sábado, 9 de junho de 2012

RUANDA: DADOS SOBRE O PAÍS:

Ruanda:

    Em 1959, três anos antes da independência da Bélgica, o grupo étnico majoritário, os hutus, derrubou a decisão do rei tutsi. Ao longo dos próximos anos, milhares de tutsis foram mortos e cerca de 150.000 para o exílio nos países vizinhos. Os filhos desses exilados mais tarde formaram um grupo rebelde, a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), e começou uma guerra civil em 1990. A guerra, juntamente com várias revoltas políticas e econômicas, exacerbadas as tensões étnicas, culminando em Abril de 1994 em um genocídio de estado orquestrado, no qual os ruandeses mortos até um milhão dos seus concidadãos, incluindo cerca de três quartos da população tutsi. O genocídio terminou mais tarde naquele mesmo ano quando a RPF predominantemente tutsi, operando a partir de Uganda e Ruanda norte, derrotou o exército nacional e as milícias hutus, e estabeleceu um governo liderado RPF de unidade nacional.
Assim como a RPF tentou em 1990. Ruanda realizou suas primeiras eleições locais em 1999 e os primeiros pós-genocídio eleições presidenciais e legislativas em 2003. 


Dados da População


Hutu (Bantu) 84%, Tutsis  15%, 
Twa (Pigmeu) 1%
Kinyarwanda (oficial, universal vernáculo Bantu),  
francês (oficial), Inglês (oficial), 
Kiswahili (suaíli, utilizado em centros comerciais)
Católica 56,5%, protestantes 26%, 
11,1% Adventista, 4,6% muçulmano, 
as crenças indígenas 0,1%, 1,7% nenhum (2001)
11.689.696 (Julho 2012 estimativa)
0-14 anos: 42,9% 
(homens 2.454.924 / 2.418.504 do sexo   feminino)
15-64 anos: 54,7%
 (homens 3.097.956 / 3.123.910 do sexo feminino)
65 e mais anos: 2,4% 
(homens 110,218 / mulheres 164,913) (2011)
total: 18,7 anos
homens: 18,5 anos
mulheres: 19 anos (2011)
2,751% (2012 estimativa)


população total: 58,44 anos
homens: 56,96 anos
mulheres: 59,96 anos (2011 est)

9% do PIB (2009)
0.024 médicos / 1.000 habitantes (2005)


Educação

4,1% do PIB (2008)

definição: idade de 15 anos que sabem ler e escrever
população total: 71,1%
homens: 74,8%
mulheres: 67,5% (2010 est)
total: 11 anos
homens: 11 anos
mulheres: 11 anos (2009)





Dados Recentes sobre Ruanda


Economia

13,86 bilhões dólares americanos (2011 est)
12,74 bilhões dólares (est. 2010)
11,85 bilhões dólares (2009 est)
Atenção: 
os dados são em dólares norte-americanos de 2011
6,179 bilhões dólares (est. 2011)
8,8% (2011 est)
7,5% (2010 est)
4,1% (2009 est)
$ 1.400 (2011 est)

agricultura: 33%
indústria: 13,9%
serviços: 53,1% (2011 est)
4,446 milhões (2007)

agricultura: 90%
indústria e serviços: 10% (2000)
60% (2001 est)
mais baixo 10%: 2,1%
alto 10%: 38,2% (2000)
46.8 (2000)
28.9 (1985)
22,2% do PIB (2011 est)

receitas: R $ 1,436 bilhões
despesas: R $ 1,637 bilhões (2011 est)
23,2% do PIB (2011 est)

-3,3% Do PIB (2011 est)

5,5% (2011 est)
café, chá, piretro (inseticida feito de crisântemos), 
banana, 
feijão, sorgo, batata, gado
cimento, produtos agrícolas, em pequena escala bebidas, 
sabonetes, móveis, sapatos, produtos de plástico, têxteis, 
cigarros
7,5% (2010 est)
160 milhões kWh (2008 est)
236,8 milhões kWh (2008 est)
2 milhões kWh (2008 est)
88 milhões kWh (2008 est)
0 barris / dia (2010 est)

6.000 barris / dia (2010 est)
Comparação país para o mundo: 163
0 barris / dia (2009 est)
5.105 bbl / dia (2009 est)
0 barris (1 January 2011 est)
$ 293 milhões (2011 est)
café, chá, couros minério de estanho,
Quênia 30,1%, China 13,5%, 
República Democrática do Congo 12%, 
Malásia 8,8%, EUA 5,6%, Suazilândia 4,8% (2011)
1,307 bilhões dólares (est. 2011)
material de produtos alimentares, máquinas e 
equipamentos, aço, produtos petrolíferos, cimento 
e construção
Quênia 18,1%, Uganda 16,4%, EUA 10,4%, 
Emirados Árabes Unidos 8,8%, China 5,7%, 
Tanzânia 5,3% (2011)
931,7 milhões dólares americanos 
(31 de Dezembro de 2011 est)
812,8 milhões dólares
 (31 de dezembro de 2010 est)























Ruanda é um país pobre rural com cerca de 90% da população envolvida em (principalmente de subsistência) agricultura e alguns minerais e agro-processamento. Turismo, minerais, café e chá são fontes principais de Ruanda de divisas. Exportações minerais diminuíram 40% em 2009-10, devido à crise econômica global. O genocídio de 1994 dizimou de base frágil de Ruanda econômica, fortemente empobrecida da população, especialmente as mulheres, e temporariamente paralisada a capacidade do país de atrair investimento privado e externo. Entretanto, Ruanda fez progresso significativo em estabilizar e reabilitar a sua economia a pré-níveis de 1994. PIB se recuperou com um crescimento médio anual de 7% -8% desde 2003 e a inflação foi reduzida para um dígito. 
No entanto, uma percentagem significativa da população ainda vive abaixo da linha de pobreza oficial. Apesar do ecossistema fértil de Ruanda, a produção de alimentos, muitas vezes não acompanhar a demanda, exigindo a importação de alimentos. Ruanda continua a receber o dinheiro da ajuda substancial e obteve do FMI- Banco Mundial Países Pobres Altamente Endividados (HIPC) o alívio da dívida iniciativa em 2005-06. 
 Ruanda é o país mais densamente povoado da África está a tentar ultrapassar as limitações de sua economia pequena, sem litoral, alavancando o comércio regional. Ruanda aderiu à Comunidade do Leste Africano e está alinhando seu orçamento, o comércio e as políticas de imigração com os seus parceiros regionais. O governo adotou uma política fiscal expansionista para reduzir a pobreza pela melhoria da educação, infra-estrutura, investimento e externa e interna e prosseguir reformas orientadas. 
A escassez de energia, a instabilidade nos países vizinhos, e falta de ligações de transportes adequados para outros países continuam a prejudicar o crescimento do setor privado. O governo de Ruanda quer se tornar líder regional em tecnologias de informação e comunicação. Em 2010, o Ruanda estava quase completo da primeira Zona Especial Econômica moderna (ZEE) em Kigali. 
O ZEE visa atrair investimentos em todos os setores, mas especificamente no agronegócio, tecnologias de informação e comunicações, comércio e logística, mineração e construção. A recessão global feriu a demanda de exportação e do turismo, mas o crescimento econômico está se recuperando, impulsionado em grande parte pelo setor de serviços, e a inflação foi contida. Na parte de trás desse crescimento, o governo está terminando gradualmente a sua política de estímulo fiscal, protegendo a ajuda aos pobres. 
Em 2011, o aumento no mundial de alimentos e os preços dos combustíveis aumentou a inflação em Ruanda a partir de 1% em janeiro para mais de 7% em outubro.












terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estudos Sobre A Origem e Importância do Movimento Sindical Africano - No momento das Independências

Pesquisa que está sendo realizada pelo aluno: Antonio Luzia Dias - do curso de Pós-Graduação - História da África e do Negro no Brasil - desenvolvido na Universidade Camilo Castelo Branco (UNICASTELO), o presente trabalho tem o objetivo de apresentar a importância do movimento sindical africano, no contexto político das resistências à colonização e processo de construção das independências dos países africanos.


Movimentos Políticos Africanos


O período de colonialismo foi enfrentado o tempo todo com resistência, traduzido por várias formas de lutas. Quanto à resistência cotidiana, algumas formas mais usadas foram às doenças simuladas, o ritmo lento de trabalho, as fugas, a sabotagem de equipamentos, as queimadas de entrepostos, as pilhagens de armazéns das companhias concessionárias e de negociantes locais, a destruição de transportes e de linhas de comunicação e as fugas para zonas desabitadas.
Essas reações de enfrentamento são importantes como expressões de descontentamento e inquietações traduzidas em não-resignação, contrapondo-se a idéia corrente de passividade e até de certa apatia perante as imposições do sistema colonial.
Os países europeus intervieram na vida econômica dos territórios africanos de múltiplas formas, utilizando-se do exercício da autoridade, presente em mecanismos extremamente regidos de subordinação.
Esses mecanismos vão levar que as massas rurais se revoltassem, sobretudo onde o pan-islamismo e as igrejas separatistas e independentes africanas proporcionaram fortes pontos de apoio a insubordinação.
A exploração de minérios trouxe o aparecimento de uma comunidade industrial urbana na União Sul-Africana. A grande parte da mão de obra africana e, embora tivesse uma remuneração inferior a dos chefes e operários europeus, ainda assim era maior do que a dos africanos das demais regiões da África do Sul do Saara.
A grande crise durante os anos entre 1920 a 1930 trouxe graves conseqüências para o mundo capitalista e também para o continente africano. A queda nos preços dos produtos produzidos no “Terceiro Mundo” em relação aos produtos manufaturados, como conseqüência, o colonialismo e dependência acabaram sendo refutados mesmo por aqueles que se beneficiavam com eles.
O descontentamento fez-se presente de maneira acentuada para o grosso da população, dando ensejo ao surgimento de uma base de massa para a mobilização política anticolonial.
Este fato facilitou a aproximação entre as elites políticas africanas e as massas rurais e urbanas dos vários espaços africanos. Esse período de crise aguada vai provocar mudanças nas estruturas administrativas internas. Com todas as dificuldades, a estrutura da economia nas possessões européias do continente africano apresentava significativas mudanças, criando as condições necessárias para complexificar a estrutura social. Integradas a programas coloniais modernizadores foram feitas as primeiras reformas que iriam dar ensejo a constituição dos primeiros sindicatos e partidos políticos que em particular nas Áfricas Central e Setentrional, provocaram as primeiras grandes greves trabalhistas de massa após 1935, começando no cinturão do cobre centro-africano. No período de 1935 a 1940, foram inúmeras as greves em todo continente, ainda que poucas vezes de sentido anticolonial.
De acordo com Elikia M’ Bokolo – [AFRICA NEGRA 2007] p. 517 – Embora as evoluções intelectuais, políticas, até psicológicas, entre as elites africanas, mo período da descolonização, sejam relativamente bem conhecidas, o campo das práticas populares continua quase inteiramente por arrotear. É claro que os partidos independentistas sempre postularam uma relação imediata entre as suas palavras de ordem e as aspirações das classes populares. Mas o historiador não poderia aceitar como fato adquirido a imagem que os atores sociais produzem e tem de si mesmos. Os “relatos de vidas banais” que os investigadores começam a recolher sugerem uma complexidade extrema nas articulações entre os diferentes grupos sociais componentes dos espaços políticos africanos. Para se chegar a uma visão mais ou menos satisfatória dessa complexidade seriam necessários muitos outros estudos, em especial sobre a história de cidades e aldeias, sobre as diferentes regiões políticas, sobre as mudanças e dinâmicas sociais nos diversos meios geográficos e econômicos, sobre os diferentes modos de captação e de inteligibilidade do político consoante os lugares e os grupos sociais, sobre a utilização política de redes tecidas, por exemplo, pelas migrações e pelo vaivém das transações, etc. Para já, uma quantidade de idéias feitas, produzidas a quente ou posteriori pelas propagandas e contrapropagandas, devem ser implacavelmente revistas.
Elikia M’ Bokolo afirma em [ÁFRICA NEGRA – 2007], p.517-518 “Assim, numa visão conforme com o paradigma “tradição e modernidade”, pensou-se
durante muito tempo que as “massas rurais” tinham sido “politizadas” pelas cidades. Pois bem, agora já é possível, em alguns casos privilegiados, pôr em evidencia os fatores de toda espécie – ora religiosos num caso, ora econômicos e fundiários noutros, ora históricos e culturais noutros ainda – que permitiram, nos meios rurais, a produção autônoma de esquemas de compreensão do político no contexto colonial, de leituras dos acontecimentos e de estratégias diferentes dos que tinham emergido nos meios urbanos. Seria então necessário entender os movimentos nacionalistas como “frentes” e “alianças” sempre instáveis e fazer destas contradições um dos motores da vida política africana desde a época das independências até aos nossos dias. Há muitas outras pistas a sondar. Assim, um produto tipicamente urbano, aculturado e despolitizado como a música de variedades manifesta-se como um dos pólos mais ativos das práticas sociais heterogêneas que interpelam a sociedade global e uma das linguagens mais fecundas para exprimir as múltiplas aspirações das classes populares.
Podemos notar que os movimentos de trabalhadores acabam se integrando aos movimentos políticos dentro de uma “frente” nos partidos independentistas e mesmo antes da guerra e as reivindicações africanas tinham encontrado diferentes movimentos que poderiam amadurecer as suas exigências e fazer ouvir suas vozes.
Esses movimentos tinham origens diversas, sindicatos, grupos de intelectuais, associações de defesa de interesses, grupos religiosos, grupos étnicos ou regionais, grupos de pressão com objetivos sociais ou políticos.
Citação... “Os movimentos sindicais e os partidos políticos que aparecem timidamente antes da guerra, iriam conhecer o seu pleno desenvolvimento durante a marcha para a independência: admitidos pelas autoridades coloniais, apoiando-se em movimentos sociais radicalizados, adquirindo formas novas e uma dimensão sem precedentes, foram as armas decisivas que permitiram a África recuperar sua soberania”.
De acordo com Elikia M’ Bokolo em [ÁFRICA NEGRA – 2007], p 518 – O Movimento Sindical – De entre as formas “modernas” de organização da contestação e de expressão política de que a África soube munir-se, o sindicalismo é uma das mais antigas. Os sindicatos desempenharam, aliás, um papel fundamental no amadurecimento das consciências africanas, na
passagem da contestação dos efeitos do sistema para a contestação do próprio sistema, e na passagem da contestação para a ação.
Citação... “A história do sindicalismo africano – até a década de 1930, as metrópoles, inquietas com a agitação que o movimento sindical poderia criar em África, tinham tentado desencorajá-lo por meio da sua proibição mais ou menos clara. Estas restrições não tinham impedido que surgissem vários movimentos, desigualmente estruturados, como foi o caso do Congo Belga, onde houve greves durante a guerra”.
[...] “O mais antigo sindicato negro foi sem dúvida o Industrial and Commercial Workers Union, criado em 1919 na África do Sul, que já em 1926 contava com 60 000 membros. Também em Serra Leoa o movimento sindical foi precoce”.
[...] “As características do sindicalismo africano – Durante os vintes anos que durou a marcha para independência, o sindicalismo africano foi marcado por algumas grandes constantes: dificuldade de recrutamento, devida em parte ao analfabetismo, à diversidade lingüística e étnica e ao medo dos trabalhadores perante as possíveis represálias. Estes fatores tiveram as mesmas características nos diversos territórios”.
A preponderância de algumas profissões de caráter geralmente estratégico, como os mineiros, os estivadores, os ferroviários, os marinheiros e os membros da função pública, já que, salvo na África do Sul, a indústria estava muito pouco desenvolvida para poder representar um núcleo potencial.
Contudo, a história do sindicalismo em África foi, sobretudo assinalada por três fenômenos principais: autonomia – criação de Federação – politização do movimento.
A autonomia estava ligada por decorrência dos modelos os quais foram criados nos moldes do sindicalismo europeu, onde vários sindicalistas europeus prestavam certo tipo de solidariedade, portanto os trabalhadores africanos vêem a necessidade de buscar autonomia para o movimento sindical africano. No caso das Federações eram experiências também do sindicalismo europeu, que buscavam articulações entre as federações e as confederações. E por fim essa idéia da politização fazia parte de um modelo africano, uma vez que o movimento sindical, lutava junto com os partidos políticos na luta pela independência, esse movimento buscava certo nível de politização.
Bibliografia
HERNANDEZ, Leila Leite. A África na Sala de aula – visita à historia contemporânea. – 2 ed. Ver. São Paulo: Selo Negro, 2008.
M’ BOKOLO, Elikia. África Negra – História e Civilizações do século XIX aos nossos dias – Tomo II. Edições Colibri. São Paulo, 2007.

Ruanda - Uma História que o Mundo Escondeu

Genocídio de Ruanda: Descrição a partir da linguagem do cinema: Filme Hotel Ruanda – 2005.

Ruanda

Um pequeno país africano localizado na África Centro oriental, na chamada região dos Lagos, seus vizinhos: Burundi, Uganda, Tanzânia e República do Congo. Está região teve forte presença francesa, alemã, belgas e também dos ingleses que disputavam nessa região riquezas minerais e uma influência política no final do século xix.
No início do século xx, os belgas assumiram a colonização de Ruanda em decorrência da derrota da Alemanha na Primeira Grande Guerra Mundial, Ruanda um país essencialmente agrícola e com uma população pequena em torno de sete milhões de habitantes. Esta população estava dividida em três principais etnias que carregavam diferenças históricas, mas tratavam estas diferenças dentro de certa harmonia.

Estas etnias constituíam características diferentes:
a)- Os hutus formavam a maior parte da população em torno de 85%, tendo as seguintes características: eram de pele mais escura, tinham os aspectos mais negróide, seus lábios eram mais grossos, nariz mais achatados, com altura menor em relação aos tutsis, ocupavam as áreas agrícolas, possuíam baixa escolaridade e faziam parte da população mais empobrecida de Ruanda.
b)Os Tutsis somavam em torno de 14% da população, suas características físicas os diferenciavam dos hutus pelos seguintes aspectos: eram mais altos e de pele mais clara, seus rostos e narizes mais afilados, viviam mais próximos das montanhas,  eram pastoreiros e criadores de gados, atividade mais valorizada do ponto de vista econômico, tinham melhor escolaridade o que os colocavam nos melhores cargos administrativos públicos e políticos.
c)    E por fim 1% da população eram twas, que eram remanescentes dos pigmeus, dos quais as outras duas etnias também tinham suas origens.


A partir da década de 1950, vários conflitos foram registrados entre hutus e tutsis, esses conflitos vão culminar com o chamado genocídio de Ruanda em 1994. Esse episódio resultou em um grande massacre da população tutsi e simpatizantes, uma vez que essas duas etnias tinham hábitos de miscigenação.
Esse trabalho de pesquisa pretende demonstrar que a omissão da imprensa internacional no episódio que teve seu ápice de abril a julho de 1994, trouxe conseqüências desastrosas para a população ruandesa, enquanto esse evento acontecia em Ruanda, outro evento que ocupavam os espaços jornalísticos a copa do mundo e que se realizava nos Estados Unidos, país com grande influência na ONU.
O filme Hotel Ruanda pruduzido uma década depois, vai trazer uma divulgação do episódio que ainda muito pouco conhecido pela maior parte da população no mundo. O filme vai falar do massacre a partir de depoimentos de sobreviventes e principalmente de Paul Rusesabagina – gerente do Hotel Mille Collines. Nesse trabalho pretendemos analisar outras fontes que demonstre que essa omissão não só da imprensa, mas também de outros setores das organizações internacionais, tais como: ONU, Direitos Humanos e a Igreja,  que essas omissões custaram a vida de mais de um milhão de pessoas.

Filme: Hotel Ruanda
O filme Hotel Ruanda é uma produção do cinema hollydiano, dirigido pelo cineasta Terry George, um irlandês que vive nos Estados Unidos. Terry George se interessou pela história de Ruanda que lhe foi apresentada pelo jornalista e roteirista Keir Pearson, onde o roteiro parte da vivência de Paul Rusesabagina, um gerente do Hotel Dês Mille Collines de propriedade do grupo belga, Paul é um hutu, casado com uma tutsi e que após 1994 foi viver na Bélgica.





Keir Pearson
Roteirista – que divide os créditos com o diretor Terry George. Keir Pearson ouviu uma história do genocídio através de um amigo que estava na Tanzânia, uma história sobre Paul Rusesabagina, um hutu que havia abrigado em torno de 1200 tutsis no Hotel Dês Mille Collines, onde trabalhava como gerente, um hotel de luxo de um grupo empresarial belga.
Keir Pearson – entra em contato com a embaixada de Ruanda nos Estados Unidos e neste momento encontra uma mulher que foi sobrevivente do massacre e através dessa entrevista decide entrar em contato com Paul Rusesabagina que estava morando na Bélgica desde 1996, o qual lhe atendeu prontamente e se dispôs a falar sobre o genocídio de 1994.

Terry George
É um irlandês, roteirista e diretor, dirigiu o filme Hotel Ruanda, o qual foi adaptado a partir do roteiro escrito por Keir Pearson, com base em eventos da vida real que teve lugar em Ruanda durante a primavera de 1994. Hotel Ruanda explora o genocídio, corrupção política e as repercussões da violência.
Como o filme é independente, tinha uma liberação inicial limitada nos cinemas, lançado nos Estados Unidos, Itália e África do Sul em número reduzido de salas. Portanto o filme ganhou vários prêmios pela relevância da temática abordada.

sábado, 19 de março de 2011

Capoeira (história - Brasil/Angola)

História da capoeira e sua origem


A capoeira é uma expressão cultural afro-brasileira que ritualiza movimentos de artes marciais, jogos, dança e música. A origem cultural do que se transformaria capoeira foi trazida de Angola para o Brasil depois do século 16 em regiões da Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Participantes da capoeira formam uma roda e revezavam tocando instrumentos musicais como o berimbau, cantando e fazendo a luta ritual em pares no centro do círculo. A capoeira é marcada por acrobacias e uso extensivo de rasteiras e chutes.
A origem e história da capoeira é assunto de debate, com argumentos de que ela se originou de dança com movimentos improvisados de luta, até os que acham que ela é uma forma de luta para batalhas descendente de técnicas africanas ancestrais.
A origem e história mais antiga da capoeira não é clara. A capoeira é uma combinação de artes marciais africanas e brasileiras, porém opiniões estão genericamente dividas entre aqueles que acreditam que sua origem está nos estilos de luta africanos e os que acham que ela é uma forma dança brasileira única, resultado de várias influências africanas e brasileiras.
Alguns estudiosos da história da capoeira acreditam que ela foi criada e desenvolvida por escravos vindos da África como forma de praticar artes marciais de maneira dissimulada, parecendo ser um jogo ou dança. Uma vez que os donos dos escravos coibiam toda a forma de arte marcial, a capoeira a disfarçava como uma dança. Outros acreditam que a capoeira era praticada e usada contra os ataques portugueses ao quilombo de Palmares.
Não existe história escrita para dar suporte à idéia de que a origem da capoeira era de uma luta para batalhas, e muitos acham que foi uma forma de dança desenvolvida por escravos a partir de danças e rituais africanos. Ainda que não existam muitas evidências históricas da real origem da capoeira, o trabalho etnográfico do artista Johann Moritz Rugenda de 1835 "Voyage Pittoresque dans le Brésil" descreve a capoeira como "dança da guerra", o que dá credibilidade à teoria de que ela se originou da dança e não de uma forma de luta.

No Brasil

Por algum tempo a capoeira foi proibida no Brasil. Em 1890 o presidente Deodoro da Fonseca assinou uma lei que proibia a prática da capoeira com severas punições a quem fosse pego. Apesar do banimento da capoeira, Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado) criou um novo etilo chamado "Capoeira Regional", diferente da tradicional "Capoeira Angola" do Mestre Pastinha. Em 1930 as autoridades foram convencidas do valor cultural da capoeira e terminou a sua proibição. Mestre Bimba criou a primeira escola de capoeira em 1932, a Academia-escola de Capoeira Regional, na cidade de Salvador, e é considerado o pai da capoeira moderna.

Capoeira 
Arte, dança, luta...
Brasileira vinda nos ventres da África. Nasceu e cresceu no Brasil e hoje é referência de esporte Brasileiro. Desenvolvida por escravos africanos trazidos ao Brasil e seus descendentes, é caracterizada por movimentos ágeis e complicados, feitos com freqüência junto ao chão ou de cabeça para baixo, tendo por vezes um forte componente ginástico-acrobático. Uma característica que a distingue de outras lutas é o fato de ser acompanhada por música. Porém existem vários grupos de capoeira pelo mundo, cada um com um estilo pouco diferente. A palavra capoeira tem alguns significados, um dos quais se refere às áreas de mata rasteira do interior do Brasil (capoeral). "Capoeira é cultura e quem é capoeirista tem ela no sangue..." (Mestrando Apache.)

Capoeira Regional e suas características (Mestre Bimba)


capoeira

 

A Capoeira Regional é uma manifestação da cultura baiana, que foi criada em 1928 por Manoel dos Reis Machado (Mestre Bimba). Bimba utilizou os seus conhecimentos da Capoeira Angola e do Batuque (espécie de luta - livre comum na Bahia do século XIX) para criar este novo estilo. Para fugir de qualquer pista que lembrasse a origem marginalizada da capoeira, mudou alguns movimentos, eliminou a malícia da postura do capoeirista, colocando-o em pé, criou um código de ética rígido, que exigia até higiene, estabeleceu um uniforme branco e se meteu até na vida dos alunos. "Para treinar com meu pai era preciso provar que estava trabalhando ou mostrar o boletim do colégio", conta Demerval dos Santos Machado, conhecido como "Formiga" nas rodas de capoeira, e organizador do da Fundação Mestre Bimba, ao lado do irmão, Mestre Nenéu


Batizado
Batizado: É um momento de grande significado para o aluno, pois encontra-se apto para jogar pela primeira vez na roda. Itapoan, Ex-aluno retrata o Batizado da seguinte maneira: "O Batizado consistia em colocar em cada calouro um nome de guerra. O tipo físico, o bairro onde morava, a profissão, o modo de se vestir, atitudes, um dom artístico qualquer, serviam de subsídios para o apelido". Fred Abreu referindo-se ao batizado, cita que na intimidade da Academia de Mestre Bimba ele assim se dizia "Você hoje vai entrar no aço". Desta maneira o Mestre avisava ao calouro que chegou a hora do seu batizado, era um momento de grande emoção, pois tratava-se de jogar capoeira pela primeira vez na roda amimada pelo berimbau. Para este jogo era escolhido um formado ou um aluno mais velho da Academia que estivesse na aula, que como padrinho incentivava ao afilhado a jogar, e após o jogo o Mestre no centro da roda levantava a mão do aluno e então era dado um apelido com o qual passaria a ser conhecido na capoeira.

Significado da Música
Músicas: Podemos dividir em duas partes - a primeira referente aos toques de Berimbau, São Bento Grande, Santa Maria, Banguela, Amazonas, Cavalaria, Idalina e Iúna. A rigor cada toque tem um significado e representa um estilo de jogo. São Bento Grande é um toque que tem ritmo agressivo, indica um jogo alto com golpes aprimorados e bem objetivos, um "jogo duro". A Banguela é um toque que chama para um jogo compassado, curtido, malicioso e floreado. Cavalaria é o toque de aviso, chama a atenção dos capoeiristas que chegou estranhos na roda, outrora avisava da aproximação de policiais. Iúna é um toque especial para os alunos formados por Mestre Bimba, incita um jogo amistoso, curtido, malicioso e com a obrigatoriedade do esquente. Santa Maria, Amazonas e Idalina são toques de apresentação. A segunda eferência é sobre as musicas - quadras e corrido. As quadras são pequenas ladainhas com versos composto de 4 a 6 linhas. O corrido são cantigas com frases curtas que é repetido pelo coro. Plasticamente a Capoeira Regional é identificada pêlos golpes bem definidos, pernas esticadas, movimentos amplos, jogo alto e objetivo.

Em Angola

Capoeira Angola

A Capoeira Angola é um dos traços da manifestação da África Bantu no Brasil. Ela conserva sua essência no N'golo, ritual de passagem a vida adulta, onde as jovens são disputadas entre os jovens gurreiros das tribos e quem melhor se sobresair cabe o direito de escolher sua esposa dentre as jovens sem o pagamento do dote matrimonial.
A palavra Capoeira é de origem Tupi Guarani (indígena) significa um tipo de preparo do solo para o replantio (mato cortado rente ao solo) onde os negros ali se encontravam para prática do N'golo devido a obcessão do regimento escravista desenvolvia a alma física como instrumento de libertação. Caracterização da Capoeira Angola. O Capoeirista Angoleiro busca compor seus movimentos com os movimentos do seu adversário, visando tornar o jogo coesco, como ume unidade. O seu senso estético lhe direciona à obtenção de uma sintonia eurrítmica usando movimentos expressivos, variados e ao mesmo tempo funcionais. A movimentação dos jogadores, visivelmente inspiradas em movimentos de animais silvestres, oferece uma grande liberdade e variedade de recursos aplicáveis às diversas situações do jogo que se desenvolve como uma trama, com diferentes passagens. O Capoeirista demonstra sua superioridade no espaço da roda, levando o adversário à confusão com perigo e a complexidade dos seus movimentos.
Naturalmente afloram dos jogadores inúmeras faces de temperamento humano: o medo, a alegria, a raiva, o orgulho, a compaixão, a indiferença e outros sentimentos que tormentam a intriga, exigindo o controle psicológico dos adversários num jogo de estratégia, em que as peças a serem movimentadas são as partes do própio corpo. Os capoeristas devem harmonizar o clima do jogo com o momento da roda, ou seja, jogar de acordo com o toque e o retorno que está sendo tocado pela orquestra, com o sentimento dos versos que estão sendo entoados pelo puxador e pelo côro.
Sagacidade, autoconfiança, lealdade, humildade, elegância são alguns dos fatores subjetivos que qualificam o Capoeirista Angoleiro, herdadas dos antigos praticantes do N'golo. O ser capoerista exige perfeito domínio da cultura, das tradições e do jogo, o toque dos intrumentos e o cantos das músicas.

Música de Capoeira
A Música na Capoeira é tão importante quanto o próprio jogo da Capoeira

Ladainha- Cântico que é entoado na Roda de Capoeira, tradicionalmente na capoeira Angola, que , seguindo a tradição, deve ser cantada por um Mestre - o mais velho e/ou mais considerado -, ou, com a autorização do Mestre da Roda , por um dos Capoeiristas que vão "fazer um jogo", ao "pé do Berimbau". As Ladainhas trazem em seu bojo a história da Capoeira e de seus grandes personagens, concepções de mundo, orientações a algum aprendiz etc. Segundo os "Velhos Mestres" da Bahia, enquanto a Ladainha está sendo cantada, não se realiza nenhum "jogo físico", é necessário aproveitar o momento para dedicar-se à concentração máxima, tendo em vista o correto entendimento da(s) mensagem(ns) que nela está(estão) contida(s).

(Mestre Pastinha)
Yê ! 
Eu vou ler o B-A-Bá
B-A-Bá do Berimbau
a moeda e o arame
com dois pedaçoes de pau
a cabaça e o caxixi
aí está o berimbau
Berimbau é um instrumento
que toca numa corda só
vai tocar São Bento Grande
toca Angola em tom maior
agora acabei de crer
o Berimbau é o maior
Camaradinho
Yê Viva meu Deus
Yê viva meus Deus camarado
...

Yê !
São quatro coisa no mundo
que ao homem consome
uma casa pingando
um cavalo chotão
uma mulher ciumenta
um menino chorão
Tudo isso ele dá um jeito
a casa ele retelha
o cavalo negoceia
o menino acalenta
mulher ciumenta
cai na peia
Yê viva a Bahia
Yê viva a Bahia camarado

Yê !
Lá no céu tem três estrelas
todas as três em carririnha
uma é minha a outra é sua
a outra vai ficar sózinha
Camaradinho
Yê Viva meu Mestre
Yê viva meu Mestre camarado

Yê ! 
Bahia minha Bahia
capital do Salvador
quem não conhece esta capoeira
não lhe dá o seu valor
todos podem aprender
General e também quem é Doutor
quem desejar aprender
venha a Salvador
procure Pastinha
ele é professor
Camaradinho
Yê viva meu Deus
Yê viva meu Deus camarado

Yê ! 
Menino quem te matou ? 
foi a língua meu senhor
eu te dava conselho
pensava ser ruim
e eu sempre te dizendo
inveja matou Caim.
Camaradinho
Yê viva a Bahia
Yê viva a Bahia camarado

Yê
Hê...cicade de Assunção
capital do Itamaraty
é engano das nações
das sepulturas do Brasil
Pastinha já foi a África
pra mostrar a capoeira do Brasil
Camaradinho
Yê viva Pastinha
Yê viva Pastinha camarado

Yê 
A Bahia é terra boa
tem de tudo pra se ver
tem gostoso acarajé
tem abará e tem dendê
e tem a capoeira angola
para nós nos defender
Camaradinho
Yê Viva a capoeira
Yê viva a capoeira camarado

Corrido - Cântico da Capoeira que , assim como os toques do berimbau , determina o tipo de jogo dos dois capoeristas:
Apanha a laranja no chão Tico-Tico
se meu amor for embora eu não fico
apanha com a mão , com o pé ou com o bico
sua saia é de renda ou de bico
coro: apanha a laranja no chão tico-tico

Jogo de dentro... jogo de fora
é o jogo de Angola
valha-me Deus e Nossa Senhora
coro:jogo de dentro... jogo de fora

Tabaréu que vem do sertão
Vendo quiabo, maxixe e limão
ele vende quiabo, maxixe e limão
coro: Tabaréu que vem do sertão

Eu sou Angoleiro
Angoleiro é o que eu sou
Angoleiro de valor
Angoleiro de Salvador
Angoleiro sim senhor
meu mestre me ensinou
coro: eu sou angoleiro

Vai você , vai você
Dona Maria como vai você
Joga bonito que meu mestre quer ver
Joga denovo que eu quero aprender
coro: Dona Maria como vai você

Sai sai Catarina 
Saia do má venha ver Idalina
Oi Catarina venha ver
coro: Sai sai Catarina

Dona Maria do comboatá
chega na venda e manda botá
coro: Dona Maria do comboatá

Oi tu que é moleque
moleque é tu
coro: moleque é tu

Olha o nome do pau
coro: é pindobé

Jogo de dentro jogo de fora
jogo bonito este jogo de Angola
coro:jogo de dentro jogo de forta

Tira de lá , bota cá 
Tira daqui, bota ali
coro: Idalina






Berimbau

O berimbau, é um instrumento de corda, de origem angolana, também conhecido como berimbau de peito em Portugal ou como hungu em Angola e grande parte do continente africano.
É constituído por uma vara em arco, de madeira ou verga, com um comprimento aproximado de 1,50m a 1,70m e um fio de aço (arame) preso nas extremidades da vara. Na sua base é amarrada uma cabaça com o fundo cortado que funciona como caixa de ressonância. O tocador de berimbau usa a mão esquerda para sustentar o conjunto e pratica um movimentos de vai e vem contra o ventre, utilizando uma pedra ou uma moeda (dobrão), para pressionar o fio. A mão direita, com uma varinha, percute a corda.




sábado, 19 de fevereiro de 2011

Origem do Samba - Trajetória no Brasil

História do Samba - Um Breve Resumo

          O nome samba é, provavelmente, originário do nome angolano semba, um ritmo religioso, cujo nome significa umbigada, devido à forma como era dançado.

             O primeiro registro da palavra "samba" aparece na Revista O Carapuceiro, de Pernambuco, em 3 de fevereiro de 1838, quando Frei Miguel do Sacramento Lopes Gama, escreve contra o que chamou de "samba d'almocreve". O Samba é a principal forma de música de raízes africanas surgida no Brasil.
          Em meados do século xix (19), a palavra samba definia diferentes tipos de música introduzidas pelos escravos africanos, desde o Maranhão até São Paulo. O samba carioca provavelmente recebeu muita influência de ritmos da Bahia, com a transferência de grande quantidade de escravos para as plantações de café no Estado do Rio, onde ganhou novos contornos, instrumentos e histórico próprio, de forma tal que, o samba moderno, como gênero musical, surgiu no início do século 20 na cidade do Rio de Janeiro.
             O termo "escola de samba" é originário deste período de formação do gênero. O termo foi adotado por grandes grupos de sambistas numa tentativa de ganhar aceitação para o samba e para a suas manifestações artísticas; o morro era o terreno onde o samba nascia e a "escola" dava aos músicos um senso de legitimidade e organização que permitia romper com as barreiras sociais.


O samba-amaxixado Pelo telefone, de domínio público mas registrado por Donga e Mauro Almeida, é considerado o primeiro samba gravado, embora Bahiano e Ernesto Nazaré tenham gravado pela Casa Édison desde 1903. É deles o samba "A viola está magoada". Há registros também do samba "Em casa de Baiana" (1913), de autoria de Alfredo Carlos Brício. Porém ambos não fizeram muito sucesso, e foi a composição registrada por Donga que levou o gênero para além dos morros. Donga chegou a anunciar "Pelo telefone" como "tango-samba", no Jornal do Brasil de 8 de janeiro de 1917.
            Nos anos trinta, um grupo de músicos liderados por Ismael Silva fundou, na vizinhança do bairro de Estácio de Sá, a primeira escola de samba, Deixa Falar. Eles transformaram o gênero, dando-lhe os contornos atuais, inclusive coma introdução de novos instrumentos, como o surdo e a cuíca, para que melhor se adequasse ao desfile de carnaval. Nesta mesma época, um importante personagem também foi muito importante para a popularização do samba: Noel Rosa. Noel é responsável pela união do samba do morro com o do asfalto. É considerado o primeiro cronista da música popular brasileira. Nesta época, a rádio difundiu a popularidade do samba por todo o país, e com o suporte do presidente Getúlio Vargas, o samba ganhou status de "música oficial" do Brasil.
          Nos anos seguintes o samba se desenvolveu em várias direções, do samba canção às baterias de escolas de samba. Um dos novos estilos foi a bossa nova, criado por membros da classe média, dentre eles João Gilberto e Antonio Carlos Jobim.
        Nos anos sessenta os músicos da bossa nova iniciaram um movimento de resgate dos grandes mestres do samba. Muitos artistas foram descobertos pelo grande público neste momento. Nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Keti e Clementina de Jesus gravaram os seus primeiros discos.
Nos anos setenta o samba era muito tocado nas rádios. Compositores e cantores como Martinho da Vila, Bezerra da Silva, Clara Nunes e Beth Carvalho dominavam as paradas de sucesso.
No início da década de 1980, depois de um período de esquecimento onde as rádios eram dominadas pela música de discoteca e pelo rock brasileiro, o samba reapareceu no cenário brasileiro com um novo movimento chamado de pagode. Nascido nos subúrbios cariocas, o pagode era um samba renovado, que utilizava novos instrumentos, como o banjo e o tantã, e uma linguagem mais popular. Os nomes mais famosos foram Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Grupo Fundo de Quintal, Jorge Aragão e Jovelina Pérola Negra. Atualmente o samba é um dos gêneros musicais mais populares no Brasil e sem dúvida é 
o ritmo que melhor representa a imagem do Brasil e do carioca.



A História do Samba
GRAZIELA SALOMÃO

           O samba, como conhecemos atualmente, tem origem afro-baiana, temperado com misturas cariocas. Nasceu da influência de ritmos africanos, adaptados para a realidade dos escravos brasileiros e, ao longo do tempo, sofreu inúmeras transformações de caráter social, econômico e musical até atingir as características conhecidas hoje.
          O gênero, descendente do lundu (canto e dança populares no Brasil do século XVIII), começou como dança de roda originada em Angola e trazida pelos escravos, principalmente para a região da Bahia. Também conhecido por umbigada ou batuque, consistia em um dançarino no centro de uma roda, que dançava ao som de palmas, coro e objetos de percussão e dava uma ''umbigada'' em outro companheiro da roda, convidando-o a entrar no meio do círculo.
        Com a transferência, no meio do século XIX, da mão-de-obra escrava da Bahia para o Vale do Paraíba e, logo após, o declínio da produção de café e a abolição da escravatura, os negros deslocaram-se em direção a capital do país, Rio de Janeiro.
          Instalados nos bairros cariocas de Gamboa e Saúde, eles dariam início à divulgação dos ritmos africanos na Corte. Eram nas casas das tias baianas, como Amélia, Ciata e Prisciliana, que aconteciam as festas de terreiro, as umbigadas e as marcações de capoeira ao som de batuques e pandeiros. Essas manifestações culturais propiciariam, conseqüentemente, a incorporação de características de outros gêneros cultivados na cidade, como a polca, o maxixe e o xote. O samba carioca urbano ganha a cara e os ritmos conhecidos.
           Em 1917 foi gravado em disco o primeiro samba chamado ''Pelo Telefone''. A música, de autoria reivindicada por Donga (Ernesto dos Santos), geraria polêmica uma vez que, naquele tempo, a composição era feita em conjunto. Essa canção, por exemplo, foi criada numa roda de partido alto (pessoas que partilhavam dos antigos conhecimentos do samba e designava música de alta qualidade), do qual também participaram Mauro de Almeida e Sinhô (José Barbosa da Silva), que se auto-intitulou ''o rei do samba''.
         Após a primeira gravação, o samba conquistaria o mercado fonográfico e, com a inauguração do rádio em 1922 - único veículo de comunicação em massa até então -, alcançaria as classes médias cariocas. O novo estilo seria, ainda, abraçado e redimensionado por filhos de classe média, como o ex-estudante de Medicina Noel Rosa e o ex-estudante de Direito, Ari Barroso, através de obras memoráveis como ''Tarzan, o filho do alfaite'' e ''Aquarela do Brasil''.
         O advento do rádio ainda transformaria nomes como Francisco Alves, Orlando Silva e Carmen Miranda em grandes ídolos do samba.
As escolas de samba do Rio de Janeiro
          Entre as décadas de 20 e 30, o gênero ganharia muitas variações tais como o samba-enredo, o samba-choro e o samba-canção. É desse período, também, o surgimento dos sambas criados para os grandes blocos de Carnaval. A primeira escola de samba surgiria em 1929 no Estácio - tradicional bairro de boêmios e da malandragem da cidade. Chamada de 'Deixa Falar', fez sua primeira aparição na Praça Onze como um bloco de corda e inovava no ritmo: a nova batida era capaz de contagiar qualquer folião, diferentemente dos sons anteriores mais monótonos.
         No ano seguinte, novas cinco escolas surgiriam para participar do desfile na Praça Onze: a ''Cada Ano Sai Melhor'' (do Morro de São Carlos), a ''Estação Primeira de Mangueira'', a ''Vai como Pode'' (atual Portela), a ''Para o Ano Sai Melhor'' (do Estácio) e a ''Vizinha Faladeira'' (das redondezas da Praça Onze). Com a repercussão do gênero, a cada ano surgiam mais escolas para participar dos desfiles de Carnaval.