sábado, 12 de março de 2011

Material para os Alunos do 1ª ano do Ensino Médio - Tito Livio


História de Angola.
Alunos do 1º Ensino Médio

A Chegada dos Português

Os portugueses, sob o comando de Diogo Cão, no reinado de D. João II, chegam ao Zaire em 1484. É a partir daqui que os portugueses iniciam a conquista desta região de África, incluindo Angola. O primeiro passo foi estabelecer uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. Ao sul deste reino existiam dois outros, o de Ndongo e o de Matamba, os quais não tardam a fundir-se, para dar origem ao reino de Angola.
 Explorando as rivalidades e conflitos entre estes reinos, na segunda metade do século XVI os portugueses instalam-se na região de Angola. O primeiro governador de Angola, Paulo Dias de Novais, procura delimitar este vasto território e explorar os seus recursos naturais, em particular os escravos. A penetração para o interior é muito limitada. Em 1576 fundam São Paulo da Assunção de Luanda, a atual cidade de Luanda. Angola transforma-se rapidamente no principal mercado abastecedor de escravos para as plantações de cana-de-açúcar do Brasil.

Durante a ocupação filipina de Portugal (1580-1640), os holandeses procuram expropriar os portugueses desta região, ocupando grande parte do litoral (Benguela, Santo António do Zaire, as barras do Bengo e do Cuanza). Em 1648 os portugueses expulsam os holandeses, para contentamento dos colonos do Brasil.
Até finais do século XVIII, Angola funciona como um reservatório de escravos para as plantações e minas do Brasil. A ocupação dos portugueses não vai muito mais além das fortalezas da costa.
A colonização efetiva do interior só se inicia no século XIX, após a independência do Brasil (1822) e o fim do tráfico de escravos (1836-42), mas não da escravatura. Está ocupação trata-se de uma resposta às pretensões de outras potências européias, como a Inglaterra, a Alemanha e a França, que reclamavam na altura o seu quinhão em África. Diversos tratados são firmados estabelecendo os territórios que cabem a cada uma, de acordo com o seu poder e habilidade negocial.

1900-1960

A colonização de Angola, após a implantação de um regime republicano em Portugal (1910), entra numa nova fase. Os republicanos haviam criticado duramente os governos monárquicos por terem abandonado as colônias. O aspecto mais relevante da sua ação circunscreveu-se à criação de escolas. No plano econômico, inicia-se a exploração intensiva de diamantes. A Diamang (Companhia dos Diamantes de Angola) é fundada em 1921, embora operasse desde 1916 na região de Luanda.
O desenvolvimento econômico só se inicia de forma sistemática, em finais da década de 1930, quando se incrementa a produção de café, sisal, cana do açúcar, milho e outros produtos. Trata-se de produtos destinados à exportação.
A exportação da cana do açúcar, em 1914, pouco ultrapassava as 6.749 toneladas. Em 1940 atingia já as 39.433 toneladas. As fazendas e a indústria concentraram-se à volta das cidades de Luanda e de Benguela.
A exportação de sisal desenvolve-se durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1920, foram exportadas pouco mais que 62 toneladas, mas em 1941 atingiam-se já as 3.888; dois anos depois, 12.731 e em 1973 registava-se uma exportação de 53.499 toneladas. Estas plantações situavam-se no planalto do Huambo, do Cubal para Leste, nas margens da linha férrea do Dilolo, Bocoio, Bailumbo, Luimbale, Lepi, Sambo, mas também no Cuanza-Norte e Malange.
A exportação de café logo a seguir à segunda guerra mundial abriu um novo ciclo econômico em Angola, que se prolonga até 1972, quando a exploração petrolífera em Cabinda começar a dar os seus resultados. A subida da cotação do café no mercado mundial, a partir de 1950, contribuiu decisivamente para o aumento vertiginoso desta produção. Em 1900, as exportações não ultrapassavam as 5.800 toneladas. Em 1930 atingiam as 14.851, 13 anos depois subiam para 18.838. No ano de 1968 Angola exportava 182.954 e quatro anos depois verificava-se o número abismal de 218.681 toneladas.
Para além destes produtos, desenvolve-se a exploração dos minérios de ferro. Em 1957 funda-se a Companhia Mineira do Lobito, que explorava as minas de Jamba, Cassinga e Txamutete. Exploração que cedeu depois à alemã Krupp.
O desenvolvimento destas explorações foi acompanhado por vagas de imigrantes incentivados e apoiados muitas vezes pelo próprio Estado. Entre 1941 e 1950, saíram de Portugal cerca de 110 mil imigrantes com destino às colônias, a maioria fixou-se em Angola. O fluxo migratório prosseguiu nos anos 50 e 60.
Na década de 40, a questão da descolonização dos territórios africanos emerge no plano internacional e torna-se incontornável. Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

 

 

1961-1974

No princípio dos anos 60, três movimentos de libertação (UPA - União das Populações de Angola; FNLA - Frente Nacional de Libertação de Angola; MPLA - Movimento Popular de Libertação de Angola e UNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola) desencadearam uma luta armada contra o colonialismo português.

O governo de Portugal (uma ditadura desde 1926), recusou-se a dialogar e prosseguiu na defesa até ao limite do último grande império colonial europeu. Para África foram mobilizados centenas de milhares de soldados. Enquanto durou o conflito armado, Portugal procurou consolidar a sua presença em Angola, promovendo a realização de importantes obras públicas. A produção industrial e agrícola conheceu neste território um desenvolvimento impressionante. A exploração do petróleo de Cabinda iniciou-se em 1968, representando em 1973 cerca de 30% das receitas das exportações desta colônia. Entre 1960 e 1973 a taxa de crescimento do PIB (produto Interno Bruto) de Angola foi de 7% ao ano.

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