhas, nos rios, nos trovões, no sol e na lua... Daí a religião tradicional africana ser muitas vezes chamada também de religião animista.  (manifestação religiosa imanente a todos os elementos do Cosmos (Sol, Lua, estrelas), a todos os elementos da natureza (rio, oceano, montanha, floresta, rocha), a todos os seres vivos (animais, fungos, vegetais) e a todos os fenômenos naturais (chuva, vento, dia, noite))
       Seus praticantes vivem em profunda harmonia com todo o universo e esforçam-se para comportar-se de maneira adequada, conforme as leis morais.
       Isso significa que não existem momentos religiosos mais destacados de outros, considerados profanos, mas toda a vida é sustentada pelo elemento religioso que une os seres, o cosmo, o mundo visível e o ser superior. Todo o universo tem uma alma.
Ritos
     Ritos, cerimônias, preces... são algumas modalidades através das quais o ser humano procura se expressar e alcançar sua própria harmonia com o todo.
      Mas, o que importa é a atitude interior que caracteriza a vida dos povos tradicionais, uma atitude profundamente religiosa. Cada fato cotidiano, banal ou importante, é colocado num contexto que supera a dimensão material. 
O Ritual que Sacraliza
       Os momentos importantes da vida: nascimento, adolescência, matrimônio e morte. Existe, além disso, uma grande variedade e ritos: de iniciação, purificação, propiciação, comemoração, ação de graças, etc.
Ritos de Iniciação
       Garantem uma boa integração na comunidade dos vivos, os ritos fúnebres garantem a benevolência dos antepassados: por isso, devem ser bem feitos. Frequentemente, a iniciação é também o ingresso em uma sociedade secreta, "onde se aprendem ritos secretos, mitos secretos e mesmo uma linguagem secreta"
       Os africanos possuem lugares de culto, embora muito modestos: pequenas cabanas, altares junto aos caminhos, cumes de montanhas... As oferendas são feitas para pedir saúde, vida, sucesso. O mesmo acontece com os ritos: impera a criatividade, o movimento, o dinamismo.
Elementos
       As Religiões Tradicionais Africanas, diferentes em muitas manifestações, de acordo com os respectivos povos, possuem vários pontos comuns essenciais, mas, tendo como objeto central a vida.
Potências Espirituais
       Abaixo do Ser Supremo existem inúmeras potências mais ou menos espirituais, que se ocupam das coisas mundanas, em lugares do Ser Supremo, e que, por isso, são muitos invocadas. (como os orixás de ioruba)
Demiurgo
       A criação foi feita mediante um demiurgo (artífice) que é um antepassado mítico, as vezes identificado com o fundador do povo, do qual se devem tanto a geração do ser humano como introdução dos costumes, ofícios e ritos. 
Ritos de Iniciação
       Como todos os povos primitivos, os africanos dão importância aos ritos de iniciação que, raro exigem provas duríssimas, até sangramentos (mutilações).
Danças
       Na falta de livros, os ritos desempenham papel importante na manutenção viva e atuante das tradições religiosas e sociais. Neste sentido, as danças são fundamentais em sua importância, pois, os seus ritmos e dinamismo, dão a máxima expressão a todas as atividades do povo. 
Curandeiros
       Com artes próprias, como incisões e aplicações de ervas, e mesmo com recursos das sugestões, atendem ás necessidades do povo.
Culto
       Em geral, os africanos não possuem estátuas, nem templos e sacerdotes. Os sacrifícios de animais (porcos, cães, cabritos, aves...) não são oferecidos a Deus como adoração, mas aos orixás (espíritos intermediários), como veículo de comunicação com os vivos, já que o sangue é tido como portador de vida. 

Moral 
       Para o africano, moral e religião são praticamente a mesma coisa. As ações que prejudicam a convivência humana ou o equilíbrio das forças naturais, são punidas pela autoridade tribal ou reparadas por ritos religiosos, pois irritam igualmente os espíritos provocando calamidades públicas, como secas, enchentes, enfermidades, mortes... Desta forma, o africano se vê obrigado a respeitar os bens, a vida e a pessoa do próximo, ainda que não conheça preceitos morais impostos por Deus. O adultério é também severamente condenado, embora a vida sexual seja encarada com muita tolerância, pois se trata do exercício de uma função vital.





      


domingo, 25 de novembro de 2012

Plano de Aula - 2013



UNIVERSIDADE CAMILO CASTELO BRANCO
PÓS-GRADUAÇÃO: HISTÓRIA DA ÁFRICA E DO NEGRO NO BRASIL

  
Antonio Luzia Dias
Plano de aula apresentado para a disciplina “Ensino da História e da Cultura Africana”



Orientador: Prof. Dr. Bas’Ilele e Profª Dra. Fábia


São Paulo
Novembro
2012



ESCOLA ESTADUAL MARIA DE LOURDES VIEIRA

...“Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação – é próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas o cronológico, O velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo continua novo.
Faz parte igualmente do pensar certo a rejeição mais decidida a qualquer forma de discriminação. A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia. Quão longe dela nos achamos quando vivemos a impunidade dos que matam meninos nas ruas, dos que assassinam camponeses que lutam por seus direitos, dos que discriminam os negros, dos que inferiorizam as mulheres.”
Paulo Freire – Pedagogia da Autonomia – pp. 35, 36

DOCENTE
Professor: Antonio Luzia Dias


PÚBLICO ALVO
Alunos do 7º ano do Ensino Fundamental

JUSTIFICATIVA
Cumprimento da Lei 10.639/03 bastaria para que eu pudesse justiçar meu plano de aula, que envolve as regras já estabelecidas em planos educacionais oficiais da Secretaria de Educação de São Paulo.
No entanto, diante do que através de um olhar, onde identifico na comunidade escolar, que traz em suas características as marcas dos processos de exclusões proporcionadas pelo capitalismo que concentra uma parte da população em bolsões de pobrezas, gerando moradias precárias e os colocando a margem dos benefícios sociais sem políticas públicas direcionadas a esta população. E nesses bolsões aparecem além da exclusão social, as marcas do racismo, onde vitimadas se concentram a maior parte de pessoas negras.
Diante desse quadro de senso comum, por onde a ideologia da classe dominante se acessa, através dos meios de comunicação e valores estereotipados reproduzidos muitas vezes através das famílias e da comunidade, é nesse quadro que apresento a proposta de trabalho que possa colaborar na implementação da Lei 10.639/03.

OBJETIVO
Como um professor engajado, diria eu, que o principal objetivo seria ajudar na formação de cidadãos engajados e desprendidos do racismo e com consciência política para esses educandos trabalhassem na direção de construir uma sociedade igualitária, justa, respeitando toda amplitude da diversidade.
No entanto, dentro do quadro da própria dificuldade de continuidade de um plano de trabalho dentro da escola e com a comunidade escolar, devo me prender a um objetivo de curto prazo, onde pretendo apresentar a valorização da cultura afro-brasileira e na esteira da cultura, discutir as principais formas de lutas do negro no Brasil, para enfrentar o racismo histórico enraizado em nossa sociedade.


CRONOGRAMA
Quatro aulas semanais de cinquenta minutos, durante um ano.

RECURSOS
       Lousa, giz, caderno do aluno, (apostila fornecida pela Secretaria da Educação de São Paulo), computadores com acesso a internet, livros didáticos, biblioteca da escola.

ESTRATÉGIAS
       Aulas expositivas com a participação dos alunos, buscando formas teatrais para apresentar o tema, atividades para serem realizadas em casa com a participação da família, pesquisas em sala de leitura (biblioteca), internet e a realização de trabalho com exposição em espaços reservados na escola.

METODOLOGIA
       Com a consciência das dificuldades que se apresentam nas escolas em termos de estruturas para a realização de trabalhos fora de sala de aula, porém, sem abandonar e tão pouco se justificar por ela a não realização, pretendo dentro do plano de aula em que trabalho a disciplina Historia Geral e do Brasil, colocar dentro desse programa a História da África e do Negro no Brasil, utilizando-se de livros didáticos, para-didádicos, textos de apoio apropriados para a série.
    Aulas expositivas com os temas gerais, trazendo a problematização e a contextualização da História da África e do Negro no Brasil, trabalhando com pesquisas e com temas próximos da realidade dos educandos.
       Colocando os educandos em contato com a cultura afro-brasileira, partindo do seu cotidiano e conhecimento acumulado, como a música, culinária, tradições, utilizando ferramentas como a internet, cinema, literatura, museus e movimentos culturais existentes dentro da própria comunidade.

AVALIAÇÃO
Existe o processo de avaliação geral e comum estabelecida pela estrutura da escola, com regras estabelecidas pela Secretaria de Educação de São Paulo. No entanto, realizaremos também outro tipo de avaliação, como por exemplo, debates em sala de aula com a participação dos alunos sobre temas diversos que envolvam nosso programa, pesquisas na internet, pesquisa de campo, realização de pequenos seminários com apresentação por parte dos alunos em grupo.

BIBLIOGRAFIA:

JUNIOR, Alfredo Boulos. História Sociedade & Cidadania, 7º ano – São Paulo: FTD 2009 (Coleção História- Sociedade & Cidadania) – Livro Didático.

SOUZA, Mariana de Mello e. África e Brasil Africano – 2ª Ed. São Paulo, Ática, 2007

LOPES, Nei. História e Cultura Africana e Afro-Brasileira – São Paulo, Barsa Planeta, 2008

PINSKY, Jaime. A Escravidão no Brasil – 20ª Ed. – São Paulo, Contexto, 2009

Caderno do Professor e Caderno do Aluno (Secretaria Estadual da Educação)

www.acordacultura.org.br (projeto a Cor da Cultura)




Considerações Finais.
A escola Estadual Maria de Lourdes Vieira, desenvolve alguns projetos voltados à participação e valorização dos alunos, projetos tais como: sarau de literatura, envolvendo alunos do Ensino Médio e do EJA, semana cultural, onde os alunos apresentam trabalhos de poesias, músicas, etc.
Neste processo de realização de trabalhos com temas variados, pretendo apresentar um projeto de realização da semana da consciência negra para o ano de 2013, onde podemos utilizar todas as disciplinas escolares existentes nesta série,  envolvendo os trabalhos realizados pelos alunos durante o ano nas mais diversas disciplinas, alguns exemplos: a história do samba, capoeira, culinária, formação dos quilombos como elemento de resistência, formação da população brasileira,  Zumbi dos Palmares e outros agentes na história do negro no Brasil.